É dito que toda história tem um começo e um fim. Para tudo há um primeiro e último capítulo.
Mas e quando algo não possui um começo?
Antes do conceito de tempo existir, havia o caos, no qual mesmo que um imensurável número de entidades viviam emaranhadas umas com as outras, todas viviam em incalculável solidão, pois nenhuma nasceu capaz de compreender qualquer outra.
Ou melhor dizendo, elas não nasceram. Suas existências precedem a razão, então nunca tiveram noção dos conceitos de sobrevivência e subsistência. Apenas existiam, sem motivo, sem objetivo, sem razão. Rumo ao inalcançável e inexistente vazio da eternidade.
Isso não está certo... Eu não quero ser assim...
Uma única entidade pensou. Em sua incompreensiva língua, um inexplicável desconforto. Uma pergunta sem resposta.
Isso é... até o momento em que tudo começou.
Tempo. Matéria. Energia. Todas essas coisas nasceram no exato mesmo momento, junto com um imenso espaço se expandindo ao infinito.
É isso! Isso é o que eu estava procurando!
Disse aquela entidade, vendo o que acabou de nascer como uma oportunidade, de fugir do eterno ciclo infinito e sem significado de estagnação.
Ao entrar no que viria se chamar de Espaço-Tempo, a entidade vagou por todos os cantos, explorando diferentes galáxias e encontrando diversos corpos celestes conforme bilhões de anos foram se passando.
Era uma fonte infinita de diversão. Não havia apenas uma variedade imensa de coisas para se encontrar, como também todas essas coisas estavam sujeitas a mudança, indicando que estariam mudadas caso revisitadas. Não importa o que visse, a entidade ainda sem nome e forma poderia passar a eternidade inteira sem se entediar.
Ou ao menos, era isso que ela acreditava.
Aahhh... Ainda tem algo de errado...
Bilhões e bilhões de anos vagando pelo cosmos levaram ao inacreditável cenário da entidade novamente se sentindo presa. O ciclo de estagnação havia acabado, mas isso só deu lugar a um ciclo de repetição vazia, uma busca incessante pelo prazer momentâneo.
Havia algo faltando, mas ela era incapaz de dizer exatamente o quê.
Até o momento no qual ela conheceu um diferente planeta. Um rochoso, pequeno planeta, destacável apenas pela atmosfera e a quantidade anormal de água, ambas as características que a davam uma coloração azul.
Sobre uma faixa de terra próxima ao mar, a entidade encontrou algo peculiar: uma estrutura verdejante e complexa, que parecia se alimentar com a luz da estrela provedora da luz que engole o planeta.
Estupefata, a entidade achou um novo propósito: se tornar algo semelhante a essa criatura, e conhecer sua perspectiva. Usando seu poder como residente do caos, a entidade ganhou uma forma, tornando-se o que viria a ser chamado de planta.
Dias se passaram, com as maravilhas da natureza sendo contempladas. O calor do Sol e a suavidade dos ventos proporcionaram uma sensação nova para a planta que por bilhões de anos era desconhecida.
No entanto essa sensação não duraria muito, pois repentinamente a planta se tornaria o alimento de uma ave.
As sensações da planta foram enfraquecendo conforme sua conexão com a realidade ia se desfazendo. A entidade estava pela primeira vez experienciando a morte.
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Drettonus
FantasíaVektor Drenn é descendente de uma poderosa linhagem de manipuladores de fogo, por algum motivo exilados de sua terra natal, a Ilha de Netern. No entanto, um incidente o obriga a viajar de volta para a ilha, e assim começa uma longa série de eventos...
