Primeiro Mês Do Pequeno

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Aviso importante: Caros/as leitores/as, caso não estejam bem psicologicamente e emocionalmente, esperem estarem para lerem este capítulo, pois, ele pode ativar gatilhos em vocês, uma vez que, são abordados temas duros. 

Narradora: Durante o primeiro mês de adaptação ocorreram algumas sessões de terapia do pequeno com a Dr.ª Elaine e também existiram consultas de terapia familiar.

Transcrição da sessão de terapia do pequeno

Dr.ª Elaine: Essa torre está ficando bem alta, Lourenço!  Você precisa de muito equilíbrio para colocar esses blocos compridos no topo, não é?

Lourenço: (Concentrado, colocando mais um bloco)  É.... se colocar rápido demais, ela cai toda.

Tem que ir devagarzinho.

Dr.ª Elaine: É verdade.  Sabe, na nossa última sessão com a sua família, você me disse uma coisa que eu fiquei pensando.  Você comentou que às vezes prefere "ir para o seu canto" quando as coisas ficam difíceis ou quando tem muita confusão em casa.  Essa torre me lembrou um pouco isso.  Às vezes o castelo serve para a gente se proteger?

Lourenço: (Para de mexer nos blocos e olha para ela)  É. Quando todo mundo começa a falar alto, a minha cabeça dói um pouco.  Aí eu vou para o meu quarto brincar sozinho.

Lá é mais silencioso.

Explorando os Sentimentos com a Ludoterapia

Dr.ª Elaine: Entendo perfeitamente.  O silêncio ajuda a acalmar a cabeça quando o barulho de fora está muito grande.  (Ela pega três bonecos de pano que estão por perto) Olha só, eu tenho esses bonecos aqui.  Se esses blocos que você montou fossem a sua casa, onde ficaria cada um quando o barulho começa?

Lourenço: (Pega os bonecos de pano  Esse aqui, que parece o Dann, fica bem aqui na porta, bravo.  A Aurora fica aqui no meio, falando um monte de coisas...  E esse pequenininho sou eu.

Eu fico bem aqui atrás, escondido na torre.

Dr.ª Elaine: E como o bonequinho do Lourenço se sente ali atrás, vendo a Aurora e o Dann conversando daquele jeito barulhento?

Lourenço: (Olha para o boneco na mão)  Eu fico triste. E com um pouco de medo de elas não gostarem mais de mim. Porque parece que tudo que eu faço deixa alguém bravo.  Se eu fico no quarto, a Aurora acha que eu não me importo.  Se eu saio, eu não sei o que falar.

Validação e Intervenção

Dr.ª Elaine: (Com tom de voz suave e acolhedor)  Puxa, Lourenço... deve ser muito difícil se sentir assim, como se estivesse sem saída.  Mas eu quero te contar um segredo que os adultos às vezes esquecem de dizer.  O barulho que a Aurora e o Dann fazem não é por sua causa.

Elas te amam muito. Lembra que na sessão juntos elas choraram e disseram que têm medo de ficar longe de você?

Lourenço: Lembro... A Dann disse que queria chegar perto.

Dr.ª Elaine: Exatamente.  O problema não é o amor de vocês, é só o "jeito" de falar que às vezes sai meio torto, como um bloco que a gente coloca na posição errada e balança a torre.  Você não tem a obrigação de consertar a conversa deles, tudo bem? Você é a criança da casa.

Livro: Aurora & Dann Entre os Olhares e a DançaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora