Sessão de Terapia do Lourenço Antes do Batizado

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Narradora: Chegou o dia do pequeno ter terapia, e ambas estavam de folga e acabaram por irem as duas levá-lo.   Assim que entraram na receção do consultório avistaram a Dr.ª Elaine, que já aguardava pela chegada do Lourenço.   Cumprimentaram-se e a Dr.ª Elaine, disse-lhes que se quisessem ir dar um passeio o podiam fazer, que assim que a sessão terminasse a sua secretaria ligaria para avisar.   Despediram-se do filho com um abraço apertado e um beijo na testa.  Ele seguiu para o consultório com a psicóloga, e as mamães foram até ao parque que ficava a uns vinte minutos do local onde estavam.

Nota 1: Lourenço está sentado no sofá, mexendo levemente nas mãos, demonstrando uma mistura de expectativa e ansiedade.   A Dr.ª Elaine mantém uma postura calorosa e atenta.

Dr.ª Elaine: Olá, Lourenço.   Que bom ver-te.  Como tens passado esta semana?

Sei que tens dois grandes temas na tua cabeça por estes dias: o teu batizado que está quase a chegar e o teu desejo de melhorar na escola.  Como te estás a sentir com tudo isto?

Lourenço: (Suspira levemente) Olá, Dr.ª. Sinceramente? Um bocado baralhado.  Parece que está tudo a acontecer ao mesmo tempo.   O batizado é já no próximo fim de semana e toda a gente em casa só fala disso.  E, ao mesmo tempo, não consigo parar de pensar que o novo ano letivo vai começar e eu prometi a mim mesmo — e aos meus pais — que ia ser um aluno muito melhor.

Dr.ª Elaine: É muita coisa para processar de uma vez só, com certeza.   É perfeitamente normal sentires-te assim.   Vamos por partes.    O que é que te causa mais borboletas no estômago em relação ao batizado?

Lourenço: Acho que é a pressão.  Vai estar lá a família toda, os padrinhos...  Todos a olhar para mim.   O batizado parece uma espécie de "recomeço" ou um passo para crescer, sabe?  E eu fico a pensar se vou conseguir estar à altura do que esperam de mim.

Dr.ª Elaine: (Sorri com empatia) Compreendo.  O batizado é um momento muito bonito e celebra o teu caminho, mas às vezes o peso das expectativas dos outros faz-nos esquecer que o dia é, acima de tudo, teu.   E se olhássemos para esse "recomeço" não como uma cobrança, mas como uma folha em branco cheia de oportunidades?   Inclusive para o teu lado de estudante.

Lourenço: Sim, eu gostava de ver as coisas assim. Mas depois lembro-me das notas do ano passado e dá-me um nó no estômago.   Eu quero mesmo ser um bom aluno, Dr.ª. Quero que os meus pais se orgulhem e quero sentir-me capaz. Mas tenho medo de começar com muita força e depois falhar.

Dr.ª Elaine: Esse medo de falhar é o teu cérebro a tentar proteger-te da frustração, Lourenço.

Mas diz-me uma coisa: para ti, o que significa, na prática, "ser um bom aluno"?   Significa tirar apenas notas máximas ou significa outra coisa?

Lourenço: (Pensa por uns momentos) Acho que... não preciso de tirar só Cens ou Vintes em tudo.   Mas gostava de compreender a matéria, de não deixar tudo para a última hora e de sentir que dei o meu melhor.   Gostava que o estudo não fosse uma tortura.

Dr.ª Elaine: Ora aí está.  Repara na diferença: tirar notas perfeitas depende de muitos fatores externos, mas dar o teu melhor e organizar o teu tempo depende apenas de ti.  Ser um bom aluno é uma construção diária, feita de pequenos passos, e não uma mágica que acontece da noite para o dia.

Lourenço: Pois, eu às vezes quero mudar tudo de uma vez e acabo por me ir abaixo.

Dr.ª Elaine: Exatamente.  Então, vamos fazer um trato para este arranque.  Em vez de te focares no destino final — "tenho de ser o melhor aluno" —, vamos focar-nos no processo.  Que tal celebrares o teu batizado no fim de semana como um momento de festa e afeto com a tua família, e na segunda-feira seguinte começarmos a desenhar uma rotina de estudo simples, com pequenas metas diárias?

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