Baile dos Morrisey.
Continuação....
- Bem, devo dizer que você se saiu muito melhor do que eu esperava.
Tirando os olhos das costas de Isabella e de sua madrasta que se afastavam, Edward deu com o primo uma vez mais ao seu lado.
- Será? - perguntou, distraído.
Emmett sorriu irônico e encolheu os ombros.
- Acho que sim. Afinal, ela não pisou em seus pés, não o fez cair, nem queimou nenhuma de suas partes. Diria que é um bom começo.
- É - replicou Edward com um sorriso amarelo. - Só fui perseguido pela pista por uma velha matrona que gesticulava freneticamente como uma galinha batendo as asas.
Emmett riu da descrição precisa do primo e completou:
- Pois é, a pobre lady Isabella parece destinada a terminar cada dia com uma nova humilhação. Tornou-se o assunto da cidade.
- Não é Isabella a causa do problema. É a madrasta.
- Concordo que a cena de hoje possa ter sido responsabilidade da madrasta. A garota estava se saindo muito bem em seus braços, porém não dá para culpar lady Irina por todos os fiascos que contribuíram para a reputação da enteada.
- Por que não? - Edward perguntou, levantando a sobrancelha.
- Porque Irina nem estava presente quando Isabella derrubou o chá em minhas pernas e queimou minhas...
- Mas isso não teria acontecido se ela estivesse de óculos, e a culpada disso é a madrasta - interrompeu Edward.
- O quê?
- Isabella não usa óculos não porque seja fútil, mas porque a madrasta os tirou dela e os quebrou. Ela se nega a deixar a garota usar óculos.
Emmett não conseguiu disfarçar o espanto diante dessa revelação.
- Por que diabos alguém faria isso?
- Lady Swan aparentemente acha que os óculos poderiam ser um obstáculo para a enteada arrumar um marido.
- Ah... entendo. - Emmett ficou pensativo, e Edward não conteve a curiosidade.
- Ela me disse algo sobre um passado comprometedor. Você sabe do que se trata?
- O quê? - Emmett o fitou de maneira penetrante e depois desviou os olhos, demonstrando certo desconforto. - Sei alguma coisa... que ouvi dizerem, claro; de fato, uma infelicidade. E nem foi culpa dela. O homem foi preso. Ainda assim, pelo que me lembro, foi um escândalo na época. Causou um grande falatório.
- O que causou o falatório? - Quando Emmett o encarou indeciso, Edward insistiu impaciente. - Que escândalo foi esse?
- Certamente você se recorda do caso, Edward? Foi na temporada depois da batalha de Malplaquet... - Emmett baixou o tom de voz ao dizer isso, e seu olhar deteve-se por um instante na cicatriz do rosto do primo, desviando-se em seguida ao se sentir novamente desconfortável. - É verdade, você deixou Londres e retornou ao campo naquele ano.
Edward teve uma expressão jocosa diante da frase polida. Ele havia retornado ao campo mal chegando à cidade. O motivo, naturalmente, fora o ferimento que deixara a cicatriz em seu rosto. Uma longa cicatriz irregular que descia em ziguezague do canto de seu olho esquerdo até o queixo ao lado da boca. Era seu suvenir da Guerra da Sucessão Espanhola e o ponto final em sua promissora carreira militar.
Não fora a única coisa que tivera um fim, Edward considerou, suspirando. Também fora o fim da ancestral e nobre família Cullen, embora não tivesse se dado conta de início.
VOCÊ ESTÁ LENDO
O amor é... Cego?
DiversosLynsay Sands Inglaterra, 1720 Amor Perigoso! Edward Cullen, o conde de Masen, sabia que a bela e estabanada lady Isabella Swan poderia ser perigosa. Ela era, na verdade, um desafio. Mas era exatamente o desafio que ele precisava... Isabella, ou simp...