1° Capítulo

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"Faria isso?"-ela me pergunta mordendo a metade da sua cereja.

"Não"-falei.

"Eu não sei se faria... acho que faria"-ela folheia as páginas de uma revista de medicina cirúrgica, onde há mulheres siliconadas nos seios.

"Você é perfeita... não precisa disso, gosto deles"-sorrio e ela me entrega um sorriso melhor que o meu. Um sorriso estridente e caloroso, eu amo esse sorriso.

"Vai fazer o que amanhã?"-ela fecha a revista e encosta seu colo se apoiando com os cotovelos no enorme balcão que fica no centro da cozinha.

"Não sei. Minha mãe me ligou ontem, ela talvez venha amanhã ou na próxima semana, não me disse nada"-pego a cereja e fico a girando no ar com o pequeno cabinho.

"Oh..."-Gemma sabe o que eu quis dizer. Este é sempre o melhor jeito para dizer a ela que ela não poderá me ver.

Minha mãe é mais para um lado bem religioso. Para ela, o homem nasceu para a mulher e a mulher nasceu para o homem. E por mais que eu esteja nos meus dezenove anos de vida, eu não tenho coragem de dizer a ela minha opção sexual; para ela seria basicamente um crime caso ela soubesse que sou lésbica. Eu escolhi ser feliz, mas sei que minha mãe jamais entenderia isso.

"Gem, eu estou tentando, sei que parece errado, mas não quero perder minha mãe-"

"Não precisa se explicar, posso esperar o tempo que for preciso. Mas tente se lembrar de que um dia terá que contar a ela. De uma forma ou de outra ela é sua mãe, vai ter que aceitar, mesmo que tudo isso aconteça assim, ela irá continuar te amando"-ela tem razão. A parte pela qual disse que tenho medo de perder minha mãe é que eu ainda preciso dela, não quero-a desapontada comigo.

Da forma como penso, parece até que tenho preconceito comigo mesma.

Nos focamos no forte silêncio que houve entre a gente, está tudo tão calmo, tudo isso aqui é maravilhoso. Por um momento queria ter a mãe de Gemma como minha mãe também, ela sebe nos aceitar definitivamente. Mas a minha as vezes sabe ser especial.

Ouço o barulho da porta de entrada e me assusto. Gemma e eu estávamos sozinhas na casa dela. E não esperávamos visitas.

"Não sei"-ouço uma voz ecoar por metade da casa.

"Ah, droga. Esqueci de avisar que meu irmão chegaria hoje de viajem"-murmura.

Nunca vi o irmão de Gemma. Ela quase não me falava dele, é até mesmo difícil de se lembrar que ela não é a filha única. Até onde sei, é que seu nome é Harry, que ele é menor que ela, com vinte anos, ex-universitário, e assim que se formou, viajou e agora voltou. São pouquíssimas coisas, não tão importantes assim.

"Me espere lá em cima"- Ouço a voz sussurrenta pela casa novamente. Não vou negar que sua voz era ardente, maliciosa e ousada, ela era um rouco magnífico, aposto com todas as minhas certezas que essa voz poderia ser seu charme.

Posso ouvir saltos finos cada vez mais ocos, suponho que seja de sua companhia subindo, assim como ele havia lhe pedido. Gemma e eu mudamos a postura ao saber que o barulho de botas a bater pelo chão era de seu irmão caminhando até a cozinha.

"A mãe não está?"- ele aparece no hall da cozinha. Ele era exatamente como eu o imaginava; a cópia masculina perfeita de Gemma. Com exceções dos cabelos, o cabelo dela estava loiro com partes rosas e tem o seu comprimento mais longo e liso, mas os olhos dele eram mais fuscosos do que os dela, um verde floresta negra esplendido. O jeito de como ele ralha os olhos para o deixar mais sexy, ele consegue fazer-lo da mesma forma que a Gem, mas, claro, Gem fica muito mais linda, por mais identicos que os dois sejam.

Feelings |H.S.|Histórias para pegar e não largar. Descubra agora