24° Capítulo

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São... várias angustias misturadas. Como se o meu emocional estivesse me bagunçando inteira por dentro. Eu não sei se devo fazer isso, mas também não posso ver o orgulho tomar conta de mim como se eu fosse um ser fragilizado. Temo em ter que entrar naquele carro e deixar Harry me ajudar e logo em seguida me arrepender. Se eu não for com ele é provável que eu morra de frio ou então de fome, mas se eu for, Gemma pode descobrir e ficar zangada, ou ainda pior, Samantha pode descobrir e ficar zangada – também magoada – e dizer tudo para a Gemma, entregar praticamente de bandeja tudo o que andamos escondendo.

"Tudo bem, não vou mais insistir."-ele dá de ombro e gira o calcanhar, caminhando para voltar ao carro.

Não sei se deveria, até porque não sou eu quem decido, mas meu coração acelera. Minha mente grita seu nome. Insista mais, insista muito mais, um momento de delírio me cobre. Como minha consciência pode ser tão bipolar quanto eu?! Por que ela está gritando dessa forma?!

"Harry!"-grito, apertando meus olhos para não ter que ver sua reação-"... e-eu vou."-murmuro, abrindo os olhos e o vejo olhando para mim, ele parece estar aliviado por alguma emoção.-"Por favor, não sei o que me deu. Só me leva daqui antes que eu decida colocar de vez o pé atrás!"

"Okay."-ele estala, ainda continua olhando para mim.

"Bem..."-eu ia dizendo, ele não me deixa terminar. Eu ia lhe dizer que não quero que seja por muito tempo.

"Eu vou te ajudar."-diz ele, se referindo as malas.

Me afasto das malas, apenas esperando que ele as pegue e guarde no porta-malas do carro.

"A porta está destrancada, se já quiser entrar."-ele sugere.

Assinto e entro para o carro, ainda está com seu mesmo cheiro, creed aventus, reconheço esse cheiro de uma loja que entrei a semanas atrás, um perfume caro, não sei se daria seiscentos dólares em um, provavelmente não, já que não tenho dinheiro nem para um quarto de um hotel velho. Consigo sentir o quão frio eu senti durante muito tempo – horas –. Minha pele se encontra levemente adormecida e mal sinto o calor do carro, sinto apenas o conforto.

Harry entra no carro após ter guardado minhas malas e o põe em movimento. Não desvio o meu olhar para ele em nenhum momento. Isso está sendo uma decisão minha, tudo o que eu devia estar fazendo era olhar para trás, fazer uma pequena revisão. A verdade dessa porra toda é que sei o quão amarguradamente vou me arrepender de cada passo que vou dar após sair do carro do Harry e pensar que posso seguir em frente, pois sei que não vou conseguir, não vou sair do 'tentar seguir de cabeça erguida', minha vida está, daqui para frente, destinada apenas a dar errado. Na verdade sempre foi, talvez houvesse uma bandana que cobrisse meus olhos para segar eu mesma, para não ver a merda toda que faço sempre por onde minha presença invade. Reconheço e assumo, eu fiz tudo errado. Gemma e eu tínhamos um relacionamento incrível. As vezes, na minha mente, fica difícil de adotar a idéia que não vamos viver tudo o que sempre sonhei e imaginei com ela. Eu via todos os momentos de amor e carinho, sempre lá mais para frente, e em todas, em absolutamente todas as minhas visões criadas por mim mesma do futuro, ela estava lá, comigo, e... sorrindo. Era um sinal de que se não fosse por mim, isso valeria a pena.

Passo o caminho da viagem toda com a cabeça encostada no vidro da janela, quase adormecendo, o que mais me mantém um pouco alerta e que me mantém ainda acordada agora, é eu estar do lado dele. Porque pode não ser uma decisão certa, ainda que eu esteja precisando de ajuda.

Daqui, em poucos tempos já se vai amanhecer e eu não dei uma sequer cochilada, mas as emoções foram tantas que nem havia percebido que estava bêbada de sono.

"Hey, chegamos."-Harry dá leves cutucadas em meu ombro,me chamando.

Eu não tinha dado conta que eu havia pegado no sono durante metade do caminho. Foi uma surpresa, minha consciência simplesmente apagou-se e não vi nada, foi um nada, entendi?

Me ponho para fora do carro,fazendo como o Harry e o espero retirar minhas malas. Ajeito minha bolsa pessoal, e pego em uma mala, esperando ele retirar a outra. Eu sei que elas estão pesadas, pois só de pelo menos eu arrastar-las doeram os músculos dos meus braços.

"Eu levo essa!"-ele diz, e me lança um belo sorriso fechado.

Viro o rosto para evitar a cena, não quero ter que me submeter nessa provocação.

Puxo minha mala em intenção a ir para o elevador que nos levará do estacionamento até o seu andar do apartamento.

O elevador não é grande. Olho para ver meu reflexo no espelho e vejo uma garota que apenas de bater o olho já se percebe que a vida dela está em um caos. Uma garota que está sofrendo por estar confusa, com os pensamentos deslocados, não focados cem por cento naquilo que sempre quis atingir desde seus treze anos. Sinceramente, tenho certeza que aquela garota de treze anos, há seis anos atrás, sentiria vergonha da que está neste momento se olhando no espelho, se segurando para não derramar lágrimas dentro de um elevador do prédio de um amante ou o caralho que for... Mas não sei se pediria desculpas a ela, ela era uma garota burra e indefesa, por mais que eu esteja agindo como uma vaca agora, eu de tempos fiz merdas, mas também aprendi muitas coisas por causa disso. A Amber de treze anos que havia dentro de mim sofria bullying na escola, sendo acusada de ser lésbica antes mesmo de se descobrir, ela vivia isolada, ela vivia literalmente dentro de um armário, qual é, cada um tem seu canto para sofrer, chorar, e o meu era sim um armário velho do porão de casa. Agora, já a Amber de dezenove faz merdas, mas já não é tão fraca quanto antes. É como se minha vida fosse um café posto numa xícara, e eu precisasse adoçá-lo, só que daí eu coloco sal, porque eu só faço merda. E não pode fazer bem sentido.

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Oin, bem eu não tenho o que dizer nessa nota, foi mau shauhsuahau...

Ah eu tenho snap, viu?!:ColorsNoColors

-Tia Gio

Feelings |H.S.|Histórias para pegar e não largar. Descubra agora