Bruxas

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_ Vasculhem cada canto desse reino, tragam todas as mulheres. Donzelas ou não! _ gritava o general _ Revistem também as casas, qualquer mísero sinal de bruxaria será punido na fogueira!

Os soldados apenas ouviam, pareciam estátuas em posição de "sentido".

_ Agora vão! _ gritou o general, agora mais alto do que antes.

E os soldados foram todos em direção à praça central da cidade, e ali se dispersaram. Começaram a invadir as casas próximas. Mulheres saíam arrastadas de suas casas, mulheres desde os quatorze anos até as mais idosas. Eram todas levadas para o pátio central do castelo. Era o que acontecia todos os dias desde que começaram a caçar as bruxas, e era uma cena horrível. Viam-se mulheres deixando seus maridos, seus filhos recém nascidos...

_Olá, bruxas. _ disse o rei com um sorriso desgostoso já no pátio do castelo.

Soldados zombavam, riam e cuspiam nelas.

_ Descansem hoje, pois amanhã serão todas interrogadas. _ disse o rei dando um breve aceno e saindo da presença delas para o seu quarto.
_ Querido, por que faz isso com elas? _ perguntou a esposa do rei assim que ele entrou no quarto.
_ Porque elas representam ameaça para o meu reino. _ respondeu o rei olhando fixamente para a esposa. _ E não quero falar sobre isso, estou cansado.

Então o rei pegou a mulher pelos
cabelos e jogou-a na cama.

_ Você é asqueroso, Edgar. _ disse a mulher com repulsa.
_ Ora, cale a boca, vadia.
Então o rei despiu-se e logo tirou o vestido de linho da esposa. E montou nela como um animal.

...

Lá fora no pátio, o general conduzia as mulheres ao salão em que ficariam.

As condições eram precárias, teriam que dormir todas amontoadas no chão. Havia um grande balcão onde todos os soldados bebiam.

_ Venha cá, biscate! _ disse um soldado já bêbado puxando uma das mulheres pelo braço.

A mulher tinha as vestes tão rasgadas que mal lhe cobriam o corpo.

_ Por favor, não faça nada comigo, já chega! _ dizia a moça, que não aparentava mais de 20 anos.
_ Cale a boca e comece. _ disse o soldado abrindo o botão e forçando a cabeça da moça para baixo.
_ Isso é uma maravilha, temos o melhor trabalho do mundo! _ dizia um soldado do outro lado do salão ao seu companheiro.
_ Um brinde por isso. _ respondeu o outro levantando o copo.
_ Vamos lá amigo, escolha uma.
_ Por que escolher uma se posso ter todas? _ zombou o soldado.

Estavam todos bêbados, menos Julian, que não havia bebido nada e apenas estava quieto.

O general entrou no salão. Passou olhando e avaliando as moças. Mas uma chamou a atenção mais do que as outras. Virou-se para Julian que estava perto e disse:

_ Apronte-a para mim. Hoje quero um rosto bonito em minha cama.

Toda noite, o general escolhia alguém para passar a noite com ele, a moça querendo ou não.

E a jovem era mesmo bonita. Possuía os cabelos num castanho-avermelhado tão vivo, que combinava perfeitamente com sua pele clara e seus olhos cor-de-mel.

Julian teve pena da moça, mas fez o que o general lhe tinha ordenado, afinal, era obrigado a isso.

_ Eu realmente gostaria de fazer alguma coisa por você _ disse Julian para a jovem enquanto se afastavam.
_ O que o general fará comigo? _ perguntou a moça, um tanto quanto assustada e choramingando.
_ Lamento, mas o pior. _ respondeu Julian num tom baixo.
Depois disso, caminharam em silêncio pelos corredores do castelo até chegarem a um quarto.
_ Deve vestir as roupas que estão em cima da cama. As criadas já prepararam seu banho.
_ Vai ficar aqui comigo? _ perguntou a moça.
_ Não costumo fazer isso. Na verdade, eu espero à porta.
_ Por favor, eu estou com medo, fique aqui comigo. Só te peço que não me olhes enquanto banho-me.
_ Tudo bem, eu fico. _ disse Julian com pena da moça _ Só não entendo porque pedes isso a um estranho.
_ Você não é como os outros. _ respondeu a moça calmamente.

Agora, todo sinal de medo e/ou ansiedade havia desaparecido dela. Ela vira o caráter de Julian em seus olhos, e por algum motivo, confiou nele.

Fantasma de Uma RosaOnde histórias criam vida. Descubra agora