Capitulo 45

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Memórias. A vida é feita de memórias, boas ou ruins; na vida fazemos memórias e vivemos com essas lembranças, talvez lembranças ruins, talvez boas, mas vivemos com ela independentemente de qualquer ato.

Nesse momento eu estou adquirindo uma má lembrança, um tanto dolorosa.

Zayn deita o corpo do meu irmão no sofá deixando a sua cabeça confortável, meu corpo continua encostado na parede, estou machucada, totalmente feridas, com todas as minhas cicatrizes abertas, estou imponente, aniquilada, realmente.

"Ele vai ficar bem" Zayn proclama baixinho e eu enterro o meu rosto entre os meus joelhos, abraço fortemente as minhas pernas e sinto centenas de lágrimas deslizarem pelo o meu rosto, esse inferno nunca acabará.

"Arabella, eu vou ligar para a polícia" Zayn fica na minha frente e pega em meus braços com força, gemo de dor e ele puxa o meu corpo, ele me pega no colo com o máximo de cuidado e começa a andar comigo para a cozinha.

"Eu não aguento mais" eu fungo contra o seu pescoço e ele me deixa sentada em cima da pia, baixo o meu rosto com vergonha do meu estado deplorável.

"Isso vai acabar" Zayn pega rapidamente em seu celular, ele disca os números rapidamente e eu não o impeço, eu não quero mais conviver com esse monstro.

"Faça isso acabar" eu sussurro e ouço Zayn começar a falar, ele descreve a situação de alta violência e depois desliga o telefone. Ele rapidamente pega na sua arma no cós de sua calça e guarda em uma das gavetas de alimento.

"Por que você tem uma arma?" pergunto rapidamente, eu senti medo, mas também me senti segura com isso.

"Isso não vem ao caso" ele responde rudemente e então começa a mexer em todos os armários com força, limpo o meu nariz com as costas da mão e o olho.

"Zayn" eu fungo baixinho. Fico olhando para as minhas pernas magras, agora coberta de novas marcas de agressão, fico olhando os roxos, as marcas velhas de arranhões e estremeço novamente com o medo.

"Eu preciso cuidar de você" ele ruge bravamente.

"Zayn" eu volto a repetir o seu nome e ele bate a porta dos armários com força, deixo um grito de dor sair. "Pare!" eu grito, grito com todo o ar dos meus pulmões.

Eu começo a ouvir ruídos, ouço a sirene da polícia, fico imaginando sons de balas e passos pesados, começo a enlouquecer, coloco a mão sobre os meus ouvidos e começo a bater com os meus pés. Barulhos, barulhos, me ajude, eu estou enlouquecendo.

"Arabella!" braços fortes e aconchegantes me abraçam, me seguram, tento me debater mas a única coisa que eu consigo fazer é me render de vez, choro rapidamente, me engasgo com a própria saliva e fico relembrando, memorizando as cenas chocantes.

"Polícia! Fiquem parados" um grito rouco e auto invade a casa e eu aperto mais o meu corpo contra o de Zayn.

"Estamos na cozinha!" o moreno grita de volta e eu me encolho, barulhos, barulhos.

Ouço muitos passos dentro da minha casa, as botas pesadas batem contra o chão e cerca de sete homens entram dentro da cozinha com armas e escudos.

"Dois jovens aqui" Zayn larga brevemente o meu corpo quando um policial se aproxima.

"Preciso de um paramédico" o garoto que me salvou pede ao homem fardado.

"Quem é o agressor?" o homem pergunta olhando para mim, ele se aproxima e pega levemente em meu queixo machucado e eu me afasto.

"O homem na sala, deitado no chão" eu sussurro.

"Você o conhece?" o policial continua com o seu interrogatório.

arabella [zm]Onde histórias criam vida. Descubra agora