Maio de 2013.
Luke Hemmings havia largado a escola há aproximados dois anos, quando completara dezesseis. E sonhava com o dia em que iria embora da casa de seus pais. Quer dizer, se estivesse vivo até lá.
Estamos no último dia do mês de maio e, seguindo uma tradição que nosso renegado inventara, ele tentaria se matar. O garoto fazia inúmeras tentativas de, finalmente, encontrar a tão esperada morte, desde os seus doze anos. Afinal, porque haveria de querer continuar vivo? Seus irmãos lhe batiam desde que aprendera a andar, e seus pais não se importavam com ele, isso havia ficado claro há muitos anos. Logo que parara de precisar do leite materno para sobreviver, sua mãe havia deixado de cuidar dele. E seu pai, bem, ele nem mesmo lembrava se de meu nome. Luke tinha sérias dúvidas se era mesmo filho daquele que chamara de pai, talvez ele fosse um bastardo, filho de algum dos bêbados que flertavam com sua mãe no bar em que ela trabalhava. Ele não se surpreenderia.
Luke soltou um longo suspiro.
Essa era a sua última chance naquele ano. E ele teria sucesso, seu plano não falharia.
O garoto observava as estrelas, a noite estava linda, com a lua cheia brilhando no céu. Ele podia ver sua respiração ser condensada conforme a soltava. A noite estava tão fria quanto linda. Luke estava deitado no asfalto frio de uma das principais avenidas de Sydney a espera de que algum bêbado qualquer passasse com o carro por cima de si, dando fim a sua tortuosa vida e o ajudando a encontrar a tão almeijada paz.
Enquanto seu salvador não chegava, Luke começou a divagar sobre os longos dezoito anos em que estivera na terra.
Ainda sentia a dor dos hematomas e dos ossos quebrados de quando, por acaso, encontrava com o irmão Ben pela casa. O mais velho o detestava, e sempre deixara isso claro para Luke e para todos que o quissessem saber. Ben havia tranformado seu irmão em um saco de pancadas. Quando Luke ainda ia a escola Ben e seus amigos eram os responsáveis por fazê-lo passar vergonha e sentir o máximo de dor possível. O loiro passava seus dias sendo jogado em lixeira, trancado em armários e com a cabeça na privada. Eles foram a razão de Luke abandonar os estudos.
Jack, que sempre fora o preferido de sua mãe, havia ido embora de casa tão logo completara vinte e um anos. Havia ido morar com um colega da faculdade, um tal de Brandon.
Sua mãe trabalhava no Daryl's, um bar local onde tudo era permitido. O dono do local, Daryl, era um ex-caminhoneiro de meia idade com uma barriga enorme e que fedia a chulé. Liz nunca fora uma boa mãe para Luke, logo que pode deixou o garoto por conta própria e o jogou no sótão, onde colocou uma cama velha de molas, e o ensinou a chamar de quarto. O mais novo dos Hemmings fora um filho não planejado e não desejado, e nunca havia recebido nem um pouco do amor e do orgulho que a mãe tinha por seus outros dois filhos.
E seu pai, bem, vivia bêbado demais para se importar se o filho mais novo, o qual apelidara carinhosamente de bixinha, ainda respirava.
O última pessoa a passar por sua mente fora Ashton, o doce e bondoso Ashton, o único amigo que tivera em sua infância. Ashton era filho dos Irwin, vizinhos e os unicos amigos que os Hemmings ainda conservavam. Ashton era dono de um sorriso maravilhoso e de uma carisma impressionante. Luke sempre se surpreendera por perceber que o garoto nunca tivera ninguém além dele. Os Irwins são tão repugnantes quanto os Hemmings, e Ashton tivera o azar de ser filho único. Luke sentia falta de Ashton, era triste saber que o amigo tivera um final mais trágico que o seu. O irmão dissera-lhe que Ashton entrou no meio de uma briga de seus pais e, sem pensar, o Sr. irwin bateu na cabeça do garoto com uma garrafa de cerveja. Como não o levaram ao hospital, logo o garoto perdeu uma grande quantidade de sangue e morreu. Nem mesmo o enterraram. O loiro ainda não havia se recuperado da morte do único amigo.
Logo Luke ouviu o barulho de pneus se aproximando. Fechou os olhos e se permitiu sorrir uma última vez. Finalmente estaria livre, finalmente iria se livrar de sua família.
E quando pensou ter encontrado sua tão estimada paz, o carro parou com os pneus dianteiros a poucos centímetros do rosto de Luke.
O garoto bufou, teria que pensar em algum outro modo de morrer, e rápido. Não queria ter de esperar até o ano seguinte.
Então Luke ouviu o barulho da porta sendo aberta, e logo em seguida fechada. Alguém havia decido. E um barulho de passos se aproximando começa, e para ao lado de sua cabeça.
- Você tem o costume de ficar deitado no meio da rua? - O dono do carro era um garoto com aproximadamente a idade de Luke, cabelos pretos e todo vestido da mesmo cor.
- Você tem o costume interromper quando as pessoas estão tentando se matar?! - retruca, irritado.
-Então você estava tentando se matar? - o garoto arregala os olhos, surpreso.
- Não é óbvio?? - diz - Agora me faça o favor de voltar pro carro e passar por cima de mim.
O garoto observava Luke com um misto de curiosidade e pena.
- Michael Clifford. - diz, se apresentando.
- Eu não perguntei. - o loiro revira os olhos e se levanta, limpando a roupa.
- E então garoto suicida, quer uma carona?
- É o mínimo que você pode fazer.
E foi assim que Luke foi parar naquele carro - um impala preto, muito bem conservado - com um garoto praticamente desconhecido no meio da noite.
- Me diga, garoto suicida, porque quer morrer? - Michael pergunta.
- Porque quer saber? - pergunta indiferente, olhando pela janela.
- Pura curiosidade. - responde.
- Então, Michael Clifford, guarde sua curiosidade para si mesmo. - Luke diz, e percebe que ele e Michael estavam dando voltas no quarteirão. - Pra onde você ta me levando?
- Lugar nenhum, você não me deu seu endereço. - balança os ombros.
- Pode parar aqui, eu vou andando. - diz com a mão na maçaneta da porta.
- Não! - Michael diz e se debruça sobre o outro, o impedindo de sair. - Eu te deixo em casa.
- Como vou saber que você não é um assassino, ou um assaltante, ou um estrupador?
- Loirinho, o que você estava querendo deitado no meio de rua? - perguntou calmo.
- Morrer. - responde, revirando os olhos com o apelido.
- Então, - diz como se explicasse algo a uma criança - eu estaria te fazendo um favor se fosse alguma dessas coisas.
Depois de pensar um pouco e perceber que Michael tinha razão, ele passa seu endereço.
- Bom, é uma pena. - Michael diz em um momento, chamando a atenção de Luke, - Eu não sou nenhuma dessas coisas.
O resto do caminho foi silencioso, nenhum dos dois disse nada. Ao chegarem a casa dos Hemmings, Luke desce sem se despedir. Ele se afasta alguns passos antes de ouvir Michael Clifford chamá-lo.
- O que é? - Luke pergunta, se virando em direção ao carro.
- Foi um prazer não ter te matado, loirinho. - Michael diz com um sorriso no rosto antes de ir embora.
-x-
Ai, como eu amo essa fanfic sjkdks.
Começei hoje uma nova tradução, é de uma sentença e se chama Gas Station, vocês deveriam ler.
See you later,x.
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Hold On Till May
FanfictionTodos os anos, durante o mês de maio, Luke Hemmings tenta se matar, como uma tentativa de escapar da vida miserável que leva. Até que durante uma de suas tentativas, em 2013, conhece Michael Clifford, e o garoto está decidido a impedir Luke de ating...
