P.O.V. Igor
Vejo o dia amanhecer através da janela, não consegui fechar os olhos por mais de 10 minutos sem imaginar o que aconteceu entre Sean e eu, meus pensamentos tomam conta do meu corpo e confesso que sinto um misto de raiva e pena dele. Ele estava bêbado, nós estávamos, nós não tivemos culpa. Finalmente consigo por isso na minha cabeça e deito para dormir, pouco tempo depois acordo com as sirenes do corredor arrebentando a minha cabeça como uma bomba, Sean levanta e vai pro banheiro, um tempo depois ele sai já de uniforme e sai na frente, eu levanto da cama, tomo banho, me visto e saio pouco tempo depois.
Forçando meu corpo a andar, encontro Sean e os gêmeos no refeitório, sento ao lado de Jackson e Sean me olha estranho.
- Bom dia, seres iguais que eu tenho que aguentar - eu digo - e, oh... Bom dia, Witthemore.
- Bom dia, amigo psicopata e visivelmente irritado com o colega de quarto - os gêmeos dizem, Sean apenas balança a cabeça.
Comemos em silêncio, exceto pelos gêmeos falando por todos na mesa, eu realmente não sei se Sean se lembra de algo, ou se ele está fingindo não ter acontecido nada e isso está me consumindo por dentro.
Saímos do refeitório e vamos para a sala de aula, acompanhamos algumas matérias e somos liberados um pouco mais cedo, hoje é o dia do teste para o time de Lacrosse. Chegamos no vestiário e pegamos os uniformes, visto e vou ao campo, ficamos todos sentados num banco, eu, Jackson e Yan, perco Sean de vista em meio aos outros rapazes.
Um a um o treinador vai chamando todos, em duplas, para as respectivas posições: Midfield, Defesa (com um gêmeo em cada lado) e por último me chama junto com outro garoto para ser attackman, um em cada lado. Começamos a jogar e o time rival marca um ponto, estou sem foco nenhum para tentar alguma coisa. O treinador já estressado me grita.
- PAYNE! QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO? - Eu tento me concentrar, ele entra no campo e fica do meu lado. - ouça, quero que junte toda a raiva que você tem dentro de si e parta pra cima do attackman com o que você tem. Não pense em nada, apenas respire e corra o mais rápido que puder. Seja um rinoceronte!
Eu paro, respiro e me concentro em tudo que tenho passado nos últimos tempos, sinto meu rosto esquentar e o meu coração acelerar, o treinador apita e eu corro o mais rápido que posso, o attackman vem em minha direção, antes dele desviar de mim eu sinto nossos corpos se chocarem, o barulho é tão alto que faz o time inteiro parar, nossos capacetes se chocam e o do garoto sai, nós dois caímos no chão. Eu um pouco tonto e ele desacordado, o treinador fala algo, mas eu não consigo ouvir, minha cabeça dói demais. Eu tiro o capacete e corro para fora do campo de Lacrosse.
Volto pelo corredor andando, minha respiração está forte, tento me acalmar olhando para os cartazes e convites sobre clubes de poesia, leitura, teatro e outros até me sentir tonto o suficiente para cair, mas sinto alguém me segurar.
- Não vai estragar esse rostinho - Cami diz com uma voz doce e calma - venha, vou levar você pro seu quarto se me disser onde fica.
- Dormitório 4, quarto 8 - eu respondo - mas Cami... mulheres não podem entrar lá.
- Foda-se - ela diz - não ligo pra nenhuma regra aqui.
- Você é legal - eu digo enquanto andamos
- Só quero te dar alguns beijos, garoto - ela ri
Chegamos no meu quarto, eu deito na minha cama e Cami vai direto à prateleira de livros, mas ela também examina cada poster dos Beathes e David Bowie na parede azul escuro do quarto.
- Você tem um estilo bem estranho - ela diz rindo - gostei.
- E você é a menina mais direta que já conheci - respondo - obrigado pela ajuda.
- É... o que seriam dos homens sem uma mulher pra ajeitar toda a bagunça?
Cami senta ao meu lado na cama e eu a observo, sua pele negra e seus cabelos crespos me fazem pensar no quanto ela é linda, sua maquiagem expressa nitidamente o que ela é: uma jovem e poderosa mulher, do tipo que você se encanta na primeira conversa, comigo, na primeira nota desafinada de Shake It Out, que ela cantou no D2 na minha primeira visita. Ela sorri e eu me vejo obrigado a sorrir de volta, meus olhos se fecham e nossos rostos se encontram, meus lábios se chocam com os lábios cobertos de batom vermelho que Cami tem, nossas línguas iniciam uma luta bem intensa, minha mão está em sua nuca, a mão dela em meu rosto.
A porta do quarto abre fazendo um pequeno barulho, os gêmeos caem no chão interrompendo nosso momento.
- Qual é! - Cami grita - só podia ser os dois idiotas. - eu dou um riso abafado.
- Desculpem, pombinhos - Jackson diz - só queríamos ver o Igor
- Te vejo depois, bonitinho - ela beija minha bochecha e sai do quarto, eu desabo deitado na cama novamente.
Fico ouvindo Jackson e Yan falarem da Cami o resto da tarde até o início da noite. O tempo muda e começa a chover forte, Sean ainda não apareceu, os meninos e eu começamos a ficar preocupados. Tomo um banho, visto uma roupa comum e saímos para o corredor, os meninos vão para um lado e eu sigo para outro, pergunto aos outros colegas de dormitório se viram Sean e eles respondem que não. Um dos lados do corredor possui apenas janelas de vidro, os relâmpagos começam a iluminar todo o lado de fora, vejo uma sombra vindo em direção a porta. Sean entra e passa por mim direto.
- Sean? Onde esteve? - eu digo e ele não responde - SEAN!
- O que? - ele responde - só estava lá fora tentando lembrar o que fiz pra você me tratar dessa forma! - ele vai pro quarto e entra, eu o sigo.
- E a culpa é minha? - eu digo
- Não, não é sua. Só queria lembrar o que fiz de tão ruim pra merecer que você me trate assim! Não é a primeira vez que isso acontece, estou com medo de mim mesmo.
- Você só... bebeu demais - eu digo - só isso. Você me deu trabalho, sabe o que aconteceria se fôssemos pegos fora do dormitório no meio da madrugada?
- Me desculpe - ele diz - não vou fazer isso novamente
- Ótimo, Sean - eu respondo - não quero bancar a babá de ninguém.
Não nos falamos mais depois disso, eu apenas pego os meus cadernos e resolvo algumas atividades pendentes, Sean coloca os fones de ouvido com música tão alta que posso ouvir do outro lado do quarto. Os trovões começam a fazer um barulho além do normal e as luzes se apagam, eu desisto de estudar e me deito depois de um tempo tomo a minha decisão sobre me afastar de Sean.
Decido que irei na diretoria o mais rápido possível para pedir que troquem o meu quarto.
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Never Be Alone
FanfictionApós perder seus pais em um acidente de carro, o jovem Igor Payne vai morar com seu Tio Jordan Payne, que ainda não aceitou o falecimento de sua Irmã, por isso manda Igor a um internato na cidade vizinha. No primeiro dia Igor encontra Sean Witthemor...
