Capítulo 64 - Nightmare house

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Narrador POV

Lauren e seu irmão se soltaram, ambos com lágrimas nos olhos. Ela não sabia exatamente qual era o momento apropriado para começarem a falar do que aconteceu com Taylor, assim como ele não sabia se deveria começar a falar agora. O clima estava extremamente estranho e pesado, ainda que o céu estivesse limpo de nuvens e o sol, não muito forte, aparecia no horizonte e começava a iluminar San Miguel.

Camila estava assustada, agarrada no braço de Lauren e tentando não ter um ataque. Elas haviam descido do ônibus, agora estavam oficialmente em San Miguel e a menina não conseguia nem pensar no momento em que Clara estivesse no mesmo ambiente que ela. Tentou se concentrar em outra coisa, mas ela não era retardada – pelo menos não tão retardada – e viu o olhar que Chris deu a ela, como se estivesse se perguntando a quantidade de desastres que ela não iria causar em um espaço recorde de tempo.

E era exatamente por esse tipo de coisa que ela não podia e não iria estragar nada.

- A viagem foi tranquila? – Ele perguntou com as mãos nos bolsos, enquanto os três caminhavam em direção a saída da rodoviária.

- Foi sim, tudo certo. – Lauren respondeu com pouca ou nenhuma emoção na voz, como se ela estivesse no automático. A menina observou que olheiras, ainda claras, estavam se formando embaixo dos seus olhos e teve toda a certeza que Lauren não dormiu nada durante a noite.

Ficaram, então, parados na calçada, esperando um táxi. Camila sentiu o sol sobre seu rosto e apertou os olhos, desejando que estivesse no mínimo nublado ou chovendo, mas a porcaria do dia estava lindo como se eles estivessem indo a praia ou fazer qualquer coisa que não fosse ver a irmã de Lauren em coma no hospital, muito provavelmente sem muitas chances de melhora.

Quando entraram no veículo depois de Chris fazer sinal, Lauren perguntou a Camila se ela estava bem e a menina se sentiu mal por ter que fazer Lauren também se preocupar com ela, além de toda a droga que já estava lhe acontecendo.

- Não precisa se preocupar, Lo. – Camila disse vagamente, sabendo que ela iria continuar se preocupando e fazendo Camila se sentir uma bosta, se arrependendo da decisão de ter vindo.

Ou talvez de ter nascido.

Da duas uma, Camila sentia como se sempre tivesse que recriminar o fato de ela existir a cada segundo que eu ela continuava respirando.

- Como... como aconteceu? – Lauren finalmente perguntou, quando o táxi parou em um sinal. Chris passou a mão no rosto e nos cabelos, e só então Camila reparou no quanto ele estava diferente da última vez que o viu.

Ele também tinha olheiras, bem maiores que as de Lauren, sua barba estava por fazer devia ter uns dois dias, parecia mais magro e abatido, como se pulasse as refeições e estivesse substituindo elas por café. Camila soltou um suspiro triste, vendo mesmo o quão grave era a maldita situação e desejou apenas enfiar Lauren em algum lugar onde nada daquilo pudesse afetá-la. Como aparentemente ela não podia, apenas observou a expressão dela ficar mais perdida enquanto seu irmão falava.

- Taylor estava na casa de uns amigos e tinha dito que ia voltar umas 23h, porém, quando du 23h10min e ela ainda não havia chego, nossa mãe, que não é nem um pouco geniosa, ligou para ela enfurecida e perguntando porque ela não estava em casa e Taylor pediu para dormir por lá mesmo. Mamãe ficou furiosa e começou a gritar para ela pegar um táxi e ir para casa bem naquela hora. – Chris passou as mãos no rosto novamente e esfregou os olhos. – Então passou mais ou menos uns vinte minutos e ela ainda não havia chego, minha mãe começou a ligar para o celular dela porque o garoto mora relativamente perto e não precisaria essa demora toda. Mas o telefone só dava desligado e então o telefone fixo tocou... era do Hospital Geral de San Miguel, informando que houve um acidente e que Taylor estava sendo internada naquele momento com ferimentos graves. Ainda não sabemos exatamente como aconteceu, só o que a perícia disse até agora é que o táxi perdeu o controle ou deu problema nos freios e foi de encontro ao poste. O motorista morreu na hora. Taylor teve ferimentos graves e um traumatismo craniano, o que o médico disse que causou o coma. – Ele suspirou, como se estivesse cansado de contar essa história. Lauren ficou alguns segundos em silêncio, como se estivesse digerindo o que acabou de ouvir ou apenas desejando ser outra pessoa. – Há possibilidade dela ter sequelas quando acordar. – Disse e coçou a nuca. – Se acordar.

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