Capítulo 12

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Me levanto na hora e Kate se levanta comigo.

-Vá para casa. -digo, e, pela primeira vez no dia, ela não insiste em ficar. O cansaço dela também é notável, e não quero que ela fique mais um minuto neste lugar.

-Você vai ficar bem?

-Vou... E você também. -digo, e tento sorrir.

Ela tenta sorrir em resposta, e me abraça.
-Até amanhã, docinho.

-Até... -digo baixinho, e nós duas andamos em direções opostas.

-Você é Jennifer? -a enfermeira pergunta, e eu faço um gesto em concordância. -Venha comigo.

Eu a sigo por dois longos corredores, quando chegamos em uma pequena sala de espera, praticamente vazia. Logo vejo minha mãe, que se levanta prontamente, vindo ao meu encontro. Sua aparência não está melhor que a minha.

-Minha filha, achei que já tivesse ido pra casa. Tentei te ligar, e te mandei algumas mensagens, mas você não retornou.

-Meu celular desligou. -digo e ela concorda com a cabeça, arrumando meus cabelos. -Mãe, onde está meu pai?

-Ele está descansando, querida. Amanhã você poderá vê-lo.

-Mas... o-o que ele tem? Por que ele veio pra cá? Eu não tenho a mínima ideia, mãe. Ninguém quis me informar, eu já não sabia mais o que pensar...

-Fique calma, meu anjo. O que tiver pra ser, será. Lembre-se disso.

-Tá doida mulher? O que você quer dizer com isso, mãe?

-Seu pai estava no trabalho, e me ligaram dizendo que ele estava aqui passando mal. Quando cheguei, ele estava com falta de ar, tossindo muito e com dores na região torácica.

-E isso significa...? -digo, tentando entender a situação.

-Significa que seu pai pode estar com câncer pulmonar, querida. O médico não soube dizer em qual fase está, mas deu quase certeza que já passou da fase inicial... Os tratamentos podem não funcionar, dependendo do estágio da doença... -diante dos meus olhos cheios de lágrimas, e da minha expressão de desespero, minha mãe segura meu rosto com as duas mãos e diz. -A única coisa que devemos fazer neste momento é manter a calma. -Mesmo depois disso, seus próprios olhos se enchem de lágrimas.

-Mas... e se...

-Não pense em nada, minha filha. Você não deve pensar em "se's". O que tiver de ser, será. E será o melhor pra nós, acredite nisso.

-Ah, claro. Vai me dizer que o melhor pra nós será a morte do meu pai? A terceira morte nessa família? Isso é o melhor?

-Jennifer, não diga isso! -Minha mãe tenta dizer em meio às lágrimas.

-Eu só... eu não quero perdê-lo. Eu... eu não posso. Nós não podemos mãe, não podemos. -As lágrimas não param de cair, e respirar está se tornando uma tarefa difícil, por conta do imenso nó que existe em minha garganta.

-Shhh... -Minha mãe me puxa pra um abraço. Ficamos ali, por um tempo. Pela primeira vez, eu não pensava em nada. Na realidade, não restava mais nada pra se pensar naquele momento.

[...]

-Mãe, eu não posso te deixar aqui. Não posso ir pra casa.

-Sim, você pode. Será o melhor a se fazer.

-Eu não vou pra escola de qualquer jeito, me deixe ficar aqui, caso ele acorde...

-Não, Jennifer. Você deve voltar para casa e descansar. Amanhã eu irei precisar de você descansada. Está me entendendo?

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⏰ Última atualização: Feb 20, 2016 ⏰

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