A REVELAÇÃO

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O MEU CORAÇÃO ESTÁ ACELERADO;
OS PAVORES DA MORTE ME ASSALTAM. TERROR E TREMOR ME DOMINAM;
O MEDO TOMOU CONTA DE MIM.
Salmos 55:4-5

Meu pai chegou lá em poucas horas, mas logo percebeu que não era exagero. Eles tinham que fazer algo, procurar alguma solução para aquilo.
No mesmo dia, ambos decidiram chamar alguns pastores da igreja em que congregavam, os quais chegaram ao anoitecer já preparados físico e psicólogicamente para qualquer situação.

-Julio, o que houve?- Pergunta um dos pastores ao chegar em nossa casa.

Meu pai um pouco desconfortável com a situação lhe responde de imediato.

-A Elane me ligou hoje de tarde, afirmando que havia algo dentro de casa, e que ela e as crianças estavam trancadas num dos quartos. Eu vim ás pressas e...

Minha mãe que estava ao seu lado o interrompeu.

-Pastor Lisanel, não é só isso...- Com um tom de desespero reforça as suas justificativas- Os móveis da minha casa também! As vezes eu os encontro abertos ou fora do lugar, ou então eles se movem na minha frente, vivo escutando batidas nas janelas, fora que meus filhos também mudaram o jeito de se comportar...

O pastor fazendo cara de quem já sabe o que é ou o que fazer, chama os outros 3 para dentro da casa.

-Marcos, Jorge e Henrique me acompanhem.- Lizanel, o pastor mais velho os ordenou.

Meus pais se olharam e quase que no mesmo instante perguntaram.

-Mas e nós?

-Vocês vão entrar conosco, lá dentro nós diremos a vocês o que fazerem.- Respondeu o pastor Jorge.

Já dentro de casa os pastores se reúniram fazendo um círculo ao redor dos meus pais que já estavam posicionados em seu meio.
Dada as ordens meus pais se manteram dentro do círculo.
Com tudo já preparado para o ínicio das orações, eles enfim começaram.
No mesmo instante em que os pastores abriram a boca para ler os salmos 91, orações entre outras coisas, a casa estremeceu como se estivesse no meio de um terremoto. Cadeiras e mesa foram jogadas e arrastadas para todos os lados, armários e geladeiras abriam suas portas e fechavam numa velocidade anormal. Pratos e panelas eram atirados para fora de seus lugares, tudo ao redor virou um caos, foi idêntico a um filme de terror.
Ao longo do tempo criaturas não humanas foram se revelando em várias partes da casa, entidades corriam de um lado para o outro mostrando sua velocidade e força. Quanto mais o tempo passava pior era o medo e mais longas as orações, os pastores molhados de suor não deram o braço a torcer, mesmo que ao redor deles houvessem 3 cães pretos babando e rosnando correndo ao seu lado.

Anteriormente, minha mãe havia sonhado durante uma semana com esses mesmos cães tentando nos atacar, e por incrível que pareça, "eles" decidiram mostrar que não estavam apenas em seus sonhos. Eram cães surreais e completamente sobrenaturais.

No momento em que foi possível ver as criaturas por todos, minha mãe lembrou de seus sonhos. Era algo surpreendetemente incrível eles se revelarem na vida real e da mesma maneira que no sonho.
As entidades eram muito fortes mas não ousaram tocar em nenhum deles. No fim o que elas queriam mesmo era algo simples.

Passadas umas 4 horas, já era perto das 22:00 horas da noite, tudo foi de um conto de terror para um falso final feliz, como nos filmes sobrenaturais.

As entidades demôniacas foram de uma velocidade inimaginável para o quartinho usado como escritório do meu pai nos fundos do quintal.
Só uma coisa, um vulto, desviou o caminho para um dos quartos.
O quarto das crianças.

-Onde estão as crianças? -pergunta o Pastor Marcos, não muito diferente dos outros, completamente exausto e molhado de suor.

-No quarto deles. - responde o meu pai, além de assustado também exausto.

-Vocês precisam tirar os bebês de lá! Agora!- Gritou quase que em sintônia dois dos pastores enquanto dois se entreolhavam com os olhos esbugalhados.

-Eu os tiro! - falou minha mãe, no momento mais preocupada que nunca.

-Não! Vocês não podem! Alguma coisa correu para lá nesse exato momento. Vocês não estão preparados para isso ainda, deixe-me tira-los de lá com um dos pastores.

Meus pais cncordaram quase descordando com o coração nas mãos.

Juntos os pastores Marcos e Jorge com passos cautelosos foram em direção ao nosso quarto. Ao entrarem, avistaram no canto da parede junto a um dos berços uma caveira, mas não uma simples caveira, esse tipo de entidade é uma das mais poderosas e mais invocadas em rituais satânicos.
Logo que encontraram mais coragem para nos retirar de lá, um pastor seguiu em direção a um berço e o outro seguiu na direção de outro.
O que chegou mais perto da caveira não a encarou, simplesmente pegou o bêbe, não sei dizer se era eu ou meu irmão. O colocando no colo, saiu rápidamente dali com a companhia do outro pastor que também estava com um dos bebês no braço.
Ao chegarem na sala nos entregaram á nossos pais. Em seguida a caveira correu para o que os levou a crer ser o ninho sobrenatural da casa.
Os pastores com um sentimento de quase tarefa cumprida, enxugaram seus rostos e continuaram dizendo- Eu sinto muito, mas vocês terão que sair daqui.

-O quê? Porque?-fala minha mãe sem compreender.

-Por que essas coisas não entraram por terem visto uma brecha, pelo contrário, a casa foi consagrada a elas.

-Como assim? Por quem?- perguntaram.

-Isso não sabemos dizer, mas vocês tem que sair daqui, isso tudo, a casa inteira é delas. Esses demônios só não os tocaram por vocês temerem a Deus, mas se ficarem por teimosia, acho que essa segurança não durará por muito tempo. O prazo de vocês é só até o final dessa semana.

Meu Passado Ainda ViveOnde histórias criam vida. Descubra agora