NOVA SITUAÇÃO

46 4 7
                                    

Ao levantar da cama percebi que minha mãe já havia levantado e estava na cozinha. Mal me lembrava do que havia acontecido, mas quando retomei a memória percebi que havia tido um pesadelo. Achei graça o jeito como me desesperei, pensei até que tudo aquilo era um grande mico.

-Meu Deus!- Dei risos abafados- porque chorei tanto se era apenas um sonho?- Continuei com um sorriso bobo no rosto e olhei para minha mãe que estava em frente a pia.

-Eu fui muito boba de ter chorado hoje de manhã não é mãe?

-Você teve um pesadelo julia, não foi bobo ter chorado.

Parei para pensar por alguns segundos, mas continuei me achando uma boba. Após ter me alimentado, meu irmão levantou da cama e fez o mesmo. Em seguida fomos brincar com nossos vizinhos da casa abaixo.

Por um breve momento, coisas estranhas começaram a acontecer comigo.

"Estranho... por que estou ouvindo esses barulhos? Por que esta sensação de insegurança?" - Pensei enquanto descia as escadas.
Fui interrompida logo em seguida.

-Julinha, vamos brincar de escolinha hoje!? -gritou Lidia ao me ver. Ela era mais velha que eu um ano.

-Vamos brincar de carrinho, Julinho?.- Aproveitou Matheus, irmão de Lidia, o qual tinha a mesma idade dele, para chamar também meu irmão para o quarto deles.

O ar-condicionado deles não parava de fazer um "ziin" insuportavel, e minha cabeça, meus ouvidos... ah era horrível, eu mal conseguia pensar, a sensação ruim só aumentava.

Tentando lutar contra essa angústia, alguma coisa falou ao meu ouvido, eram mais como pensamentos enviados para o meu cérebro, em seguida meu ouvido reagia como se estivesse escutando algo. Me levantei e decidi ir para casa. Subindo os degraus da escada tudo só aumentava, até que imagens começaram a aparecer na minha cabeça, a ponto de começarem a sair para fora dela.

Passando direto pela minha mãe entrei em meu quarto. Sentei-me em minha cama, fazendo o meu corpo deitar-se deslizante sobre a mesma. Em seguida, pus minhas mãos em ambos ouvidos, tentando fazer parar com o barulho e os pensamentos e imagens ruins. Nada adiantou, parei então de tentar fazer parar e fui até a cozinha ignorando toda a agônia profunda e intensamente perturbardora.

Bebi um copo d'água mesmo sem sede, e em seguida fui até a sala fingindo não ter nada de mais acontecendo comigo. Sentei-me no sofá e liguei a televisão num volume um pouco auto, para que o barulho que a tv fizesse fosse maior que o que eu estava escutando.
Finalmente alguma coisa funcionou, todo sentimento ruim não me atormentava mais, agora eu já estava livre novamente e poderia voltar a brincar.
No fim da tarde voltei para casa sem nenhuma queixa a dar, tudo esteve tranquilo enquanto brincávamos.

A hora de dormir chegou novamente e algo me dizia que áquela noite não saíria como o esperado.

Desperdir-me de meus pais e fui deitar acompanhada pelo meu irmão, afinal dormiamos no mesmo quarto. Minha mãe deixava as luzes apagadas todas as noites, mas mantinha a minha porta aberta e a luz do banheiro acesa a pedido meu. Orei, e fiquei pensando até que o sono chegasse, mas nada dele vir. Então, em meio aos meus pensamentos lembrei-me que um dia em que minha tia dormiu comigo, relatei que estava sem sono e então ela me ensinou que se eu contasse cem carneirinhos o sono chegaria.
Imediatamente coloquei seu conselho em ação.

-Um carneirinho,dois carneirinhos, três carneirinhos, quatro carneirinhos...- Enfim né, passei dos cento e dez e nada do sono, então parei para pensar se aquilo realmente funcionaria. Enquanto pensava na hipotese negativa do conselho, novamente a sensação horrível de insegurança, e as imagens em forma de quebra-cabeça maligno se formaram nas paredes, para qualquer lugar que eu olhasse essas imagens apareciam. Em seguida as vozes que se transformavam em pensamentos me atacaram, um pesadelo real se formavana na minha frente e tudo o que eu conseguia era tampar os ouvidos e fechar os olhos, mas logo percebi que só piorava. Ao fechar os olhos, caveiras e um grande ambiente maligno tomavam conta da minha visão.
"ora! Eu preferia encarar as paredes malignas que ter que ver aquelas imagens, que mais pareciam o inferno, outra vez."
Abri os olhos e evitei fecha-los novamente. Enfim parei de tentar fazer parar de novo e começei a prestar atenção no que as vozes me diziam e as imagens me mostravam.

-Vamos separar seus paais- tudo era dito num tom de deboche- vamos separar elees!! - Eram palavras calmamente ditas mas rápidamente assimiladas por mim. Um vácuo se formava em meus ouvidos fazendo parecer que ambos estavam entupidos, e ao mesmo tempo as imagens confusas se embaralhavam na parede e nitidamente pude ver come se fosse um vídeo.

- Sai daqui, eu não quero mais saber de você!- minha mãe dizia para meu pai.
Ambos estavam em nosso carro cor vinho. Meu pai tentava se desculpar e fazer as pazes.

-Espera aí, não saia do carro.- Sua voz soava como um pedido de paz- Deixe as crianças.

Ela agarrou nossas mãos e nos tirou do carro. Meu pai continuou sentado mas com um semblante triste.

Tudo parou quando tomei coragem e corri para  acender a luz.
Lembrei-me que eu podia repreender no nome de Jesus e foi o que fiz ja deitada.

Amanheceu e não comentei nada com ninguém... Até que aconteceu de novo.

Meu Passado Ainda ViveOnde histórias criam vida. Descubra agora