Stefani chegou à escola arrastando seu tubo de oxigênio pelas rodinhas e encontrou a sua
única amiga Nicole:
- Oi, Stefani, que cara estranha é essa?
- Sei lá. Acho que tive um pesadelo.
Nicole soltou risadas:
- Pesadelos?! Que monstros foram te sugar à noite? - seu tom de voz tinha um cáustico.
Stefani lançou uma risadinha tímida e não respondeu, pois estavam entrando na sala de
aula. De longe, observou seu vizinho exótico que usava uns óculos cujas lentes pareciam um
fundo de garrafa. Era um pouco mais alto que ela, mais ou menos 1,75 m de altura, com
cabelos muito pretos e lisos, compridos até a altura dos ombros, e seus olhos pareciam duas
vezes o tamanho de uma azeitona por causa daqueles óculos. Stefani não o discriminava pela
sua aparência estranha, pois ela mesma sofria preconceito por carregar um tubo de oxigênio, e
suas amizades se reduziam a uma única amiga. Ela nunca se achou atraente com seus 1,68 m
de altura, olhos esverdeados e cabelos castanhos escuros semi-longos quase sempre
bagunçados, pois não era nada vaidosa.
Usava sempre aquela camiseta da escola, embora não fosse obrigatória, e sua calça jeans
com seu tênis favorito estilo all star preto. Achava que carregar aquele tubo de oxigênio
apagaria qualquer informação de vaidade que ela quisesse transmitir. Mas nunca deixou que
qualquer brincadeira mal-intencionada de seus colegas a afetassem, e por isso, ao mesmo
tempo em que achava David estranho, sentia uma necessidade inusitada de protegê-lo dos
predadores da escola. Bateu a sineta para a hora do intervalo. Nicole nunca gostou da
merenda que a escola servia: todo o dia levava seu cupcake com uma caixinha de suco natural:
- Eca! - disse Stefani ao fixar o olhar no cupcake de Nicole.
- O que foi agora?
- Que cobertura é essa do seu cupcake?
- Receita minha, inventei tomates com azeitonas picadas!
- Ai, meu Zeus! Acho que vou vomitar!
- Você ainda invejará a grande empresária que serei com cafeterias especializadas em
cupcake!
- Anham - sua expressão era de incredulidade.
Duas mesas à frente, Stefani enxergou David com sua bandeja procurando um lugar
desocupado para sentar-se, e sua expressão era como se perdido estivesse no meio daquele
enorme refeitório.
- Ei, ei! - acenava Stefani com a mão. - Sente aqui conosco!
- Pirou?! - falou Nicole. - Por que está chamando o garoto?
- Percebe como ele está todo perdido e confuso?
- Tudo bem. Mas como vou explicar para Daniel que virei amiga de um esquisito sentado
aqui entre nós? Vai achar que escondo alguma esquisitice minha também!
Stefani não ligou para o comentário e continuou acenando para David, que se aproximava
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STEFANI- E a casa dos jardineiros
General FictionLANÇAMENTO DO LIVRO FÍSICO PELA EDITORA HOPE Stefani é uma adolescente de 15 anos portadora de DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) e tem o auxílio de um tubo portátil de oxigênio para respirar. Filha de uma escritora de contos infantis e de um...