Capítulo inspirado na música Sippy Cup
Betty sorriu. Eles não.
A família Sweet teve de virar estátua por um momento, havia de esperar alguns segundos antes da foto ser finalizada... segundos eternos.
Na parede ao lado, um relógio em formato de gato preto virava os olhos para a direita e para a esquerda continuamente num barulho de cloc-cloc. Cry Baby batia seu pé no carpete três vezes mais rápido que o pêndulo, se duvidasse, aquela foto iria sair como um GIF (não que ela soubesse o que era um).
- Muito bem pessoal, - anunciou a fotógrafa - podem se dispersar.
Mamãe soltou um grande suspiro, ela prendia a respiração para encolher um pouco a barriga mesmo estando com tudo em cima. Papai continuava monótono, posição ereta, cara séria, olhos cansados. Ela olhava para ele com desprezo, Cry Baby só não sabia muito bem o porquê.
- Queremos ver como ficou, senhorita. - avisou Miles.
- Claro, meu anjo. Deixe-me só... - falou enquanto mexia em alguns botões - Prontinho!
Ela não fazia questão de ver a fotografia, só queria escapar de toda aquela cena o mais rápido possível, isso sufocava-a.
- É... - disse sua mãe com desânimo - Até que ficou bem mediana, esperava mais de você, Betty. Mas tudo bem, enfie isso numa moldura e está tudo certo.
- Uh... Desculpe, Sra.Sweet, se você quiser eu posso tent...
- Não. - interrompeu ela - Um fotógrafo profissional apresenta um bom trabalho de primeira. - debochando Betty, enviou em seguida um olhar de desprezo ao seu marido - Não imaginava que fosse falhar logo dessa vez, Ed, para uma foto de família, um momento tão especial pra mim você contrata qualquer amador!
- Senhora, - intromete-se a fotógrafa - eu sou formada e tenho um...
- Não me interessa o que você tem! Você não trabalha bem! Por que a senhorita não desfila num daqueles eventos praianos já que tem a pele toda queimada mesmo?
- Você não ouse se referir a cor da minha...
- Cale a boca se quiser receber dinheiro por essa porcaria! Ed, entregue o pagamento à ela.
- Claro, amor. - falou entre dentes - Vamos no meu quarto e resolvemos isso.
Betty assentiu e os dois foram em passos rápidos ao quarto dos Sweet. A cara dura de Vyle continou, suas rugas permaneciam firmes ao redor dos olhos, olhos estes que pareciam ter morrido.
- O que houve, mãe? - perguntou sua filha.
- O-oi? - respondeu como se estivesse viajando em outros pensamentos. Seria este o motivo de parecer desaparecer? - Não houve nada. Agora vocês dois vão direto para seus quartos, quando eu terminar o almoço chamo-os para descer.
Cry Baby assentiu com muita dificuldade, a mãe dela não era a melhor mulher do mundo, mas ela sabia que ficar triste e guardar rancor era horrivel. Por mais que Vyle fosse grosseira, a mulher continuava sendo parte de sua família.
Vendo mamãe se concentrar no forno e Miles caminhar para o quarto em baixo da escada, Sweet decidiu fazer o mesmo: se dispersar. Segurando o corrimão, Cry Baby subiu os degraus o mais devagar possível, olhava para trás esperando algum chamado de socorro, mas nada acontecia.
Era tão estranho o quanto isso acontecia frequentemente, cada um em um canto da casa, todos separados como se houvesse uma barreira invisível que não permitia-os se encontrar. Por que eles tentavam fazer parecer que era tudo normal quando não era?
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Cry Baby - Através das Cortinas
Fanfiction"[...]Todos pensam que somos perfeitos Por favor, não deixe que olhem através das cortinas." Cry Baby vive a vida mergulhada em lágrimas. Às vezes parece substituir seu cérebro pelo coração. Como toda garota, é delicada, contudo deixa seus sentiment...