Capítulo 7

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A partir dali, as coisas poderiam ter sido bem diferentes. Ela poderia ter voltado para seu quarto e tentado dormir. Ele, se servido de mais algumas doses de uísque e passado o resto da noite sozinho.

Mas os dois preferiram ficar juntos.

E foi assim que descobriram mais coisas um do outro. Como o fato de Stela ter terminado a faculdade com apenas dezenove anos e logo em seguida ter conquistado uma bolsa de mestrado. E ela estava nervosa porque voltaria ao Brasil naquele mês e não fazia ideia de como seria sua vida dali em diante. Quando Brian perguntou se ela era algum tipo de prodígio, Stela ficou vermelha e disse que não era nada demais — só gostava de Matemática, e pronto.

Brian nem soube o porquê, mas contou que tinha medo de aviões. Assim, do nada. E, em vez de rir, como os colegas faziam durante as turbulências, Stela tentou tranquilizá-lo com argumentos de aerodinâmica.

Ele nunca tinha conversado tanto assim com uma garota. Ficou assombrado com a quantidade de coisas que ela sabia. E, mais ainda, com a quantidade de coisas sobre si mesmo que se sentiu à vontade para revelar a alguém que conhecera há menos de um dia.

As horas passaram, obviamente. E Stela desejou, tanto quanto Brian, que aquele filete dourado que escapava por um vão miserável da cortina não fosse o sol.

Foi ela quem conferiu o celular.

— Nossa. São quase sete horas.

— Sério? — Brian lamentou. Stela se sentiu especial. — Puxa, você fez o tempo parar.

— Eu tenho que tentar dormir um pouco.

— É... eu tenho que pegar um avião daqui a duas horas.

O silêncio que se instalou no quarto, de repente, foi constrangedor.

— Então... acho que isso é um adeus. — Stela não soube onde arrumou forças para dizer.

— Pois é. Parece que sim.

A garota se levantou e procurou pelos sapatos. Vestiu o moletom amarrotado sem nenhuma empolgação. Mas, de súbito, se alegrou: ainda tinha o cheiro dele no tecido.

— Vou só lavar meu rosto antes de ir. — Stela falou.

— Tudo bem.

Quando voltou para o quarto, Brian já tinha se vestido e terminava de amarrar os cadarços. Os cabelos castanhos ainda estavam desarrumados, mas parecia ser a sua intenção deixá-los daquele jeito. Ao notar a presença dela, virou o rosto na direção de Stela, com um sorriso triste nos lábios. Ela devolveu o gesto e disse, antes de sair:

— Ah, e Brian, eu sei que isso vai soar clichê. Mas...só queria dizer que essa noite foi muito especial para mim. Você não é esse cretino que pensa ser. Na verdade, você é um cara muito legal.

Ele deixou escapar um meio sorriso.

— Não pareceu clichê. Essa noite foi especial para mim também. Se cuida.

Stela quis acreditar na veracidade daquelas palavras, mas achava que seria um pouco ingênuo pensar que ele estivesse sendo mais do que gentil.

— Ok. Se cuida você também.

A maçaneta já estava sob sua mão. Gelada até os ossos. Ela teve esperança de que Brian a impedisse. Que a convencesse a largar seus compromissos enfadonhos de mestrado e fosse com a Dark Paradise para outro lugar do mundo. Mas ele permaneceu sentado na beira da cama, sem nada dizer. Então, Stela fechou a porta com cuidado. Seus sapatos não fizeram barulho no carpete do corredor.

No elevador, encarou-se no espelho. Havia novas marcas no seu rosto: um arranhão sob o queixo e um corte superficial no lábio, que ainda tinha gosto metálico. Sentiu orgulho delas.

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