Capítulo 8

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    Ao saírem da empresa e alcançarem a rua ela viu um senhor de uns cinquenta anos grisalho se aproximar de Esteban.

— María, eu gostaria que você almoçasse em minha casa.

María lhe sorriu.

— Eu adoraria.

Esteban se virou para o senhor que o aguardava. María viu que se tratava de um motorista.

— Fernando eu vou com ela. Encontramos-nos em casa.

María e Esteban caminharam em silêncio até o carro. María percebeu que Esteban estava muito calado, como se algo o preocupasse.

María se dirigiu ao volante, Esteban entrou no carro, logo que ele sentou a orientou como chegar ao apartamento dele, que ficava num bairro nobre de Valença.

Pela visão lateral dos óculos que ele usava ela percebeu que ele fechou os olhos e ficou assim até María estacionar em frente o apartamento. María viu a dificuldade que ele saiu do carro, ele encostou-se ao carro e tirou os óculos e apertava os olhos. Ao sentir María ao seu lado ele recolocou os óculos. Ela vendo-lhe a dificuldade segurou-o pela cintura e juntos chegaram na porta de entrada do apartamento, pegaram o elevador quando o elevador os deixou ele lhe deu as chaves, María abriu a porta e foram recebidos por uma empregada de uns cinquenta anos, que ergueu as sobrancelhas ao ver Esteban pálido.

E olhando para María lhe disse.

— Olá meu nome é Rosita Tavarez.

— María Valverde.

María suspirou enquanto entrava no hall fresco. Virou-se para Esteban que continuava quieto.

— Esteban, Você não está bem. Vamos até o quarto? Deite-se um pouco. Eu ficarei lá com você. —E virando-se para a empregada disse-lhe. — Você pode nos levar o almoço no quarto?

— Claro! — A empregada se dirigiu para Esteban — Esteban, ela está certa você está muito abatido.

Esteban estava apático, ao ponto de não falar nada.

Rosita aproximou-se dela e disse-lhe ao ouvido. "Vá por esse corredor é a terceira porta á direita". María assentiu e pegou Esteban pelo braço.

— Vem meu amor.

María conforme andava o observava o via com uma expressão grave ainda de olhos fechados. No corredor María parou. Esteban parou e abriu os olhos.

— Esteban, é só enxaqueca mesmo que você está sentindo?

Esteban por trás dos óculos a observou impaciente. María percebeu que as mãos dele tremiam.

— María eu estou com muita dor de cabeça.

María concordou e se adiantou abrindo-lhe a porta. O viu de olhos fechados novamente. Foi até ele e colocou a mão na cintura dele e o levou até a cama. Esteban sentou-se com alívio. Ele tirou os óculos.

— María feche a janela.

María obedeceu. O quarto ficou na penumbra. Somente a luz que vinha do banheiro e da porta iluminava a cama. Voltou-se para ele e o viu pingar um colírio nos olhos e tomar um comprimido. O coração de María se apertou. Lembrou-se do acidente que quase o havia deixado cego. María ajoelhou-se em frente a ele e tirou-lhe os sapatos. Ajudou-o a tirar o terno e a gravata. Ele tirou a camisa e deitou-se. María o observou e o viu de olhos fechados. Beijou-lhe os lábios, ele a envolveu num abraço e retribuiu-lhe o beijo com paixão. Depois de um tempo a afastou e a fez deitar-se no peito dele. María se deliciou ao sentir na face os pelos dele e o cheiro de seu corpo. Sentiu depois de um tempo que ele ressonava. María saiu de seus braços lentamente e fechou suavemente a porta do quarto.

Encontrou Rosita no corredor com a bandeja.

— Rosita, ele dormiu. Eu não vou comer nada. Quando ele acordar diga-lhe que eu voltarei amanhã à tarde.

Rosita voltou com a bandeja e a depositou na mesa de jantar. Abriu a porta e María saiu. Viu seu relógio e se deu conta que já eram três horas da tarde. De manhã só havia tomado um pouco de café com torrada, mas não sentia fome. Os acontecimentos fizeram-na perder o apetite.

Pegou o carro e vinte minutos depois estacionava em frente sua casa. O carro de Luciano estava parado um pouco distante. Então o viu sair do carro e dirigir-se a ela. María desceu do carro e o fitou. Ele aproximou-se dela com passadas firmes.

— María, precisamos conversar.

María não disse nada e se movimentou desconfortavelmente.

— Eu quero pedir desculpas pelo meu comportamento. Você tem se mostrado muito competente no escritório e eu não quero perdê-la. Prometo-lhe que de hoje em diante teremos apenas uma relação profissional. Embora eu reafirme meu interesse por você. Não pense que desisti. Mas vou respeitar sua vontade.

Ele a olhava com ansiedade e depois de alguns segundos lhe perguntou:

— Eu posso contar com você segunda-feira?

María colocou uma das mãos na nuca, que estava dolorida. A cabeça inteira doía a tal ponto que ela ia ter que apelar para a aspirina.

— Tudo bem Luciano, não vou deixar você na mão, mas terá que me dar sua palavra que agirá conforme você falou.

Luciano aliviado prometeu-lhe.

— Dou lhe minha palavra.

— Segunda-feira eu estarei lá.

Luciano a olhou agradecido e se foi. María sentiu uma nova pontada na cabeça. A dor não parecia disposta a ceder. Suspirou resignada. Entrou em casa, sua mãe a olhou com estranheza.

— Já em casa?

— Mamãe eu estou morrendo de dor de cabeça. Vou subir para meu quarto e tomar uma aspirina.

Helen observou-a preocupada.

— Vai filha e descanse.

María entrou no quarto e se dirigiu ao banheiro, enquanto enchia a banheira procurou uma aspirina na gaveta do criado mudo e tomou. Pensou na proposta de Luciano. Talvez mudasse de ideia em tê-la aceita, mas no momento era assim que pensava. Queria trabalhar e nada mais, sentiu que Luciano tinha sido sincero com ela.

Entrou na banheira e fechou os olhos. Pensou em Esteban. Manteve os olhos fechados procurando se acalmar, mas estava preocupada com ele. A verdade que tinha medo que ele estivesse com problema nas vistas novamente. O que a confortava era poder vê-lo amanhã.

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