Da nossa morfossintaxe

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Quando nos encontramos a primeira vez,
meu bem,
você me disse que seríamos
o poema mais belo
que alguém já leu;
que seríamos o complemento um do outro;
que nossa vida seria cercada de advérbios de intensidade;
e que o único temporal que se referiria a nós
seria o
nunca.
O problema,
meu bem,
é que você queria ser a oração principal,
e eu, a sua subordinada.
Só que eu fui feita oração coordenada.
Eu posso até ser aditiva,
mas não me subordinarei
a
ninguém.
Eu. Me. Basto.
E não será você,
meu bem,
quem mudará a nossa sintaxe.

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