MICHELLE
Acordei em um quarto diferente do meu. Era branco demais para meu gosto e todas as janelas pareciam abertas e minha retina doeu. Fechei os olhos e resmunguei pela luminosidade excessiva e foi então que escutei a voz chorosa da minha mãe.
- Graças a Deus - ela se inclinou e rosto dela pareceu desfocado e brilhante demais assim, tão de perto. Virei o rosto e fechei os olhos e senti minha boca seca. Sede, estava morrendo de sede.
- Água - pedi
- Vai chamar o médico, Lydia - ordenou minha mãe. Ela se sentou na beira da cama e acariciou meu rosto.
O médico chegou logo em seguida e minha mãe o encheu de perguntas. Mas fora a cicatriz no braço e na cintura não houve nenhuma sequela grave graças a uma pequena, mas importante dose de sangue. Que com toda certeza foi doada por Lydia que compartilha ao menos o mesmo tipo sanguíneo.
Fechei os olhos me sentindo exausta e quando dei por mim, adormeci de novo.
🕸️
Acordei com som de chuva. Pensei até que estivesse sonhando, mas barulho irritante do monitor cardíaco e clics dos saltos das enfermeiras passando pelo corredor me davam a certeza que eu ainda estava no hospital.
Me ergui e sentei naquela cama dura com dificuldade, me senti tonta e senti meu corpo todo pesado.
Esfreguei os olhos e olhei envolta. O minúsculo quarto que eu dividia com senhor de idade que roncava alto. Na poltrona ao lado dele, uma senhora também dormia com novelo de lã no colo. Desci da cama e senti uma fisgada chata na cintura, toquei de leve com a mão e senti os pontos através do leve tecido da camisola que estava vestindo.
Olhei para cama e considerei voltar a me deitar porque os pontos podiam se abrir e a chance de Lydia doar outra bolsa de sangue era quase nula. E nenhum dos meus parentes estarem ali levantou a bandeira vermelha que mesmo sendo de menor, eles não excitaram em me deixar sozinha.
Dane-se, a sede estava me matando. Tirei a agulha do braço e respirei aliviada quando constatei que o apito irritante de monitoração era do cara da cama ao lado, que ao julgar pela cara estava muito pior do que eu.
Levantei a procura de uma jarra d'água, mas não a encontrei. Então peguei o cobertor no pequeno armário e coloquei sobre a senhora e sai do quarto, enfiando a cabeça primeiro para constatar que não havia nenhum enfermeiro.
O corredor estava a vazio com exceção de uns dois caras sentados na cadeira azul de espera tão focados no celular que si me notaram, não deram a mínima. Procurei um bebedouro nos corredores seguintes, mas não achei nenhum. Então continuei perambulando pelo hospital me sentindo em um filme apocalíptico de zumbis.
Onde eu era a única sobrevivente da espécie humana dentro de um hospital.
Comecei a entrar em outras alas e todas sem exceção estavam com luzes ou apagadas ou diminuídas. A maioria dormia, o único setor com algum sinal de vida era o da emergência e passei longe dele. Virei a esquerda e segui a linha verde e acabei na ala de psiquiatria.
Para minha total decepção não havia gritos nem nada estranho acontecendo. O silêncio também imperava sendo apenas perturbado por sons de roncos e meus passos no chão.
Foi então que escutei um som vindo atrás de mim, mas necessariamente de uma porta de saída ao lado do elevador.
Não sei direito si o que me motivou a empurrar a porta e seguir o som e subir dezenas de degraus foi curiosidade ou apenas o tédio, mas continuei subindo até me deparar com cheiro de fumaça. E atrás dessa nuvem fedorenta de cigarro estava alguém sentado em um degrau acendendo e apagando um isqueiro metálico.
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𝑫𝒂𝒎𝒏 𝒢𝓇𝒶𝓋𝒾𝓉𝓎 (hiatus para revisão )
Ficção Adolescente⟷ Michelle adorava observar as coisas e não pode deixar de observar um certo colega que escondia um segredo. Alguém cuja rotina decorou. Não fazia parte do plano se importar com aquele perdedor e se tornar amiga de Peter Parker e vê-lo se apaixonar...