Íris se joga na cama, está exausta pelas longas horas no avião. Dani ligou para a senhora que cuida da casa e pediu para encher a geladeira e esperar a sua afilhada. Íris toma uma banho e não quer comer, quer apenas dormir, libera a senhora e dorme por horas depois de ligar para a mãe e para a irmã dizendo que chegou bem. Quando acorda, ela liga para a sua madrinha.
– Madrinha, adivinha onde estou?
– Não faço ideia, ruivinha linda, você vive viajando – diz Beta feliz pelo telefonema de sua única afilhada, filha de sua melhor amiga.
– Estou aqui bem pertinho da sua casa, quero apenas saber que horas vai estar em casa para eu poder ir aí te encher de beijos.
– Não acredito! Você está no Rio, Íris?
– Cheguei de madrugada, estava dormindo até agora.
– Por que não me avisou que vinha? Eu tinha te esperado no aeroporto, meu amor. E por que não foi para a minha casa? Onde você está?
– Estou na casa do meu padrinho, acordei com o barulho das ondas.
– Nossa, que delicia, hein?!
– Estou com uns probleminhas aí e meu padrinho e minha mãe me aconselharam passar uns dias nesta casa sozinha para poder colocar as ideias no lugar.
– Problemas? É para ajudar a solucionar problemas que as madrinhas foram feitas. Vou passar aí depois do trabalho, quero saber de tudo e se não tiver como resolver seu problema iremos afoga-lo neste mar lindo.
– E o Joãozinho? Minha mãe mandou um presente e recomendou vários beijos e agarros naquele moreninho lindo.
– Primeiro você vai agarrar a sua madrinha, depois te levo lá em casa para você ver o João, aquele garoto bagunceiro. Não é porque é meu filho não, mas ele é lindo mesmo, mas também é a cara do pai! Acredita que todos os dias quando acordo fico olhando para eles e não acredito que me casei com aquele bombeiro gostoso e ainda sou mãe de um filho seu?
– Mamãe passa por isso todos os dias também.
Elas riem, falam mais algumas coisas e fica marcado de Beta ir lhe ver depois das 17:00. Íris desliga e já disca para sua prima que mora também no Brasil, porém em outro estado.
– Maria?
– Íris! Que bom ouvir sua voz, eu estou morrendo de saudades!
– Eu também, prima! Eu estou aqui pertinho de você, estou no Rio e queria muito te ver.
– Ai, meu Deus! Você vai vir aqui em casa?
– Vou sim, mas antes pretendo passar alguns dias curtindo a praia aqui. Por que você não vem me fazer companhia? Depois eu vou com você dar um beijo na sua mãe, nos meus avós e na Clarinha. A Selene e a Maia estão a convocando para uma visita.
– Aquelas três juntas ninguém aguenta!
– Estou precisando de colo de prima mais experiente, Maria, parece que tem um tufão em minha cabeça e quem sabe você não me ajuda a acalma-lo.
– Eu vou sim, linda, mas só posso ir no final de semana. Não posso ir agora, porque tenho várias consultas marcadas.
– Tudo bem, eu espero você cuidar dos seus bichinhos, mas você vem, não vem?
– Vou ver se consigo chegar aí na sexta-feira à noite. Minha vida anda tão sem graça, mas tenho certeza que ao seu lado e andando por esta cidade linda vamos dar uma animada nela e vamos acalmar este seu tufão com uns copos de chopps.
Íris coloca seu biquíni e caminha descalço pela praia, quer esquecer a Ninna, mas começa imaginar elas andando por ali de mãos dadas. Passa o dia lutando contra seus pensamentos, mas só consegue parar de pensar em Ninna quando Beta chega. Sua madrinha lhe abraça forte e elas sentam na varanda. Beta como Angel continua linda e se preocupa muito com suas curvas para sempre agradar o marido.
– O problema é com esse coraçãozinho, é?
– Sim, Madrinha, ele virou do avesso e está me deixando louca.
Beta ri, olha para sua afilhada e coloca uma mecha de seu cabelo atrás da orelha.
– Você é tão linda e engraçada como a sua mãe. Que história é essa de coração ao avesso?
– Eu me apaixonei pela pessoa errada.
– E quem nunca se apaixonou pela pessoa errada, Íris? Esses homens têm o dom de passar a imagem de quem não são. A princípio são uns príncipes, depois se tornam sapos e nos deixam perdidas.
– Quem me dera se fosse esse o meu problema, ter me iludido por um cafajeste. O meu problema é mais complicado, madrinha, eu me apaixonei por uma garota.
– Nossa, agora sim encontramos uma grande diferença entre você e sua mãe.
– Eu não queria, eu gostava, adorava homens, mas não sei o que aconteceu e agora só penso nela.
– E por que ela não está aqui com você? Nunca ouviu o ditado: quando a vida lhe oferecer um limão faça uma limonada? Não venha me dizer que está com vergonha do que está sentindo, eu não admito isso. No tempo em que vivemos o preconceito caiu por terra, querida, e o que mais existe são pessoas do mesmo sexo se amando por aí, sem medo e muito menos vergonha.
– Por mim, eu não saia de perto dela nunca mais, mas ela não me quer, ela sim está com medo de se entregar.
– Que droga, Íris, eu sinto muito, meu docinho de abobora!
Elas dão uma volta pela praia e Beta escuta de Íris como tudo aconteceu e abraçada a afilhada lhe transmite paz.
– Quer saber? O que tiver que ser será! Aproveite este lugar lindo, beije na boca se possível e deixe o tempo passar, só um dia após o outro é capaz de colocar as coisas no lugar. Não se desespere, pois a culpa não é sua, você fez o que devia fazer, se ela não tem coragem o suficiente para viver esta paixão o problema é dela, é ela que sai perdendo. Se sua mãe tivesse se apaixonado por mim e eu por ela, nada seria capaz de me separar daquela ruiva gostosa!
Íris cai na gargalhada e entende o que a madrinha quis dizer: não vale a pena sofrer por uma coisa que não aconteceu. Não foi culpa sua que não aconteceu, então o melhor remédio é deixar o tempo passar. Beta a leva para o seu apartamento e seu marido Rui e seu filho João de dez anos lhe recebem felizes. Eles pedem pizza e essa noite Íris é paparicada e dorme com eles.
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Deixe-me te amar
RomanceDeixe-me te amar é a continuação da triologia - dê-me o que mereço. Após vinte anos do nascimento dos filhos de Angel e Thor, a história continua. Angel, advogada, mãe, esposa, tia, madrinha, amiga, entre tantos outros adjetivos, é extremamente feli...
