• Pfeiffer Beach

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Março, 2017 - Três semanas depois

O carro alugado por Vivian tinha seis lugares atrás, sendo ocupados por mim, Gabi, Victor, Gabriel, Filipe e a filha de Bruno - namorado de Vivian-, a pequena Sam.

Mesmo Filipe dizendo que poderia alugar outro carro para os meninos, tia Vivi nem pensou duas vezes antes de negar e dizer que queria todos juntos sob sua proteção.

Pegamos um vôo de Orlando até a San Francisco. Desde que desembarcamos, estamos no carro. E isso já fazia algumas horas.

- Não, Malu! Você canta muito mal.

Já era a quarta ou quinta vez que Victor me zoava por conta da minha voz. E eu assumo que minha voz parecia de uma taquara rachada mesmo. Mas, como dizem, ninguém pode ser perfeito.

- I will drive past your house. And if the lights are all down. I'll see who's around

Fiz questão de forçar a voz e cantar próximo a Victor enquanto fazia a dancinha, diga-se de passagem sensual, de Niall. Aquilo tirou risada de todos que estavam no carro, inclusive de tia Vivian que teve de olhar a cena rapidamente pelo retrovisor.

- One way or another, I'm gonna find ya. I'm gonna get ya, get ya, get ya, get ya.

Foi a vez de Sam cantar, mas acho que por conta de sua timidez sua voz saía baixinho. A encarei incentivando e voltei a cantar agora acompanhando a loirinha.

Sam tinha apenas oito anos e desde que a conheci fiquei encantada. Seus cabelos loiros e lisos com alguns cachinhos no final, deixavam seus olhos azuis acinzentados ainda mais bonitos, contrastando com a pele branquinha.

Parecia uma boneca. E minha vontade era de a apertar e depois colocar em um potinho cheio de glitter para combinar com a garotinha.

- Ah não. - choramingou Victor ao meu lado enquanto jogava a cabeça para trás, colidindo com o encosto do banco.

O rapaz tinha uma expressão de sofrimento no rosto. E, durante essas semanas convivendo com o mesmo, tive a certeza de que era o rei dos dramas.

- Larga de ser ranzinza, Victor Trindade, parece um velho e daqueles bem chatos. - lhe empurrei com meu ombro.

- Ele tá é se fazendo. - Gabriel falou se apoiando em nossos bancos, já que estava nos de trás. - Faz altos shows quando está no banheiro. - rimos.

- Não precisa ficar com vergonha de se divertir em nossa frente, querido. - foi a vez de tia Vivian se pronunciar. - Pode se sentir a vontade.

- Não abre muito espaço, mãe.

Victor deu um jeito de virar para trás e mandar o dedo do meio para Gabi sem que a mãe da mesma visse.

- Oh mãe, olha aqui o Victor mostrando o dedo na frente da Sam.

O modo como a ruiva falou fez com que eu risse alto. Parecia aquelas garotinhas que faziam fofocas para a mãe apenas para ver o irmão mais velho se ferrar. O que não aconteceu, já que Sam fez questão de ficar ao lado de Victor e dizer que não havia visto nada.

- Falta muito ainda, tia?

Minha bunda já estava ficando dormente e não encontrava de jeito algum uma posição que ficasse confortável.

Flashlight | Eagle TrindadeOnde histórias criam vida. Descubra agora