One more kiss the same day

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É legal sentir que tenho um amigo, porque tipo, o Blaine, entre nós, não serve pra eu fazer essas coisas sabe? Eu gosto de ficar com ele e tals mas eu queria um amigo e agora sei que tenho.

O Finn me deixa sozinho por alguns minutos e volta com uma roupa mais casual, na verdade pouca roupa. Uma camiseta branca e uma samba canção. Não sei se é costume dele usar quando está em casa ou se é por eu estar aqui, só sei que não vou comentar porque a casa é dele e ele veste o que quiser.

– Legal o pijama - falo rindo enquanto me concentro no jogo.

– Curtiu? Durmo assim mesmo - ele diz e senta do meu lado.

– Cada dia durmo de um jeito mas gosto de dormir me sentindo o gostosão sabe?! - revelo uma coisa que tenho receio do que os outros achem.

– Pior que não sei, tipo pelado? - ele diz passando o braço por trás de mim, em cima do sofá sem me encostar.

– Pelado, de cueca, de calça sem nada por baixo, agora entende? Acho que sou desses meninos que gostam de si mesmo, não sei qual o nome... - digo e fico pensando na palavra enquanto um cara me acha no esconderijo e tenta me matar.

– AAH NÃO SEI, TU VAI MORRER. VAI MORRER. ATIRA NELE. ATIRA - ele grita tentando mexer no controle que ainda está comigo. Morro, mais uma vez - PORRA CARA, TU É MUITO RUIM!

– Nossa, não precisava gritar, é só um jogo. Eu sou ruim porque não jogo muito se não tava te destruindo. E a palavra que você queria é narcisista - ele fala tirando o controle de mim e iniciando sua partida.

– Então eu tenho meu momento nazista antes de dormir, apesar de eu odiar essa palavra eu tenho que assumir que sou um pouco assim - falo levantando do sofá - Onde é a cozinha? 

– Só virar aê, não tá vendo? - ele fala mas não o respondo, eu só estava sendo educado.

Entro na cozinha e depois de observar o cômodo eu decido pegar um copo d'água. A luz forte do sol passa pela janela deixando um único quadrado iluminado na cozinha. Enquanto bebo vejo o horário e está quase na hora que minha mãe costuma colocar o jantar na mesa. Coloco o copo vazio dentro da pia. Concentrado na mensagem que escrevo pro Blaine levo um susto com o Finn que me agarra por trás fazendo um barulho estranho com a voz. Meu celular cai no chão antes que eu enviasse a mensagem. 

Rimos da minha reação que segundo o garoto foi engraçada demais apesar dele não ter me visto de frente. Me apoio na bancada enquanto me recupero do susto.

– Você só fez isso porque queria me agarrar, pode falar - falo rindo ainda me recuperando.

– Éééé... - ele fala não tão interessado. Me viro pra ele e vejo que o garoto olha pro meu celular nas suas mãos.

– Então o cara que você tá ficando é o Blaine? - ele pergunta mostrando o celular pra mim.

– É, por que? Você conhece ele? - o mais alto pergunta me devolvendo o objeto.

– Conheço né, o ex-namorado do meu meio irmão. Já foi várias vezes lá em casa - percebo uma mudança no seu rosto. Sei que ele estava concentrado mas essa cara e a de concentrado não são a mesma.

– Que foi? - me aproximo dele.

– Ele é um cara legal... - ele sai da cozinha e volta pra sala. Envio a mensagem: Eaí bebê, já está sozinho? E então volto pro Finn.

Ele está sentado no sofá concentrado no jogo porém consigo ver nos seus olhos que algo não está certo. Sento do seu lado, passo meu braço por trás e deixo minha cabeça apoiada no seu ombro.

– Que foi, cara? - pergunto ao garoto que não para de jogar.

– Sei lá, acho que eu não tinha notado fé quando você disse que tava ficando com alguém, achei que você já estava na minha mão entende?! - ele diz e logo retiro minha cabeça do seu ombro.

– Não, não entendo. Não sou de ninguém. Não sou objeto pra ninguém me ter. Finn, desculpa mas se eu não tivesse ninguém eu só te pegaria pra não ficar na seca, você tem a cabeça de tipo uns anos atrás - falo me sentindo o evoluído do bagulho.

– Nossa, você não tem sentimentos? Olha o que você tá falando pra mim. Você sabe como eu estou contigo e vem me falar essas coisas, como acha que minha cabeça vai ficar? - ele diz dando pause o jogo.

– Finn, pode me levar pra casa? - pergunto sério me levantando.

– Só vou te levar porque gosto muito de você. Não sei nem mais o que tô sentindo na verdade. Essa tarde foi ótima até eu cair na real que você achou a pessoa certa - ele fala enquanto veste um casaco.

– Por que diz isso? - falo seguindo o garoto.

– Conheço o Blaine e ele vai te tratar muito bem, vai te dar muito carinho, vai te fazer a pessoa mais feliz do mundo, vai te fazer sorrir, rir, chorar... Quem tem a chance de ficar com ele é muito sortudo - ele fala com um olhar profundo, chego a pensar na possibilidade deles... Não, nada a ver.

– Nossa...

– Foi o que o Kurt disse enquanto chorava - ele diz voltando ao mundo real. Caminhamos até o carro e entramos nele rápido por causa do pouco frio que faz a noite nessa região.

Sei que ele se decepcionou especificamente por ser o Blaine com quem estou ficando, não sei o motivo e nem quero saber. Se eles tiveram alguma coisa, o que eu prefiro não acreditar, foi passado e agora quem está com ele é o chocolate branco. Sinto pena do garoto porque eu vi hoje no seu olhar que ele estava muito feliz de estar do meu lado, não sei se é assim com os outros mas o olho dele brilhava. 

Em questão de meia hora mais ou menos chegamos na minha casa, claro que tive que apresentar o Finn ao porteiro do condomínio mas foi tranquilo. Ele estaciona o carro bem na frente do caminho que leva pra porta principal e então antes que eu saísse ele coloca a mão na minha perna.

– Desculpa Sam, eu não quis me iludir tanto contigo. Não ache que eu sou maluco. É porque eu pensava demais em você, toda as vezes que você me olhava no clube do coral, nos corredores, quando você sentava do meu lado na escola, quando conversávamos... - interrompo o garoto que fala sério olhando pra frente.

– Calma! Sou seu crush secreto, já entendi isso. Preciso de um tempo pra processar. Não que eu vá chegar amanhã te beijando porque como você viu a pessoa que eu tô ficando existe - falo e coloco minha mão por cima da sua.

– Não dá pra esquecer ele por um segundo? - ele diz apertando minha coxa.

– Finn... - no mesmo momento ele me rouba um selinho relâmpago que faz nós dois parecermos duas crianças quando pegam na mão uma da outra.

– Por que fez isso? Tá maluco? Sou fiel ao Blaine. Vai se foder! - falo saindo dali batendo a porta do carro com força. Antes que eu entre em casa olho pra trás e o observo por menos de cinco segundos até que ele vai embora. Respiro fundo pra me recuperar do que acabou de acontecer. Preciso relaxar um pouco, que dia exaustivo. Não é fácil ter boca grande. 

Passo pela porta e quando entro na sala dou de cara com a minha ex-namorada. Fico surpreso, eu achava que nunca mais ia vê-la. A garota vem até mim e me dá um abraço, e com a minha mãe ali observando tudo a minha única saída é responder seu abraço.

– Eai Sam? Agora eu entendo porque você não se despediu - ela fala voltando a se sentar no sofá.

– Éééé... - fico sem palavras. Logo hoje? Sério? Porra, era pra eu estar me arrumando pro Blaine. 

– Tadinho dele, eu devia ter avisado. Vem, senta aqui - ela fala alisando o lugar vazio do lado dela no sofá. Com a minha mãe o tempo todo ali fica difícil de negar qualquer coisa que a minha ex pedir.

My Life Not So ComplicatedHistórias para pegar e não largar. Descubra agora