16 - Quanto amarás?

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A brisa era gelada
fazia-o tremer de frio
Ainda assim ele estava ali
sentado na beira do rio

Ouvia o som dos grilos
e outros sons da noite escura
queria poder ser como a corrente do rio
e encontrar uma cura

A sua cabeça latejava
suor frio lhe molhava a cara
Ele sabia que não sairia daquele caos
desde o momento em que entrara

E aquela doença
mais rara que o sol no Reino Unido
Era como um murmúrio macabro
murmurado ao seu ouvido

Depois de pouco ter vivido
E pouco experimentado
De nunca ter tido o vislumbre
De ao menos estar apaixonado

Foi -lhe dada a notícia
Tinha cancro cerebral
Apenas dois anos estimativos de vida
Um talvez só um, afinal.

Podia ter mais um mês,
mais um dia ou mais uma semana
E ninguém poderia julgar
Na amargura que sua alma emana

Mas quando foi visto ali,
o polícia que passava o julgou
pensou que estaria fazendo algo ilegal
E até ele avançou

O homem ouviu os passos
Mas não olhou para trás
Perguntou ao policial:
"Se soubesses que tens mais dois anos de vida, quanto amarás?"

O policial sentiu-se culpado
afinal julgara um homem inocente
Seu pensamento julgador
Tinha sido indecente

Sentou-se ao lado do homem
Iluminado pela lua minguante
Por vezes o homem se sente minúsculo
Ainda que tenha um coração gigante

Poesia Bem me quer Onde histórias criam vida. Descubra agora