A Separação

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Depois de tanto sofrimento, nossa mãe decidiu se separar do meu pai e tentar uma vida nova, mesmo nós sendo ainda pequenos. Da maneira que vivíamos não podia piorar, ela foi forte e com ajuda da sua mãe adotiva, ganhou uma pequena casa com dois cômodos em outro bairro da cidade. Não era uma casa muito arejada, havia pouco reboco, mas ela ficou agradecida e feliz.
Procurou trabalho como doméstica, diarista e foi recomeçando. Pôde cuidar melhor de nós e enfim tínhamos paz daquela vida de dor e sofrimento que vivíamos com meu pai.
Meu pai não aceitou muito bem a separação e prometeu que iria parar de beber se minha mãe voltasse, mas isso não aconteceu porque ela sabia que essa promessa não iria permanecer por uma semana.
Então, ela seguiu em frente, não tínhamos luxo, nem fartura na nova casa, mas podíamos dormir tranquilos, ficar em paz e viver de maneira normal. Nós iríamos poder brincar sem precisar ficar andando de uma cidade a outra atrás de alguns trocados ou algo para comer. Nossa mãe estava fazendo o possível para isso não acontecer novamente. Trabalhando em casa de família com doméstica, fazendo algumas faxinas e mais alguns bicos em restaurantes auxiliando na cozinha. Estava feliz porque pôde voltar a trabalhar e antes meu pai não deixava por ciúmes.
Minha mãe sempre foi uma mulher batalhadora.  

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