Capítulo 4

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Exausto e acabado, é assim que eu me sinto depois da intensa corrida que tive ao lado de Jeon, que agora descança ao meu lado neste beco imundo. Eu gostaria de falar algo mas tenho medo do que sairia, tenho medo que ele consiga arrancar alguma coisa que demonstre meu medo, e principalmente de sua resposta.

- Você está bem? - ouço sua voz incrivelmente bonita perguntar a mim, tudo nele era incrivelmente bonito. Cada minuciosa pinta, cada fio de cabelo, tudo.

- Estou, eu acho...- digo e me com o tom sussurado que estou acostumado a usar, mas cada sussuro meu tem um grito silencioso por trás. E é nos meus gritos de socorro neste mundo silencioso que eu faço minha morada.

Ele não me responde e eu também não falo mais nada, tentando compreender toda a situação. Parece que, onde quer que eu esteja, eu trago o mal para as pessoas a minha volta. Parece que sou radioativo e isso faz com que a culpa em meu peito crescesse cada vez mais.

E não me surpreendo com isso, eu sei que todo o caos existente dentro de mim é intenso demais, e talvez ele tenha ganhado tanta força que se tornou algo capaz de fazer algo ruim para outras pessoas. Talvez eu devesse apenas sumir de vez.

- Vamos para a organização. - Jeon diz e acabo me assustando, esse cara é maluco?

- Não! Eu não aceitei o convite, por mais grato que eu esteja! Eu preciso voltar pra ca- antes de terminar a fala lembro-me do fermento. Eu vou apanhar.

E, infelizmente, isso não passou despercebido a Jeon.

- Por que não terminou de falar? O que vai acontecer se você ir para casa? - questiona se aproximando de mim.

- Nada que lhe diz respeito, se acontecer algo é porque mereço, tá legal? - aquelas palavras machucam. Queimam minha garganta antes de sair.

Dói ter que falar isso, dói que idéia de terei de voltar para casa, porém, a idéia apanhar não é a que mais me machuca. Meus machucados interiores sempre irão doer mais. E meu coração aperta levemente ao me tocar de que nunca mais verei Jeon Jungkook, o cara que me cativou tão rapidamente, mesmo que não seja recíproco.

- Eu lhe levarei até sua casa então. - ele diz com tanta certeza na voz que não consigo discutir sobre isso, então apenas assinto e começo a andar com ele atrás de mim.

Nossos passos rumados a minha casa é o único ruido que existia entre nós, mas não o único que eu conseguia escutar. Na verdade, a única coisa que eu escutava era a tempestade que existia dentro de mim junto com as batidas descompassadas de meu coração, eles formavam uma melodia assustadora, e isso tudo fazia meus milhares cacos dançarem de forma dolorida. Meu único conforto era o vento gelado que batia em minhas costas.

Eu me perguntei inúmeras vezes o que fiz de errado para estar dividido em tantos pedaços, mas eu nunca achei a resposta. Mas também não há nada de novo nisso, é apenas mais uma entre milhares perguntas sem resposta.

Estamos perto da minha casa e a cada passo que damos em direção a ela, um pedaço do meu coração acaba ficando esquecido no chão, formando uma enorme trilha de coração partido. Eu me sinto cada vez sem ar, como se meu pulmão estivesse parando de funcionar aos poucos.

Sufocado, é assim que eu estou.

Sufocado pela tristeza que eu mesmo estou causando em mim, sufocado pela minha insuficiência de ser egoísta uma vez na vida, sufocado pela minha covardia, sufocado pela minha própria vida. Eu estou cansado de esperar por dias melhores, estou cansado de me confortar com um futuro incerto que eu nem sei ao certo que hora vai chegar e se for chegar. E eu estou perdendo a chance de moldar um futuro alegre para mim.

E graças a este último pensamento eu acabo parando abruptamente, o que chama a atenção de Jungkook, que fala algo mas eu não consigo ouvir, estou entorpecido com minhas próprias dores. Cada célula minha está preenchida por tristeza e neste momento eu só queria poder arrancar cada pedacinho do meu corpo. Tristeza essa começa a querer transbordar pois meu olhos começaram a arder, mas eu não quero libera-la. Não na frente dele.

Olho para o céu e imploro para conseguir segurar minhas lágrimas, para conseguir aguentar aquela tristeza mais um dia. Rezo para a máscara que construí aguentar mais um pouco, mas ao olhar novamente para ele fui desmontado por inteiro.

Minha tristeza transbordou pelos meus olhos de forma tão intensa que as lágrimas me parecem pesadas, o peso de todas as palavras que engoli, o peso da tristeza que carrego a minha vida toda. Pesa tanto que fui forçado a abaixar a cabeça, pois não estou conseguindo ao menos me manter pé. Minhas lágrimas são pingos da minha mágoa derretida que nasceu na minha alma e cresceu demais. Fugiu do meu controle. Minha exaustão chegou em seu ápice, então eu me prepararo para o impacto com o chão.

Mas de repente sinto dois braços fortes rodeando minha cintura e me puxando para um abraço. Jeon estava me mantendo de pé e me dando a oportunidade de abraçar alguém pela primeira vez na vida, o que pra mim foi uma deixa para enterrar minha cabeça em seu peito e transbordar por completo. O corpo de Jeon transmite um calor inexplicável.

E foi a primeira vez, também, que eu gostei do calor.

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Oi, tudo bem?

Eu quero pedir desculpa por este péssimo capítulo, mas não desistam de mim.

Por favor, não se esqueçam de votar.

ᴄᴏʟᴅ · ᴊᴊᴋ + ᴘᴊᴍOnde histórias criam vida. Descubra agora