Harry estava atrasado e sabia disso. A sua conversa com os Malfoy demorou mais do que o esperado, e mesmo assim, queria não ter ido embora. Xingando baixinho, decidiu esperar os Weasleys na Toca, aparatou no quarto de Rony. Seria bom aproveitar para escrever aos Dursley. Estava adiando aquela tarefa durante todos aqueles meses. De alguma forma, recebia correspondências irritadiças de tia Petúnia. Se arrependia amargamente de ter deixado o endereço da Toca para eles. Harry abriu a gaveta e retirou a última carta de sua tia, lendo-a pela centésima vez antes de finalmente responder.
"Harry,
Não temos notícias suas. Não sabemos se está vivo ou morto. O mundo está estranho, e tenho certeza que é culpa da guerra que seu povo bruxo arrumou. Nos diga quando isso tudo vai ter um fim. Francamente, estou farta de estar escondida, mas certamente não quero arriscar minha vida por uma causa que sempre mantive distância. Estou preocupada com você. Sim, imagino que esteja surpreso com isso (não tanto quanto eu estou). Todos estamos. Duda pergunta todos os dias se sabemos algo sobre você. Mesmo Valter demonstra preocupação. Sei que não nutre nenhum afeto por nossa família, mas saiba que gostaria de ter feito algumas coisas diferentes. Devia isso a Lilian e a você também. Enfim, garoto, nos mande notícias.
P.S. Feliz aniversário atrasado, e esteja vivo."
Dezesseis anos convivendo com aquela família desprezível não permitiram a Harry odiá-los como queria. Seu coração não os odiava como desejava. Certamente, existia uma parcela de mágoa e raiva, mas uma pequena parte de si os queria bem. Com o fim da guerra e sua maioridade finalmente atingida, Harry podia cortar laços. Quando pensava estar livre dos tios, percebeu que não era isso o que queria. Perdeu tantas pessoas importantes durante sua vida, mais da metade de sua família estava morta. Por mais que os Dursley não fossem o melhor tipo de gente, ainda assim continuavam sendo sua família, seu único laço de sangue vivo com sua mãe. Decidiu então que tentaria ao menos manter uma relação cordial com eles. Se fosse para iniciar um novo capítulo em sua história, poderia muito bem abandonar esse passado também. Com isso em mente, apanhou uma pena e um pedaço de pergaminho e começou a escrever.
"Tia Petúnia,
A guerra terminou, mas acho que isso você já deve ter concluído sozinha. Estou vivo e bem. Não pretendo voltar. Minha vida é aqui agora. Não precisam mais se preocupar comigo. Espero que todos estejam bem. Quando as aulas terminarem, talvez os faça uma visita, caso esteja tudo bem por vocês. Garanto-lhes que já é seguro voltar para a rua dos Alfeneiros. Continuarei atento a qualquer atividade suspeita (no sentido mágico). Se precisarem de ajuda nesse aspecto, bom... sabem onde estarei.
De um Harry que continua achando estranho estarmos conversando civilizadamente, mas admite que poderia continuar agindo assim se vocês também continuarem.
- É, acho que ficou bom – suspirou Harry.
Quando terminou, uma ideia começou a tomar forma. Seria estranho para o garoto escrever para Draco? Se não o fizesse, o pensamento continuaria o assombrando. Antes que a coragem o abandonasse, começou.
"Malfoy,
Espero que não ache estranho estar lhe escrevendo do nada, mas queria que soubesse que aproveitei a conversa que tivemos hoje mais cedo. Não foi de todo ruim. Gostaria de ter tido a oportunidade de conversar mais com você e agradecer à sua mãe por uma ou duas coisas, mas talvez tenha outras oportunidades.
P.S. Espero que considere meu convite para o baile, já que não me deu a minha resposta (brincadeira)."
Antes que desistisse da ideia e a coragem lhe falhasse, desceu e foi atrás da coruja de Rony.
- Desculpa, Errol. Não é que não confie em você para realizar o serviço, mas Pichitinho está muito gordo - mentiu Harry. - Creio eu que um exercício faria bem para seu amiguinho, não acha? - afagou Harry a cabeça da coruja anciã e prendeu os pergaminhos em Pichitinho, observando-a levantar voo animada.
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A Redenção da Serpente
FanfictionTrês meses após a batalha de Hogwarts, um Harry relutante decide voltar ao castelo para o sétimo e ultimo ano, entre as disciplinas do novo ano estão "curar as feridas", e "recomeçar" e quem sabe se reconectar ao mundo em luto dos bruxos. Em meio...
