Capítulo II - A Entrevista

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Capítulo curtinho, pois fiquei a noite toda sem luz, mas amanhã tem mais

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Fiquei toda enrolada para escolher uma roupa, acabei decidindo por uma do meu dia a dia, afinal se tiver que ser uma das integrantes, isso vai acontecer pelo que sou, vesti uma calça Jeans bem justinha, uma blusa vermelha fechada na frente mais toda aberta nas costas, confesso que com essa blusa fico mais confiante e um sapato preto nem muito alto nem muito baixo, pois detesto sapato que fica me incomodando. Durante toda  a viagem eu e o Ângelo trocamos poucas palavras, não temos muita intimidade e ele fez o favor de me levar para a entrevista a pedido da minha grande amiga, eu tenho a sensação que  não vai muito com a minha cara, mas enfim o importante é que já estamos chegando e ainda falta  quinze minutos para o horário combinado, ufa, nem acredito que deu certo.

Despeço- me do Ângelo e sigo para o prédio todo em vidro, acho um pouco estranho eles marcarem a entrevista em um prédio comercial, mas quem sou para contestar alguma coisa. Entro no prédio  e vejo todo o luxo e o poder ali presentes, passo pelo segurança na porta, com cara de mau, meu salto ecoa pelo piso, a cada passo sinto meu coração acelerar, chego até a recepção e uma loira muito bem vestida com um terninho cinza.

- Oi bom dia, eu vim para a entrevista - falo logo de uma só vez, pois estou tão nervosa que estou quase tendo um surto, ela me olha da cabeça aos pés,  no mesmo instante me sinto mal vestida, pelo seu olhar de desprezo.

- Bem vejamos...qual é o seu nome?- ela faz a pergunta e a sua voz é mas fria que sua aparência.

- Isabel Silva

- Deixa eu checar na lista - pega na gaveta ao lado uma listagem e diz: - Mas antes vou precisar do seus documentos. - retiro meu RG da bolsa entregando-a, essa loira me deixou mais nervosa ainda.

Depois de olhar meu RG, e conferir na lista o meu nome, ela me dá um  crachá como visitante, e me indica para seguir em direção aos elevadores , e entrar no elevador a direita e ir até o  vigésimo primeiro andar, vou na  direção que ela me indicou, mas estou tão nervosa, as minhas mãos estão suando e meu coração parece uma bateria de escola de samba, ao chegar aos elevadores, fico totalmente sem saber em qual subir, em vez de dois, há quatro, dois na direita e  dois na esquerda, olho para o relógio, e  já estou quase atrasada,o primeiro está ocupado, vai demorar pra chegar pois está vindo do vigésimo primeiro, entro no segundo a direita, sem pensar muito, as portas se fecham , respiro aliviada por conseguir entrar nesse,  quando vou apertar o botão para subir no andar da entrevista, meus dedos tocam em uma  mão grande e muito bem cuidada, e no mesmo instante o meu corpo  reage àquele toque, os pelos dos meus braços se arrepiam, e um frio na barriga se instala dentro de mim, involuntariamente viro e me deparo com os olhos mais azuis que um dia pensei em ver na vida, e ele me encara com um ar de surpresa, muito sério, como se eu houvesse invadido o seu espaço, ficamos nos medindo o tempo todo , ele vestido com um terno risca de giz, aposto que de marca, deve trabalhar no prédio, depois de toda a análise feita sem palavras,que parecia uma eternidade até ele pronunciar com a voz mais rouca que mexeu com todos os meus sentidos.

- Não vai apertar o andar, ou gostou tanto do que vê, que está sem palavras. – o desconhecido fala me encarando com um sorriso no canto da boca, e que boca , no mesmo instante a realidade me domina e trato logo de responder e tentar disfarçar o meu interesse, pois tenho que ter foco na entrevista e não ficar babando assim por um homem que encontrei no elevador, apesar dele ser um deus grego.

- Desculpe, e que por um momento me distrai, mas não foi nada de muito de importante. - assim que falo, aperto o botão para subir e concentro-me em olhar pra frente, mas toda a energia está ali, como uma atração, sinto como se ele tivesse muito próximo, tenho medo de virar, o elevador parece que sobe lentamente.

- Porque me deu as costas, apesar de estar adorando a visão que está me proporcionando, será propositalmente.- sinto os meus pelos se arrepiarem novamente , meu deus esse homem, quer me enlouquecer só pode,  viro e novamente meus olhos se chocam com aquele azul.

- Desculpe não tive a intenção de lhe ofender  dando as minhas costas, nem de ficar te encarando pois por mais que ache que gosto do que vejo, nesse momento existe coisas mais importantes do que paquerar no elevador. - assim que as palavras saem da minha boca, meu rosto ferve de vergonha, de onde tirei tudo isso.

- Vou esclarecer duas coisas, - ele pronuncia as  palavras agora mais grave do que antes, - Você dona desconhecida, entrou correndo neste elevador, ficou me olhando com esses olhos que estão prontos para devorar alguém, nem me deu bom dia, simplesmente , me respondeu e segundo me deu as costas , dando ênfase a todas suas curvas, que aliás, acho que está agindo de forma muito provocadora, não estou paquerando no elevador e não posso fechar meus olhos e fingir que não existe uma mulher gostosa na minha frente, que usa de truques baratos para chamar atenção. – fico totalmente sem jeito depois dessas acusações, quem ele pensa que é, minha boca treme de raiva, mas me faltam as palavras, assim que vou responder , o elevador chega no meu destino, a única coisa que consigo dizer.

-Vai se fuder  - e no mesmo instante ele me responde.

- Eu já estou fudido. - As portas do elevador se fecham e eu fico com cara de epa, nossa o que deu em mim, não deveria ter me comportado dessa forma, mas bem que ele mereceu, idiota.

O CONTRATOOnde histórias criam vida. Descubra agora