Próximo à Igreja Central
Os corpos dos indigentes, deixados pelos militares no beco próximo à casa de Donatella, já não se encontram mais lá. Porém, o forte odor de carniça e sangue impregna o local pelo qual uma jovem moça encapuzada e com vestimentas de inverno caminha a passos firmes.
— Toque, toque, toque... – ela fala sozinha em tom baixo e com certa dificuldade, como se tivesse algo a atrapalhando na garganta.
Não parecendo se importar em pisar no sangue seco, a jovem esbarra em um homem ao sair da viela. Ele estranha a ação da mulher e encosta levemente em seu braço.
— Tá tudo bem? — pergunta o rapaz.
Ela não aparenta ter ouvido muito bem, mas olha minuciosamente para o rosto dele e pergunta:
— Você me acha bonita?
— O quê? — Ele não entende o sentido de sua pergunta.
A jovem não diz mais nada, apenas saca uma adaga do bolso da blusa e crava no coração dele com força. Seu corpo se ajoelha perante o dela até cair aos seus pés. Ela o olha por um tempo, e então continua a andar em direção ao Norte.
No apartamento da Striker
Lauro continua sentado à mesa de refeições da cozinha da Striker. As escamas douradas da cadeira começam a se mexer rapidamente de forma repetitiva, por saber que se trata de alguém que a dona desgosta.
— Isso parece um museu das artes ocultas... Até suas cadeiras se parecem com você. — Ironiza Lauro.
— Essas escamas não foram fáceis de se achar, e você está as sujando com essa bunda fedida? — pergunta Striker — Como entrou aqui?
— Seus aliados me deixaram entrar. Eu sei que parece estranho, até pra mim isso não é normal, mas eu vim aqui porque preciso de sua ajuda. — diz Lauro em tom de voz calmo, mas firme.
— Hm... — Striker começa a pensar nas coisas que Lauro já proferiu contra sua pessoa. — Esse é um pedido tão tentador, que estou pensando seriamente em como recusá-lo sem parecer rude.
— Espere, Alice... — diz Ganesha, erguendo a palma de uma de suas mãos para ela. — Eu sei que a relação entre vocês não é uma das mais amigáveis, mas pelo menos escute o que este homem veio dizer.
Striker anda até a mesa, que, ao notar sua presença, desliza para a parede e se transforma em um quadro com uma pintura caótica.
— Incrível... Ah?
— Vai achar isso mais incrível. — Striker comprime suas pistolas com as mãos e as abre rapidamente, fazendo surgir várias adagas douradas apontadas na direção do padre. — Eu não sou muito de matar pessoas como você, mas tudo isso pode mudar, depende do que vai falar.
O padre não se intimida com sua magia, e abre um sorriso debochado na intenção de provocá-la.
— Era para eu estar gritando de medo? Já vi todos os vasos da igreja explodirem com um estalar de dedos... Sua magia não me preocupa mais. — Ele aproxima mais ainda sua testa de uma das adagas. — Mas talvez preocupe eles...
Pensativa, a bruxa desconfia do assunto do padre, então pergunta a ele:
— Se refere ao exército de Margo'on, docinho? Eu já vi eles e já sei de quem é a culpa de todo o acontecido.
— Eu também sou uma vítima nessa história. Eles dizem que aprovei o protocolo 32.84-7 sobre a intervenção dos militares de Margo'on nesta ilha. Mas tenho toda a certeza de nunca ter assinado nada do tipo. — diz Lauro, nervoso.
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Striker - A Bruxa, Os Deuses, Anjos & Mortais
ParanormalUm arquipélago situado no meio do mar mediterrâneo, em uma realidade onde o mundo místico habita em paralelo com o humano; o grupo apelidado de "revolucionários" se une a Striker para ajuda-la a entender as duvidas que rodeiam sua ressurreição e os...
