000; Prólogo

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Konohagakure, Japão, 2017.

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Hinata Hyuuga

Nós crescemos juntos numa pequena cidade onde todo mundo conhecia todo mundo, corríamos pelas ruas de mãos dadas, subíamos no salgueiro velho no bosque, nadávamos pelados na cachoeira. Juramos ser amigos para sempre, e até escrevemos nossas iniciais no salgueiro velho perto de casa e prometemos nunca nos separar.

Passávamos horas enfurnados no seu quarto; conversando ou assistindo filmes antigos, esquecendo-nos do tempo e por fim dormindo juntos. Ninguém nunca achou estranho, afinal aos olhos de todos – e dele mesmo – eu era melhor amiga, quase sua irmãzinha. 

E por alguns anos nenhum conflito existia naquele mundo maravilhoso chamado infância.

Mas não muito tempo depois tudo mudou. As brincadeiras e piadas mudaram lentamente. As conversas não eram sobre filmes e coisa do tipo. Ele entrou no time de futebol por insistência do seu pai que odiava seu jeito quieto e seu interesse em livros, que ele dizia: eram pura perda de tempo.

Foi depois da sua entrada no time que o mundo que eu conhecia e amava mudou. Meu melhor amigo não passava todo o tempo comigo, ou pelo menos a maior parte dele, eu não era mais o assunto principal em sua vida.

E sim, Konan Haruno.

A linda cheerleader que roubou o coração e a sanidade do meu melhor amigo. Ele passou a falar somente dela e de quão maravilhosa, linda e divertida ela era. A filmava a todo momento com sua câmera e fazia milhares de filmes de super 8 com a sua musa protagonizando todos eles.

Naquela época eu ainda não entendia o sentimento que me fazia querer correr sempre que ele a tocava, sempre que caminhavam de mãos dadas ou aquele outro extremo que me fazia desejar arrancar fio por fio de seu cabelo. Estava com os pés no lago, e atirando pedrinhas na água quando ele chegou correndo com seu irmão caçoando dele por ela ter dito na frente de todos que ficou com ele por pena. E naquela noite depois de muito tempo, dormi ao seu lado. Aquela foi a primeira noite que ele chorou por ela, e tardiamente descobri que seria apenas a primeira de muitas.

Eu já tinha dezessete anos quando me olhei no espelho diversas vezes naquele mesmo dia; vestindo um vestido acinturado lilás. Coloquei minha jaqueta jeans velha e me admirei no espelho – mais uma vez. Sai correndo logo depois quando me dei conta da hora que era.

Minha tia Kurenai me parou olhando para mim de cima a baixo.

— Hey mocinha?!?

— O que foi Kurenai? Eu estou atrasada. – disse impaciente.

— Eu sei, – ela sorriu gentilmente. — mas precisa de mais uma coisinha antes de ir. 

— Ah é? – questionei desconfiada. — O que é então?

Kurenai tirou do bolso um batom rosa, não muito forte e passou nos meus lábios, e em seguida tirou o elástico que prendia meus longos cabelos índigos. Sorri com a sua atitude e voltei a correr.

Aquele dia seria o primeiro dia no 3° ano, eu tinha ótimas notas, estava no clube de pintura e jornal. Minha vida acadêmica era impecável, mas, a social deixava muito a desejar, como Kurenai adorava ressaltar. Sempre dizendo que deveria me divertir mais e não resumir meu tempo aos estudos. Respirei fundo e mesmo sendo uma superstição boba que eu e Sasuke iniciamos no primeiro ano do colegial, entrei com pé direito no Konoha Way School, 

ainda desejando que assim como todos os anos, ele estivesse ao meu lado.

Me apressei para chegar no meu armário, tendo certa dificuldade em conseguir abrir aquele maldito cadeado. Konan Haruno habitualmente já vestia seu traje de líder de torcida, mascava um chiclete e tinha todos os seus clones apostos para enaltecer seu elevado ego. Enquanto pegava meu livro no armário, escutei – como sempre – ela falando mal de mim. Não demorou para a garota cruzar os braços e encostar no meu armário, franziu a testa me olhando de cima a baixo.

Forever and Ever - ItaHinaSasu | DEGUSTAÇÃOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora