Para cada vida, há um propósito, e para cada propósito, uma vida. Não se vive sem conhecer o seu propósito, e não há propósito em apenas subsistir. Um está diretamente ligado ao outro.
Agdora foi para Betty o sonho de princesa que ela jamais conseguiria sequer imaginar. Sua adaptação foi rápida e contínua. Betty mergulhou tão fundo em Agdora que foi como se seu verdadeiro espírito tivesse incorporado seu nobre tabernáculo, em tal nível que ela já não se reconhecia com seu nome de nascimento. Foi então que nasceu das nuvens nevoentas a clareza de uma rainha, cuja majestade jamais foi descrita por palavras, e seu novo nome ecoava pela Ilha de Fogo como o timbre da nota do amor e da pureza. Maximiz era seu nome.
***
Algo mal compreendido é que o amor não tem fim, mas a vida sim. Pelo menos a humana; e isso permanece até hoje imutável.
Minha vida teve tão novo sentido com Maximiz que já não me importava observar o calendário humano, seguindo apenas a evolução de sua idade.
Aos vinte e dois anos a rainha deu a luz ao nosso primogênito. Prímius foi seu nome. Entretanto, para amargura e dissabor de nossos corações, Prímius viveu apenas trinta e seis horas de uma vida que deveria ser eterna. Trovões cobriram Agdora, e nosso povo conviveu com o frio intenso do Círculo Polar pela primeira vez em séculos. A Ilha de Fogo apagou por exatos nove dias, e durante todos eles, sem sequer me dar o privilégio de refeições, tentei exaurível e veementemente trazer nosso pequenino de volta à vida. Passados os nove dias encontrei-me com minha rainha sem forças para fitar-lhe os olhos. Minha magia fora forte o suficiente para criar uma ilha flutuante e alimentá-la por séculos; forte o suficiente para trazer vidas extintas de volta, mas não forte o suficiente para reunir a alma de nosso pequeno Prímius. A fauna, a flora e as criaturas de Agdora deitaram lágrimas de consolo, mas não fora o suficiente. As Belfa-Lías brotaram flores para cada lágrima derramada, e ornamentaram o passadiço de Alcácer, mas não fora o suficiente.
A majestosa Maximiz, após o nono dia do luto, ergueu-se cheia de luz, apesar dos olhos fundos do choro, e me elucidou. Agdora voltara a queimar em chamas novamente e a esperança agora compartilhava do nosso lar. Para cada vida, há um propósito, e para cada propósito, uma vida. Havíamos encontrado o propósito da vida de Maximiz em Agdora, mas, ainda não havíamos descoberto o propósito da vida, ou morte, de Prímius.

YOU ARE READING
Agdora de Hierofante: A Ilha Flutuante de Fogo do Círculo Polar Ártico
FantasíaO ano de 2022 reserva a revelação dos maiores segredos para a humanidade: A fantasia é real. O homem, movido pela ganância com seu espírito destruidor e aventureiro desbrava a trilha em direção a Marte, pois a Terra tem seus dias de vida contados. T...