Sem bilhetes

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Suga não estava nervoso. Definitivamente não iria admitir isso. Não se sentia inseguro com toda essa história de encontro. Não estava enferrujado. Já fazia 6 anos desde a última vez que tivera um relacionamento, mas isso não significava que tinha esquecido do básico.

– Papa... Quanto tempo você vai ficar olhando para essas roupas? – Quis saber Shoyo, mirando o seu pai com irritação – Iremos nos atrasar!

– Eu só estou escolhendo que roupa devo vestir...

– Você disse isso de manhã e agora já é quase hora do almoço! Quero comer lasanha! – Reclamou a criança, batendo os pés no chão e saindo do quarto, abandonando o seu progenitor e sua pilha de roupas a serem escolhidas.

– Ele está certo, sabe? – Uma voz opinou, voz essa advindo do celular de Sugawara que estava estrategicamente posicionado sobre a cabeceira da cama. Se podia ver na tela o rosto de um jovem de cabelos curtos castanhos e olhos de igual coloração. Havia um sorriso provocador expresso em seus lábios, como se ele tivesse se divertido com toda aquela situação...O que de fato ele deveria estar.

– Yaku, você deveria me ajudar... – Resmungou Suga ao melhor amigo.

– E eu estou ajudando fazendo uma crítica construtiva. Meu querido afilhado está certo: você está passando demasiado tempo na escolha do modelito ideal. E sejamos francos, Suga-san, para quê gastar tanto tempo em algo que...Bem...Será descartado? Quando você e seu alfa estiverem "entretidos", as roupas serão mais um obstáculo do que um acessório a ser levado em consideração.

– Yaku! Eu e Daichi...Não iremos... – Hesitou, sabia que seu rosto devia estar todo vermelho e Yaku deveria estar vendo.

"Eu não devia ter optado pela vídeo-chamada! Eu devia ter apenas ligado! Ou melhor, nem ter feito isso!".

– Não irão ainda. – Corrigiu Yaku com um sorriso nada inocente nos lábios.

– Ou talvez não iremos nunca! Digo, talvez toda essa história de almoço seja apenas isso um simples almoço. Uma confraternização entre pais...

– Pais solteiros que trocaram bilhetinhos românticos por mais de um mês? Já imagino o tipo de confraternização que esse tal de Daichi está planejando...

– Yaku!

– O que? Estou mentindo?

Suga soltou um longo suspiro.

– Eu não quero criar expectativas, sabe? Não costumo ser o tipo de cara que se apega a ilusões... Não posso fechar os olhos para o fato de eu ser o que sou.

– Um ômega sexy cheio de amor para dar?

Suga teve que rir daquela descrição.

– Não...Um ômega pai solteiro... Normalmente esse simples fato já é o suficiente para assustar qualquer alfa interessado.

– Suga-san, você que eu vá aí te sacudir e te dar um soco na cara?

Sugawara sabia muito bem que aquilo não era uma ameaça vazia. Morisuke Yaku poderia fazer exatamente isso. Seu melhor amigo podia ser baixinho, mas o que lhe faltava em altura ele compensava em sua forte personalidade. Yaku estava pronto para enfrentar qualquer obstáculo.

– Não use sua paternidade como uma desvantagem! Na verdade, devia ser um filtro! Só alguém que realmente vale pena investir continua mostrando interesse... Aqueles covardes que fogem com simples menção de um filhote são indivíduos irresponsáveis e canalhas. Inferiores a insetos e que devem ser esmagados.

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