Capítulo 12 - NICOLE

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— Qual sua ambição na vida, senhorita Dantas? — a apresentadora do concurso perguntou com um sorriso congelado no rosto sem marcas que foi cirurgicamente modificado para aparentar ser mais jovem, não permitir que apareçam traços da sua verdadeira idade.

Nesse mundo de concursos a beleza natural adquirida pelos anos não prevalece. Insistem em levantar a bandeira de aceitem o seu corpo, mas nós sabemos que não ganha troféu. Não leva o tão querido e desejado prêmio.

As bonequinhas montadas no palco expondo a perfeição de uma mulher é a prova do que falo. Muitas aqui odeiam seu próprio corpo os achando imperfeitos. Feios. A próxima cirurgia sendo marcada, a dieta planejada.

— Minha ambição de vida é... — a resposta que tenho costume de usar nesses concursos fica presa na garganta quando meus olhos voam para minha mãe na primeira fileira se abanando com seu leque tendo certeza que a filha, no caso eu venceria novamente mais um concurso, passam por Amanda saindo com um rapaz que reconheço ser o namorado de uma das finalistas e param no meu namorado Jeremih entediado olhando para a tela do celular.

Flashes, holofotes, câmeras direcionados para mim como se eu fosse um animal preso na jaula em uma exposição. Não queria estar aqui, mas mamãe conseguiu me convencer falando que faria bem e traria fundos para o centro juvenil que dou aulas. Ela inclusive só permite que continue indo até lá para dar aulas por que aos olhos da sociedade é uma boa ação, ganharia pontos com os jurados.

Eu retorno para a apresentadora que aguarda minha resposta. Ela não cansa de sorrir? Talvez seja o excesso de procedimento estético. Mamãe também adora pequenas doses de uma falsa juventude.

Abro meu sorriso ensaiado e olho para a câmera.

— Ajudar minhas crianças e fazer a diferença por meio do balé... — deixo a parte inicial do discurso "ser feliz" de fora e continuo como foi praticado. Escondendo a verdade de que não estou feliz.

As palavras saem da minha boca como um roteiro e eu que sou a atriz principal só consigo pensar...

Não queria este cabelo perfeitamente arrumado.

Não queria essas jóias reluzentes.

Não queria maquiagem impecável.

Não queria usar este salto alto.

Não queria este vestido apertado do estilista famoso.

Não queria participar de concursos onde a beleza de cada mulher é julgada.

Eu só queria para de me sentir incompleta. De me sentir inútil.

Estou perdida nesse mar de pessoas vazias. Eu quero ser feliz.

A canção tocando no carro me levou para uma época distante, poderia ser a trilha sonora do que vivi e muito presencie. Tudo sendo relatado naqueles poucos minutos numa letra que é um choque de realidade.

Pretty hurts

We shine the light on whatever's worst

Perfection is a disease of a nation...

Padrões emitidos por uma sociedade que destroem garotas sonhadoras e inocentes as desafiando até chegarem ao seu pior momento por não se adequarem em crenças generalizadas sobre ser feminina. As transformam em estereótipos.

Canto por ter me libertado dessa beleza que machuca. Canto por minha liberdade conquistada.

Você está feliz consigo mesma?

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