O alvo

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*GATILHO PARA ABUSO SEXUAL E VIOLÊNCIA*

BIANCA

Bianca abre a porta do galpão abandonado, caminha lentamente entre poças de água e dos raios de sol que invadem o lugar pelas grandes janelas com vidros quebrados. No centro do galpão, há um homem e uma mulher, sentados de frente um para o outro, vendados e amarrados. A mulher parecia adormecida, mas o homem estava agitado. Bianca para entre eles e observa.

O homem sabe que tem alguém ao seu lado, está há dois dias sem comer ou consumir água. Bianca tira a mochila das costas e a abre, o som do zíper significa água e comida para o cativo, ela coloca a garrafa de água na boca do homem, que bebe desesperadamente. Bianca mantém esse ritual há semanas, quando o homem beirava o desespero, recebia água e comida, num ciclo interminável, cruel e metódico.

A mulher desacordada leva um tapa no rosto, o homem ouve o estalo e a ouve resmungar, quando a jovem percebe o lugar em que está, começa a gritar desesperadamente por ajuda, os berros ecoam pelo galpão. Bianca vai até o homem e tira a venda, ele abre os olhos com dificuldade, após semanas a usando constantemente, força a visão, sente a dor de cabeça subir rapidamente, mas consegue ver um vulto em sua frente.

Bianca é paciência, o espera se adaptar a claridade enquanto assobia. Depois de um tempo, o homem consegue ver Bianca que está em na sua frente, ela sai do seu campo de visão e ele enxerga uma mulher familiar amarrada na cadeira, a princípio ele custa a acreditar no que vê, porém uma marca de nascimento no braço revela que ele estava certo, sua companheira nas últimas horas era sua filha:

- Caroline! - Ele grita!

A mulher para de gritar, aquela voz era conhecida, não tinha percebido até aquele momento que o homem que reclamava era seu pai. A maneira como ele chamou o seu nome era único, não tinha como ser outra pessoa. Mesmo com a voz paterna próxima a ela naquele momento difícil, Caroline volta a gritar desesperadamente.

Bianca pega uma fita adesiva na mochila e coloca na boca de Caroline e quase a sufoca. O homem ouve o grito reprimido da filha e começa a se debater na cadeira presa no chão, ela é de metal, pesada e fria. Os movimentos machucam mais seus tornozelos e pulsos feridos que estão em carne viva na região das amarras. Ele implora aos prantos para a cruel sequestradora liberte sua filha.

ROMERO

Foram anos vivendo nas sombras, a polícia nunca o achou, mas aquela mulher o fez com habilidade. Fazia 15 anos que Romero fugia, matou uma família friamente, após um acidente banal de trânsito. O motorista, bateu na traseira do seu carro suavemente, mas foi suficiente.

Romero saiu do carro com a arma em punho, não falou nada, apenas atirou na cabeça do motorista, o sangue voou na esposa no banco do carona que ficou em estado de choque, ela levou um tiro no rosto. Em seguida, o homem descontrolado observou as crianças no banco de traz, as duas estavam paralisadas, um garoto de 12 anos e uma menina de dez. O irmão mais velho levou um tiro na cabeça e a irmã que tentou sair do carro, foi baleada nas costas.

Foi uma ação rápida e cruel, os outros motoristas sem entender de fato o que ocorria, tentaram fugir, foi uma confusão, até a polícia chegar e encontrar o banho de sangue. Romero aproveitou o caos e fugiu.

Romero sabia que o dia do pagamento chegaria, mas não imaginou que seria em Terra. Bianca observa o desespero do homem e tira uma arma da mochila, aponta para Caroline que chora desesperadamente. Romero começa a gritar, Bianca dá dois tiros a queima roupa no peito da mulher que agoniza por alguns minutos e morre. O sangue de Caroline escorre do seu corpo e cai no chão, cria uma poça cor vermelho escuro que cria caminho pelo chão.

Quando Caroline para de respirar o homem paralisa, ele também para de respirar, não consegue se mover. Bianca vai até a mulher morta e a observa de perto e sorri. Romero vê a satisfação na expressão de Bianca. O sangue de Caroline chega aos pés descalços dele que sai da paralisia inicial e começa a gritar ameaças. Bianca vira o olhar para ele e se aproxima, sem expressar o próximo passo, bate com a arma na cabeça de Romero que apaga.


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