A prova

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Não está nas rugas de expressão
Nem nas forças que se vão
Sei que ainda é cedo para isso
Mas confesso que me empreguiço
E uso isso como razão

Não está nos cabelos que ficaram brancos
Até porque ainda não os tenho,
Nem nas trocas de nomes
Mesmo que já me aconteça
Com alguma frequência
Não é demência é apenas convivência

Descobri hoje a prova de estar a crescer
Hoje falaram de ti
E de repente o meu coração já não quis doer
Quando ouvi uma canção
Já não foste tu a quem a liguei
E até confesso que pensei que
não haveria mais ninguém

Cresci, estou a envelhecer,
Não pela idade,
Mas porque a vaidade já não é tudo.
Aprendi que nada é absoluto,
E que o amor, quando verdadeiro,
Deixa partir,
E fica tudo bem,
Mesmo quando não está.
Dói um pouco menos todos os dias,
E as memórias que fizemos são apenas fotografias
Num álbum ou num baú.
Dou por mim a recordar os tempos em que pensei que eras mesmo tu.

Deste bons poemas
Escrevi-te tantas canções
Nunca ousei usar esquemas
Era simples e sincero
Já passou amor,
Já foi
Já fomos
O que havia para se ser

Nem Romeu e Julieta
Sobreviveriam,
Quanto mais nós.
Somos agora uma história para contar,
Aqueles que nem sabiam de nós,
De quando
Palavras soltas,
Sem sentido algum,
Faziam todo o sentido ditas por alguém como tu.

Desconhecer-teHistórias para pegar e não largar. Descubra agora