Capítulo 7 - Rafaela

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Eu não sei o que deu em mim, confiar num estranho assim, mas a impressão que eu tenho é de que o conheço a vida toda, ele apareceu em uma moto, era antiga daquelas que vemos em filmes de sessão da tarde.

Isabel vai rir de mim quando eu contar o que aconteceu, ela sempre ria de mim por ter medo de arriscar qualquer coisa e aqui estou na garupa de uma moto com desconhecido, extremamente gato e cheiroso, eu poderia passar o resto da minha vida assim, junto a ele, foi muito bom poder sentir o vento no meu rosto.

Não que seja assim completamente maluca, dei o endereço para o motorista do meu avô e pedi para ele não contar nada por enquanto, assim ele nos seguiria discretamente, vai que esses olhos lindos mudem o lugar combinado, enquanto isso vou aproveitar cada momento, será que isso é amor a primeira vista?

Quando chegamos a sorveteria estava cheia de gente, todos nós olhavam, acho que nossas roupas não eram adequadas para uma sorveteria, ele segurou a minha mão e me puxou para os fundos da sorveteria, havia um senhorzinho de aparência oriental.

- Boa tarde seu Toshiu, essa é a Rafaela trouxe ela para provar o melhor sorvete da cidade.

- Ah menino Leo, está todo bonito, parece um doutor, podem subir para o terrario que eu levou uma surpresa pra vocês, você não vai arrepender mocinha.

Então o nome dele era Leo, nós seguimos por uma escada até a parte de cima da sorveteria, passamos por um corredor cheio de flores, que se estendia para uma área aberta onde havia também uma horta bem cuidada e uma área coberta com sofá e um violão.

- Bonito né? Eu sempre venho pra cá quando quero fugir um pouco do mundo, faz eu me lembrar da minha casa sabe?

- Você não é daqui?

- Não, do interior, vim pra cá pra fazer faculdade, esse ano me formo em direito, conheci o seu Toshiu no primeiro assim que cheguei aqui e como ele não tem família acabou me acolhendo e me deixa ajudá-lo com as plantas ao menos estou com as mãos na terra.

- Mas se você gosta de trabalhar na terra, porque direito?

- Era o sonho do meu pai, ter um filho doutor advogado e cá estou.

Fomos interrompidos por seu Toshiu que trouxe duas taças com sorvete, ele parecia feliz, piscou para o Leo e saiu.

- Eu adoro sorvete, antes eu só podia tomar em ocasiões especiais.

- Como assim? Em ocasiões especiais?

- Eu cresci num colégio interno e lá tínhamos uma dieta bem balanceada, sorvete só no Natal e aniversário, mas isso é tão bom!!!

O sorvete realmente era muito bom, o melhor que eu já havia tomado em toda a minha vida, ele sorriu e falou.

- Eu disse que era o melhor, posso? - ele falou aproximando a mão do canto da minha boca - Tinha um pouco de sorvete.

Por um segundo eu achei que ele iria me beijar, meu coração quase parou, eu nunca fui beijada antes, esse é o segundo rapaz com quem converso depois do Marcos.

- Então você sempre trás garotas aqui?

Ele começou a tossir, acho que não esperava a pergunta.

- Na verdade você é a primeira pessoa que trago aqui, sério não faz essa cara, pode perguntar ao Senhor Toshiu, você não viu o sorrisinho dele? Eu tinha um plano de vir pra cá estudar, sem distrações e voltar pra casa para trabalhar na fazenda junto com meu pai, era o meu plano até hoje. E você e o tal de Marcos tem alguma coisa entre vocês?

- O Marcos? Não! Ele trabalha com o meu avô e somos amigos, eu tenho uma melhor amiga que também é fazendeira, mas férias costumávamos viajar juntas para lá. - Ele me olhava de um maneira tão linda, minha vontade era me jogar em seus braços, mas me olhei para o relógio e continuei- Preciso ir.

Me levantei, ele segurou a minha mão e falou.

- Eu fiz algo errado?

- Não foi nada, eu é que preciso ir, meu avô ficará preocupado. - Ele também levantou e estava muito próximo, acho que ia me beijar e eu coloquei minha mão em peito tentando impedir. - Por favor não, eu gostaria de ir com calma, eu nunca beijei ninguém e não quero o meu primeiro beijo seja com alguém que não conheço.

- Eu entendo - Ele falou dando um passo para trás - Então podemos nos ver outra vez? Para que você possa me conhecer melhor e ver que eu sou um cara legal.

Ele ainda quer me ver mais uma vez, ele pegou um caderninho e uma caneta que estava perto do violão e me deu um endereço.

- Me encontra aqui amanhã às 21h é um barzinho karaokê.

- Fiz que sim com a cabeça, ele beijou a minha mão e fui embora.

Cowboy (COMPLETO).Onde histórias criam vida. Descubra agora