As portas de madeira lustrada e decorada de ouro se abriram a um único movimento dos guardas. Dentro do escritório estavam os gêmeos sentados em poltronas e Ludiel atrás da mesa.
— O que houve Luize? — A voz de Ludiel estava calma mas séria.
O silêncio perpetuou enquanto a jovem mordomo tentava normalizar a respiração.
— Ania.. — Os olhos de Ludiel já possuiam sua total atenção. — Ela precisa de sua ajuda Senhor.
Nas mais foi dito e em um piscar ele não estava mais na sala. Se algo tivesse acontecido com sua Princesa ele não hesitaria em liberar toda a tensão que se instalava em seu corpo.
Seus passos pelos corredores eram rápidos, precisos e mortais. Todos estavam acostumados a manter distância de seu Senhor pois ele sempre fora assim. Apenas era diferente em frente a pequena ruiva.
As portas da sala se abriram com força por Ludiel mas ele parou sobre o batente quando viu o que acontecia.
Segurou seu riso e perguntou.
— O que pensa que está fazendo Princesa? — Ele apenas encara ela com os olhos divertidos e um sorriso ladino em seus lábios.
Ela estava deitada no chão com os cabelos todos bagunçados e o rosto cheio de saliva da loba que insistia em ficar acima dela.
Ela se debatia rindo das cócegas tentando tirar a loba dourada de cima, mas era muito pesada e não hesitava em brincar com a Jovem.
— Lu..Ludiel — ela tentava dizer ao distanciar o rosto da Loba. — Me ajuda !!.
Ele apenas riu soltando uma gargalhada gostosa aos ouvidos da Jovem e a Loba dourada levantou sua cabeça para fitar o homem parado na porta.
O animal apenas lhe encarou por alguns segundos e soube seu lugar, distanciou-se da Jovem com a cabeça abaixada e as orelhas curvadas em sinal de submissão.
O homem chega próximo a ruiva e a ajuda a se levantar. Ela limpa o rosto nas mãos e ri pela saliência em suas mãos.
— Está tudo bem Princesa? — ele passa as mãos por seu cabelo fazendo carinho nos fios ruivos como vinho.
— Estou sim Ludi, mas ela me deu um susto quando Luize e eu estávamos no piquenique. — Ela olha para a Loba que agora estava deitada no tapete os olhando atentamente.
Ele fita o animal em repreensão por assustar sua dama e ela solta um muxoxo e deita sobre as patas ignorando-os.
Sua atenção volta para a Jovem ao seu lado. Ela estava calma enquanto aproveitava o carinho que ele fazia.
— Esta é minha irmã mais nova Ania. — Ele apresenta a Loba que fica novamente de pé. Quase do tamanho da Jovem. Deveria ter cerca de 1.50 apenas estando de quatro. Isso assustava a ruiva.
— Irmã? — Ela murmura ao notar o parentesco com feras.
O silencio prossegue e ela apenas encara os olhos verdes da Loba. Um déjà vu paira sobre suas lembranças ao ver a marca do lírio mas não lhe recorda de nada.
— Bem Princesa, preciso retornar para resolver algo , estará segura enquanto estiver com ela. — Fala ao apontar para a Loba, ele beija as mãos da Jovem que cora com a ação e concorda. Ele as deixa sozinhas enquanto retorna ao escritório.
Algo o preocupava.
A sensação de que alguém estava o espionando não sumia de seus sentidos. Algo estava vindo e ele não sabia se seria algo bom ou ruim.
Um sorriso surgiu em seus lábios ao se lembrar de sua irmã brincando com sua garota. Agora pelo menos não precisará ficar preocupado com a segurança e nem fuga de sua Princesa, já que sua irmã era uma das mais velozes Lobas em seu território.
As roupas a deixavam confortável. Era algo próximo de roupas de montaria. Caminhava calmamente ao lado da Loba e de Luize. Depois de comer doces que a mordomo pediu elas decidiram sair para brincar.
Luize insistia em dizer o que a Loba gostaria de falar, como se entendesse as linguas de animais. Ania ria toda vez que sua amiga traduzia os grunhidos da Loba dourada. Ao que parecia o animal queria correr com Ania em suas costas, mas a Jovem tinha medo então apenas queria brincar com suas amigas.
A tarde chegou rápido e a Loba andava rumo a mansão frustrada por não ter conseguido o que queria. Luize caminhava ao seu lado tentando conforta-la e Ania caminhava devagar admirando as flores do Jardim.
Rosas brancas e vermelhas desabrochavam para a noite que viria. A luz alaranjada do sol tornava o espaço acolhedor, a brisa parecia querer envolve-la e bagunçar seus cabelos. Ela olhou para a Loba e Luize que adentravam a estrutura , logo seria a hora do jantar.
Foi quando ela sentiu uma respiração quente próximo a curva de seu pescoço.
Aquilo a arrepiou.
Permaneceu paralisada onde estava . Alguém estava atrás dela !
A sombra no chão mostrava ser alguém muito maior que cobriu a dela totalmente. Aquilo fez seu coração gelar. A voz estava próxima ao seu ouvido e parecia se divertir com sua situação quando disse.
— Continua tão bela quanto essas Rosas ...
Ela já tinha ouvido aquilo. Quando reconheceu Ludiel, mas não era ele quem sempre dizia esta frase. Seus pulmões se inflarão com esperança de ser aquela pessoa que a tempos não via. Tentou virar rapidamente para trás mas a única coisa que viu foram as roupas escuras antes de receber um peteleco na testa.
Aquilo era algo que apenas ele fazia também. O único que era atrevido e debochado de sua cara quando criança.
Ela tentou olhar para ele novamente mas não estava mais ali.
— Lu.. Lucius ? — hesitava em chama-lo mas ele não estava ali.
A jovem se recompôs ao escutar a voz de Luize a chamando, mas não iria esquecer daquela presença tão rápido.
Ele a observava de longe. Do alto de uma arvore ele olhava aqueles incríveis cachos vinhos que tanto amava. Sua princesa havia voltado e agora uma disputa por sua atenção parecia ter sido iniciada.
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Um reencontro de Eras !!
WerewolfEssa história conta sobre uma garota em particular que deixou de acreditar em lendas quando era pequena, cresceu e superou todas as dificuldades com garra e coragem. Porém um certo alguém lhe faz ter certas lembranças que nunca aconteceram, e ela s...