All You Need Is Love

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Sinopse: Jade acreditava que já era ruim o suficiente seu pai ter se casado novamente, mas sente que a situação familiar vai ficar ainda pior, assim que a mãe anuncia matrimônio com o namoradinho. Ela terá de usar vestido elegante, ficar sentada num banco de igreja durante horas, e responder perguntas de convidados idiotas. Jade acredita que esse é o pior momento, até perceber que tem alguém que está sempre com ela em primeiro lugar.

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— Eu e Bratt vamos casar! — A mais velha disse, um pouco tímida, agarrando o braço do noivo, enquanto ambos sorriam para a filha/enteada. Beck abraçou a garota ao seu lado com força, para que ela não corresse e estrangulasse o casalzinho feliz. Os olhos dela faiscavam, o rosto adquiria um rubor doentio a cada risadinha da mãe. As outras pessoas da família levantavam-se do sofá para felicitar os noivos, enquanto Jade mirava a mulher com ódio e repulsa. Seu irmão permaneceu sentado, com o queixo encostado na mão do braço inclinado, seu rosto indicando um alto desapontamento.

 Jade andou dois passos até a mãe, e sentiu vontade de cuspir em sua cara. Queria arrancar seus olhos, pinicar suas sardas em um hambúrguer de cebola e cortar seus seios com alguma tesoura especial. Queria correr e socá-la, dizer o quanto a odiava por aquilo, queria matá-la. Queria morrer, queria chorar, mas não queria fazer nada disso só por ela. Não correu. Apenas caminhou apressadamente, subindo as escadas até o quarto. Seu irmão, Lennin, olhou para Beck e fez-lhe um sinal para que subisse também. O moreno concordou, chegando lá em poucos segundos.

— Jade, ela... —Pretendia começar um discurso de consolo, mas percebera que a namorada não estava em seu quarto. — Jade? — Virou o pescoço para o outro lado e notou que ela estava no quarto da mãe, jogando os álbuns de fotografias, pela janela. — Jade.. Não!

— Ela tem que morrer. Desgraçada, vagabunda, mentirosa! — Engoliu de volta umas lágrimas nojentas e teimosas, que queriam escorrer.

— Amor, deixa isso. Calma... Jade... Jade. — Tentou abraçá-la, mas ela o ignorou.

— Vai embora, Beck. Você nem tinha que tá aqui vendo essa velha babando no namorado cretino. Ela me dá nojo!

— Não dá não. Eu sei, você...

— Não sabe... Cala a boca! Você não sabe, vai embora, Beck! — Insistiu, querendo mesmo pedir para que ele ficasse a vida toda. Ele passou a mão pelo cabelo, pensando em como faria para não brigar com Jade novamente.

— Okay, eu vou para casa. Você... Me liga quando quiser. Ou me chama no chat. — Disse, um pouco triste e aborrecido, beijando o rosto dela.

Ela o viu se afastar sem pressa. Não queria perder seu pai, mas ele foi embora com uma senhorita jovem e gentil, bem diferente dela. Não queria perder sua mãe, mas agora ela passava quase todas as noites com Bratt, eles saíam sempre, deixando Lennin, o único e mais novo irmão de Jade, de nove anos, com uma babá, porque consideravam Jade perigosa e imprestável. Não queria perder Beck, mas estava o mandando embora de casa, estava fazendo isso com frequência, não queria que ele visse o quanto sua mãe era horrível, não queria sua piedade, não queria seu consolo, só queria sua presença.

— Beck. — Cerrou os punhos, garantindo a força suficiente para não cair nos braços dele, molhando sua jaqueta de lágrimas estúpidas e desnecessárias, como as garotinhas fazem nos pelos dos unicórnios. — Fica aqui. — Disse, mirando o teto para não falar como uma boboca pidona. Ele estendeu o braço em sua direção, para segurar sua mão. Os dois caminharam para o quarto dela, trancando-se lá por alguns infinitos bem pouquinhos.

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Era dia 29. De um junho horrível. Verão, calor feio, cheio de pessoas suadas, com rostos cobertos de protetor solar grudento. As garotas todas fazendo cortes de cabelos bem modernos em estilo chanel, a molecada implorando por sorvetes depois da escola, um monte de gente nas praias, fazendo carinho em golfinhos... Ugh! Golfinhos...

One-shots BadeOnde histórias criam vida. Descubra agora