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Como em sua frequência nem tão frequente, o moreno despertou primeiro, em um dia de sábado, cujo sol era intenso, mas não alcançava o quarto do casal, pois as janelas estavam restritamente fechadas com as cortinas pretas, possibilitando um ambiente ainda escuro, como ela gostava... Pensando nela, virou-se para o lado e a admirou adormecida, no seu sono profundo que já a tanto observava... Mirou o papel amassado, amarelado e dobrado em sua mão. Assim, nessas qualidades rimadas, a folha continha um poema. Provavelmente o único que ele já escrevera, anos atrás, afim de conquistar a adolescente complicada. E o poema fora uma das coisas que ela quis rever, pois era antigo e uma das poucas coisas que já guardara por tanto tempo. Os dois haviam passado a noite anterior relembrando até tarde, os momentos juvenis de seu romance, rindo muito, mas baixinho, para não acordar a criança que dormia no quarto alguns metros adiante do cômodo do casal. Sorrindo levemente, ele retirou o papel da mão da esposa, relendo mais uma vezas palavras nada experientes que lhe escrevera.

Flashback on

— Cat! Você está morta, garota! — Jade gritava com a ruiva, que corria da amiga nitidamente insatisfeita.

— Ah, meu Deus... — A jovem sussurrou, suspirando de alívio por ter conseguido sair do campo de visão de sua amiga enfurecida. — Oi, Beck! —Puxou o rapaz que atravessava o corredor, ainda aflita. Ele havia chegado na Hollywood Arts há apenas dois meses e Cat não sabia se era pra ele que deveria pedir ajuda.

— Oi. — O moreno sorriu.

— Você pode me ajudar? Por favor?! Por favor! — Suplicava, pondo as mãos preocupadamente em sua cabeleira extravagante.

— No quê?

— É a Jade! — Disse, e ficou contente por ele não parecer assustado. — Noite passada ela dormiu na minha casa e eu acabei pintando as meias pretas dela de rosa, e aí, ela teve que vir para a escola com as meias rosa, e aí... —Cat deu uma pausa, muito histérica. — Ela está muito, muito triste comigo.

— Triste? — Ele duvidou.

— Quer dizer... Na verdade, ela está muito brava! — Cat balançou os braços, apavorada. — E quer... Fazer alguma coisa muito ruim comigo.

— Entendo. — Beck assentiu, ainda não compreendendo a finalidade de ser chamado para ajudá-la.

— Então, você pode enganar ela e levá-la para outro lugar? Por favor... Eu tô com medo de ir para a minha sala. — Extremeceu a ruiva.

— Não sei, ela não gosta muito de mim.

— Ela não gosta de muita gente, acredite... Mas você precisa me ajudar! Por favor, não sei se tenho tempo!— Choramingou, unindo as mãos.

— Ok... — Ele falou e ouviu um grito agudo de agradecimento. — Se esconde no armário do zelador e quando a Jade passar eu tiro ela daqui e você pode ir para a sua aula.

— Kay. Obrigada! — Cat sorriu, entrando no local, mas não sem antes sussurrar um "você é corajoso".

O jovem se encostou na parede e cruzou os braços, até avistar a garota, andando apressadamente e com uma expressão nada amigável.

— Jade! — Disse alto, para alcançá-la, segurando-a pelo braço.Os olhos enfurecidos da garota assustariam qualquer ser vivo, mas incrivelmente, ele não se viu nesse estado.

— O que é?! — Gritou zangada e ficou ainda mais ao perceber que ele saíra correndo. Livrou-se de sua mão, bufando.

— Então, eu ainda estou perdido com meus horários, e achei que... Se tivermos aulas juntos, você... Poderia me ajudar?

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