Capítulo 7

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Feliz natal atrasado!!! Desculpem a demora, e obrigada pelos 209 leitores! o/

E depois de tanto tempo, o dia finalmente amanheceu. Uma alegria descontrolada atingiu meu corpo como um choque assim que me lembrei da noite passada, de Luke e do beijo. Ah, o beijo... Pela primeira vez em anos eu sentia que nada podia me abalar, aquilo foi tão bom, acolhedor, inesperado e ao mesmo tempo desejado, diferente e perfeito. Tinha vontade de sair gritando pela rua apenas de pijama, isso não seria nenhum problema mas... As pessoas devem se perguntar porque ficam tão felizes com apenas um beijo, simples, o beijo é a resposta das incertezas, é a comprovação do amor, é o remédio para as dores incuráveis, a  esperança de que virão outros e o motivo para continuar sorrindo.

 Levantei como se flutuasse, fiz tudo que precisava e decidi ir a pé para a aula, tudo parecia radiante... No fim do corredor o encontrei, fiquei parada enquanto ele se dirigia a mim com pressa, comecei a ficar nervosa, ele sorria como nunca o vi sorrir antes.

-Hey... Clary! Tudo bem?- Ele parou bem próximo a mim . Afirmei com a cabeça- Olha... Sobre o que aconteceu antes de eu ir embora...- Senti meu rosto corar- Eu...- Coloquei um dedo nos lábios dele, fazendo-o se calar,  dei um beijo em sua bochecha, mas antes de sair rumo a sala ele segurou minha mão, fazendo-me olha-lo- A gente se vê depois no meu armário tudo bem?- Afirmei novamente.

Ele se afastou mas logo depois voltou e colou os lábios no canto da minha boca. Ouvi longe um grito enfurecido de Ashley... Sorri vitoriosa, o sinal tocou e a aula de filosofia começou. O tempo parecia voar e por mias que prestasse atenção na matéria, todos meus pensamentos me levavam a Luke.  O sinal da ultima aula tocou, fui uma das ultimas a sair, o que me deixou apressada, chegando ao corredor onde se encontrava o armário de Luke, toda a alegria que sentia se foi.

Luke

Estava arrumando as coisas no me armário, esperando Clary aparecer, acho que realmente gosto daquela garota, ela me mudou completamente depois que a conheci, não sou o mesmo cara, sou uma versão muito melhor. Mas infelizmente, para meu desgosto, encontro Ashley encostada no armário ao lado com uma mini blusa de um decote que mostrava quase seus seios, ela cheirava a um perfume enjoado de flores, olhava fixamente para mim com um ar sedutor. Queria poder sair dali, mas Clary ainda não chegara.

 -O que você quer Ashley?- perguntei sem olha-la

-Quero te dar o melhor- Respondeu melosamente. Meus olhos se voltaram a ela

-Como assim?

-Quero te dar o melhor, ou seja, eu.- Ela me puxou encostando-se nos armários, agarrou minha nuca e começou beijar-me. E por mais que eu tentasse, estava preso ali e a aquele beijo.

Clary

Vi Ashley e Luke num beijo meloso, pareciam estar ali a algum tempo e ele nem ela tentavam se afastar, até que Luke parou o beijo e olhou para mim, ele tentou vir para cá mas Ashley o segurou e voltou a beija-lo . Novamente o sabor amargo das lágrimas me invadiram, como ele pôde fazer isso depois de ontem? Por que eu? Eram perguntas que rodavam minha mente desordenadamente. Saí dali o mais rápido possível sem me preocupar em esbarrar em alguém ou me importar com seus comentários. Afastei-me da construção rumo aos portões quando dos braços fortes me seguraram, colocando minha cabeça em seu peito, foi então que desabei a chorar, não me importava que fosse mas estava ali pra isso.

 Sam me abraçava forte,minhas lágrimas molhavam sua camisa, ele afanava minha cabeça, aos poucos fui me acalmando.

 -Calma pirralha- era o apelido que ele me dera quando criança- passou, agora vem comigo, vamos fazer você esquecer o que aconteceu ok?- Afirmei com a cabeça tentando segurar o choro.

  Ele colocou em sua moto e me levou dali em direção a uma sorveteria que ficava a quatro quadras da escola. Pediu dois milkshakes  de baunilha com granulado- era o que sempre pedíamos antigamente-, sentamos nas mesas retrô assim como era toda a estrutura.

-Ta melhor agora? Nossa...esse lugar não mudou nada! Lembra de quando vínhamos aqui pedir chicletes de graça e o dono nos dava aquelas balas horríveis?- Eu ri e ele também,  agora me sentia um pouco melhor, peguei o celular e lhe mandei uma mensagem.

"Obrigada!"

-Não precisa agradecer! Não gosto de ver minha pirralha chorar"- Minha pirralha.... Aquelas palavras não saíam da minha cabeça.

Ele pagou a conta, depois de conversamos um pouco e de eu recusar a contar o que aconteceu, e me levou pra casa. Despedi-me com um beijo em seu rosto e um sorriso, ele colocou o capacete novamente e sumiu na estrada...

Não fui trabalhar aquela tarde, e depois de receber várias mensagens de Luke pedindo desculpas, falando que não era culpa dele e que ele não queria aquilo, desliguei o telefone, peguei o pote de sorvete, voltei a chorar por ter sido tão idiota a ponto de acreditar que ele gostava de mim. Dessa vez nem o sorvete ajudava na dor que eu sentia, minhas cicatrizes ficaram vermelhas- cicatrizes de uma tentativa de reprimir a depressão e a tristeza na dor... Fora o corte que quase me levou a morte, os demais geralmente não passavam de uma profundidade de 5mm, foram dois anos conturbados...- . Me sentia tentada em ir a cozinha e pegar novamente a ponta de facão quebrada, que ficava na última gaveta, atrás de todos as lembranças que guardara de meus pais, mas por acaso do destino na metade do caminho ouvi algo arranhar descontroladamente a porta.

Amor Sem PalavrasOnde histórias criam vida. Descubra agora