Essa é a história de Adam, um órfão que vive no mais pobre vilarejo da ponta sul do reino dos homens. Suas aventuras começam logo após seu aniversário de dezessete anos, quando ele começa a descobrir sobre seu passado e sobre a catástrofe que está p...
Era uma manhã fria, os montes estavam brancos e cobertos por uma fina camada de neve, na noite anterior o inverno havia começado.
Na ponta sul do vilarejo, dando boas vindas aos visitantes e forasteiros, havia uma pequena igreja feita de uma madeira cinzenta muito antiga. Sua arquitetura era comum em lugares como a capital e dificilmente seria vista em um lugar como Ornes, no entanto, ela era a construção mais antiga do vilarejo e uma das heranças deixadas pelos viajantes que iam até aquelas bandas.
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Adam acordou cedo, ele estava faminto já que na noite anterior não havia comido nada. Seus pés tocaram o gélido chão da igreja enquanto o garoto saltitava fazendo o assoalho ranger e a poeira cair no andar de baixo, assim ele foi até se encontrar sobre o tapete do quarto.
Ele era uma garoto magricela, de traços arrojados e belos, possuía uma pele morena e cabelos castanhos escuros extremamente lisos e bagunçados, seus olhos cor de mel eram grandes e bem expressivos.
- Está muito frio. - Diz ele batendo os dentes e tremendo por inteiro.
- Senhorita Helena disse para você colocar meias, foi você quem não quis obedecer. - Disse Bianna enquanto bocejava.
Ela era a única garota da igreja, tinha a mesma idade que Adam. Ela era uma garotinha pálida e rechonchuda, de longos cabelos negros e olhos pequenos, ela possuía os traços dos monges da montanhas. Era uma garota cheia de si, muito madura para sua idade.
O quarto ao qual eles dormiam era retangular com uma única janela redonda acima da escada que levava à cozinha no andar de baixo. Do lado oposto havia a velha escada para a torre onde ficavam os aposentos do padre, local também onde costumava acumular um bocado de neve que entrava pelos buracos no telhado.
Todo o quarto era infestado com um leve cheiro de mofo, por isso havia um pequeno pote com flores ao lado da cama de Bianna, elas supostamente deixavam o aroma do lugar mais agradável.
O tapete que Adam pisava era redondo, feito de retalhos e cheio de furos, ele ficava bem no centro rodeado pelas cinco camas dos órfãos. Era um quarto bem vazio, não fosse pelas camas velhas, haveria apenas o tapete, as crianças e um vaso com flores quase murchas.
Eles dormiam sobre um colchão de feno e panos velhos, usavam camadas de panos finos e roupas que já não serviam mais emendadas umas nas outras como um cobertor para fugir do frio nefasto que os atormentava nas noites de inverno.
Adam escuta o ranger das escadas que vinham da cozinha, era senhorita Helena que havia escutado a barulheira que Adam fez enquanto tentava fugir do frio.
- Adam. - Diz a mulher, sussurrando entre dentes ao mesmo tempo em que parecia querer gritar. - Não vê que Thiago ainda está doente? Não faça barulho ou irá acordá-lo!
A mulher possuía longos cabelos negros, sua pele era tão branca quanto a de Bianna, porém, ao mesmo tempo, era mais frágil. Sua beleza era equivalente a quantidade de problemas de saúde que ela trazia consigo. Em dias quentes e ensolarados ela não podia sair, pois sua pele era sensível demais aos raios do Sol, em dias frios mal podia falar sem que um resfriado forte a atingisse. No entanto, mesmo quando isso acontecia, ela não media esforços para tomar conta dos cinco pestinhas.