Estranho

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POV Elle

Notei que Noah estava estranho e distante há alguns dias. Ele estava sempre no celular, conversava pouco comigo, e quando eu me aproximava dele, ele simplesmente bloqueava a tela e guardava o celular. Eu nunca fui a mulher mais ciumenta do mundo, mas comecei a me incomodar e achar que tinha alguma coisa de errado. Ele estava BEM estranho.
As crianças nem paravam em casa para que eu pudesse pedir que descobrissem algo, então, já que meus jovens detetives estavam muito ocupados com seus estudos, namoros e esportes, eu mesma descobriria.

Tudo bem, amor? - perguntei me aproximando dele que estava no sofá deitado. Adivinha? Mexendo no maldito celular.
Oi, pequena. Tudo. - falou assustado e colocou o celular embaixo do próprio corpo. Ok. O problema era real. - Porque?
Porque eu to achando você estranho. - confessei. - Há dias se escondendo com esse celular por aí. - disse em tom de brincadeira.
Ele levantou e ficou em pé na minha frente, sorrindo.
Não tem nada no celular, amor. - Falou nervoso e no mesmo momento chegou uma mensagem, então ele guardou o celular no bolso.
Noah? - perguntei e ele me beijou rapidamente nos lábios. - Você tá me traindo?
O que? - perguntou assustado. - Claro que não!
Então porque você tá desse jeito? - perguntei quase chorando. Eu precisava entender, estava angustiada com aquilo.
Eu não sei do que você tá falando. - se explicou. - Eu tô normal.
Não! Você não tá normal! - falei alto e saí de perto dele, fui para nosso quarto. Se ele não ia me falar, eu não ficaria insistindo. Mas descobriria o que era.
Amor. - ele foi atrás de mim no quarto.
Depois, Noah... - eu já estava chorando tanto que não conseguiria falar com ele.
Ele então saiu do quarto respeitando meu pedido. Ou porque deveria ter mensagens para responder.

Pensava se ele poderia estar me traindo, ou se alguma coisa estava acontecendo e ele não queria falar pra me preocupar, ou se era alguma coisa com as crianças.
Mil coisas surgiram na minha cabeça, e de tanto pensar e chorar acabei pegando no sono, acordei já no outro dia com Ava me chamando.

Bom dia, mãe. A tia Rachel já tá no carro nos esperando. É o dia das meninas! Feliz aniversário!! - tagarelou sorrindo.
Obrigada, filha. Bom dia. - respondi e a abracei.
Logo levantei, fiz minha higiene matinal e me troquei, seguindo Ava até a porta.
Já mandou mensagem pro seu tio? É aniversário dele também.
Mandei. E vou ver ele mais tarde... Na pizzaria. - disse.
Concordei e saímos, Rachel nos esperava e notei que o carro de Noah não estava na garagem. Não sabia nem se ele havia dormido em casa. Ou se estava com alguma mulher. Não, provavelmente não estava, ele me amava e respeitava nossa família. Mas estava tão mudado nos últimos dias. Todos os anos no meu aniversário ele me acordava com muito carinho. E esse ano nem estava em casa pela manhã. Mais uma mudança.

Ava e Rachel me fizeram esquecer minhas preocupações com Noah, tivemos um dia divertido, fomos ao cinema, ao salão, e comemos muita besteira. Tudo que toda mulher quer no seu aniversário.

Ao voltar pra casa percebi que o carro de Noah e o de Lee estavam estacionados na frente da garagem. Provavelmente Lee e os garotos já nos esperavam para que fôssemos a pizzaria comemorar nosso aniversário. Olhei para o outro lado da rua e vi o carro do meu pai e de meus sogros. Eu não acredito!!

Surpresa! - Ouvi o coro ao entrarmos em casa. Estavam todos lá, John, Lee, os meninos, meu pai, meu irmão, meu sogros, e ele. O mais lindo do mundo.
Meu Deus. - falei chorando e sorrindo ao mesmo tempo. Olhei pra trás e vi Ava e Rachel sorrindo.
Feliz aniversário, minha pequena Shelly. - Noah se aproximou e me abraçou com carinho.
Eu achei que você tava me traindo! - falei rindo com os olhos marejados. Eu pensei que ele estava me traindo e ele só estava preparando uma surpresa.
Nunca. - me deu um selinho. - Você não sabe como foi difícil esconder de você! Eu fiquei morrendo de vontade de estragar a surpresa ontem quando vi você chorar. - ele tocou meu rosto. - Amo você pequena Shelly.
E eu amo você, nem tão pequeno, Noah. - o beijei e como de costume fomos interrompidos pelo outro aniversariante que me abraçou para me felicitar.

Não houve jantar na pizzaria, mas houve algo muito melhor, toda nossa família reunida, nos divertimos muito. Como sempre.

Para sempreHistórias para pegar e não largar. Descubra agora