"Green was the color of the grass
Where I used to read at Centennial Park
I used to think I would meet somebody there"
Quando eu estava terminando o ensino médio, eu sonhava em cursar Letras e seguir o meu sonho: ser escritora. Mas esse sonho morreu ao longo dos anos.
Mas as minhas duas maiores paixões, não. Ler e escrever. Eu tinha um caderno onde anotava tudo sobre todas as minhas viagens e muitos exemplares a minha disposição que devorava sempre que podia.
Desde que cheguei em Atlanta e conheci o Centennial Olympic Park, eu não deixava de ir lá um dia se quer. É um lugar muito bom para devorar um livro.
E é o que estava fazendo naquela tarde de sábado. Sentada na grama, ouvindo sons de variados pássaros ao meu redor, eu devorava um dos meus exemplares favoritos.
Foi há muito tempo, mas descobri que não é verdade o que dizem a respeito do passado, essa história de que podemos enterrá-lo. Porque, de um jeito ou de outro, ele sempre consegue escapar.
Um arrepio me subiu a espinha ao ler esse trecho, e eu não consegui ler mais nada a partir dali. Eu sabia muito bem como Amir estava certo. O passado sempre vem a tona de um jeito ou de outro.
No meu caso, por exemplo, só de ler essas palavras, muitas recordações me vieram a mente.
É impressionante como mesmo tendo de passado anos, e eu esteja a milhares de quilômetros de distância, eu sempre me lembraria deles.
De todos eles e tudo que fizeram.
Por que eu não conseguia simplesmente enterrar a droga do meu passado?
Fechei o livro impaciente, soltando o mesmo ao meu lado na grama verdinha.
O Caçador de Pipas é um bom livro, ótimo na verdade. Mas era uma tortura para mim, ver o Amir se lembrando do seu passado e se torturando sobre o que poderia ter feito a respeito, e não me sentir da mesma maneira. E isso me fazia ficar um pouco depressiva.
E eu não queria ficar depressiva!
Eu só queria aproveitar a vida e tudo de bom que ela pode me oferecer. A um ano atrás, eu havia visto a morte de perto e percebi que não tinha feito nada da minha vida além de sofrer.
Mas o tempo de chorar havia acabado. Eu iria aproveitar.
Peguei novamente o livro e o guardei em minha bolsa. O tempo de lamentar pipas perdidas acabou, eu iria soltar outras por aí e tudo ficaria bem.
Me levantei pronta para voltar para o hotel. Não gostava de andar pelas ruas a noite e o sol estava prestes a se pôr.
Fiz uma nota mental de ligar para minha mãe assim que chegasse. Estava com saudades, e ela era a minha única amiga, já que eu perdi todos os meus contatos de amizades a alguns anos.
Depois do acidente, eu trabalhei alguns meses em uma conveniência para conseguir juntar um bom dinheiro para simplesmente sair por aí. É claro que o meu dinheiro não pagava tudo, a minha mãe ajudava em boa parte. Eu não queria, mas a dona Esther consegue ser muito insistente quando quer.
Enquanto caminhava em direção a saída do parque, aquela sensação me veio novamente. Toda vez que vinha ali, eu tinha a sensação que deveria encontrar alguém. Ou espero encontrar alguém. Eu não sei direito, era estranho.
Parei ao lado da Fountain of Rings observando as pessoas ao redor. Todas em seus próprios mundos. Não consegui evitar de passar os olhos pela multidão procurando por aquelas madeixas loiras tão idênticas as minhas.
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Invisible String | Projeto Folklore [HIATUS]
RomanceApós tantas decepções amorosas Layla entende que relacionamentos definitivamente não era para ela, e só quer viajar pelo mundo. Viver intensamente. Um ano após o acidente que quase tirou sua vida, Layla decide dar uma pausa em suas viagens e aprovei...
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