Prólogo

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Eu odiava hospitais.

Se eu pudesse passar a minha vida inteira sem precisar ir em um, seria ótimo.

A última vez que estive em um hospital, eu estava com um braço, uma costela e o nariz quebrado. E outras marcas que prefiro não citar, pois doem até hoje.

Daí surgiu a minha fobia por esse lugar. Aquela época eu passei muitas semanas internada até conseguir me recuperar. E toda vez que eu entrava em um hospital, lembranças dos dias que passei me recuperando do maior trauma de minha vida, me rondam. E eu não suportava o fato de reviver aquele momento.

Por isso que quando eu recordei a consciência e vi onde eu estava, o pânico me atingiu.

Eu estaria revivendo aquele momento outra vez?

Ele fugiu? Será que me encontrou?

Deus, eu preciso sair dali!

Onde estava a mamãe?

Eu tentei perguntar para o médico a minha frente, mas minha voz não saia. Eu não conseguia respirar e o homem a minha frente dizia algo que eu não entendia.

ㅡ Eu preciso... Sair... Por favor... Me tira... Daqui... ㅡ Minha voz estava rouca e as palavras saiam pausadamente.

ㅡ Srta. Baker? ㅡ Sua voz era calma, e transmitia certo alívio ㅡ Consegue me ouvir?

Eu não conseguia dizer mais nada, então só assenti.

ㅡ Ótimo. Eu preciso que fique calma. Respire e expire, ok?

Ele respirava lentamente e dizia para eu o acompanhar. Foi difícil, mas com o olhar bondoso do homem a minha frente, eu consegui. Ele me transmitia certa segurança.

Quando consegui respirar direito e ver as coisas com clareza, pude observar melhor o homem dos olhos bondosos. A julgar pelo seus cabelos grisalhos, diria que ele tinha idade para ser meu pai.

ㅡ Se sente melhor?

Não respondi de novo, apenas assenti.

O médico arrumou a cama, de uma maneira que eu ficava sentada e puxou uma cadeira se sentando próximo de mim.

ㅡ Ótimo. Se lembra do que aconteceu?

As lembranças do dia anterior me invadiram e meus olhos arderam.

ㅡ Falésias de Moher. ㅡ Foi a única coisa que consegui dizer.

ㅡ Ótimo. Agora eu preciso que responda algumas perguntas básicas.

E ele perguntou coisas fúteis do tipo, em que ano estavamos e qual era o atual presidente dos Estados Unidos.

ㅡ Onde eu estou? ㅡ Minha voz ainda estava rouca, mas eu conseguia formar frases concretas.

ㅡ Em Nova York, no Hospital Presbyterian. Você foi levada para um hospital em Dublin, após o acidente. E quando estava em condições de viajar, sua mãe a transferiu para cá.

ㅡ Onde ela está? Minha mãe.

ㅡ Ela está lá fora. Foi buscar um café, mas eu acho que deve estar voltando.

ㅡ Que dia é hoje?

ㅡ Dez de março. Você ficou um bom tempo desacordada. Três dias para ser mais exato.

Em todo o momento a voz dele era reconfortante. Sempre querendo me confortar. Olhei no seu jaleco, procurando seu nome, mas minha visão não estava cem por cento.

Ele deve ter percebido minha tentativa de tentar ler seu nome e se apresentou.

ㅡ Desculpe os modos. Sou o Dr. Allen. Jacob Allen.

Eu sorri fraco para o Dr. Allen, e depois agradeci por toda sua gentileza.

Quando minha mãe entrou no quarto e me viu acordada, quase soltou o copo de café que estava em suas mãos.

Após abraços calorosos e lágrimas, mamãe me pôs aparte das novidades. Eu nem se quer notei quando o Dr. Allen saiu do cômodo. A primeira coisa que perguntei foi como ela estava bancando aquele hospital, se a nossa conta bancária nunca foi muito cheia.

Ela disse que o Richard foi promovido no emprego a alguns anos e graças a isso estavam muito bem de vida.

Céus, como eu não sabia disso?

Eu não sabia de nada sobre meus pais!

Quis afundar meu rosto no travesseiro, mas contentei em ouvir as histórias de mamãe de como eles estavam felizes no casamento. Foi bom vê-la tão entusiasmada.

ㅡ Layla, ㅡ sua voz estava um pouco mais séria e ela desviava o olhar como se o que fosse falar a deixasse desconcertada. ㅡ o Liam pergunta de você. Sempre.

Fiquei em silêncio por um tempo. Só a menção do nome dele, me trazia sentimentos a qual desejava esquecer.

ㅡ Ele me liga quase todos os dias. E eu nem se quer sei o que dizer, pois não sei o que aconteceu com vocês.

ㅡ Tudo bem, mamãe. ㅡ Respirei fundo ㅡ Bloqueie ele. Não atenda, eu não sei. Só não mantenha nenhum tipo de contado. Minha história com ele acabou.

Mamãe ergueu o olhar do chão para mim, me olhando com um misto de pena e confusão.

ㅡ O que houve?

ㅡ Eu prometo contar tudo em outro momento, tudo bem?

Ela assentiu.

ㅡ O que pensa em fazer? O que quer fazer a partir de agora?

ㅡ Uma coisa que eu não fazia estando ao lado de Liam. ㅡ Dei uma pausa dramática olhando para algum ponto qualquer do quarto. ㅡ Viver.

Invisible String | Projeto Folklore [HIATUS]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora