Cativeiro e meu pássaro azul

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Me lembro de tudo

da minha infância, da garota suicida

de quando eu tinha doze.

Da garota branca de quando eu tinha dezesseis

e da garota de óculos quando eu tinha dezessete.

Confesso que ainda sou novo

nessa vida

longa e curta ao mesmo tempo.


Perdi meu tato social

aos dezessete, mais especificamente

entre os dezessete e os dezoito.


Eu enfiei o pássaro azul

dentro do meu peito

e matei ele a paulada

mesmo que eu seja defensor dos animais

e mesmo que ele ainda tenha espasmos

que reproduzem tudo que faço.


Meu pássaro morreu junto

com a ultima foto que rasguei

de ti.

Cinzas e CoresOnde histórias criam vida. Descubra agora