Capítulo 22- Josh

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O rosto da Any voltou a ficar pálido, seus olhos ainda continuam vermelhos igual seu nariz. Na mão dela está seu celular, o aparelho que ela não parou de mandar mensagens pra sua mãe. Ela manda uma frase literalmente a cada cinco minutos

Sua perna não para de tremer de ansiedade, seu estômago mais uma vez está vazio e dessa vez, ela chorou por isso

"Eu não aguento mais vomitar tudo!"

Essa foi a frase que ela falou quando terminou de lavar sua boca e desabou nos meus braços. Eu sou queria que ela tivesse paz!

Comecei a ouvir a máquina de batimentos se acelerar, aquele barulho apitando numa velocidade absurda. Olhei pra Any que agora passava suas unhas fortemente pela sua pele e está com a respiração acelerada

Aí meu senhor Cristo

Sentei ao seu lado no colchão e segurei seus pulsos

- Any! Me escuta, presta atenção em mim, se acalma!- eu não recebi um manual de como acalmar pessoas com ansiedade não, alguém me ajuda!

Seu corpo começou a tremer novamente, e sua respiração ainda está desregulada como se tivesse corrido uma maratona. Ela abria e fechava a boca incontáveis vezes, mas nenhuma palavra saí dela

- Só preciso que você me escute, tá legal?- sua cabeça concordou, mas não sei se ela realmente está me escutando- você está respirando muito rápido, preciso que respire devagar. Quero que você inale o ar pelo nariz devagar e solte pela boca do mesmo jeito pequena

Demorou, mas ela fez

- Feche os olhos e mentalize algo que te faça bem- ela fechou, mantendo a respiração do jeito que mandei- pensou?

- Sim- sussurrou

- E no que está pensando?

- Em você me abraçando- puta merda, não estava preparado

- Quer que eu te abrace?- perguntei sorrindo, mas ela negou com a cabeça

- Não- na minha boca agora tem um biquinho chateado. Não abraço mais também

Ela continuou com os olhos fechados, inalando e expirando o ar devagar. Seus batimentos estão voltando ao normal, e seus dedos estão entrelaçados com os meus

- Está tudo bem, ok? Sua mãe deve estar em algum lugar sem conexão ou internet, daqui a pouco ela aparece

- Belinha! Onde está a Belinha?- seus dedos apertaram os meus

- Na casa de uma colega da escola, está segura, não se preocupe

Sua cabeça mexeu em concordância, mas isso é muito pouco. Eu quero palavras, quero escutar ela falando até meus ouvidos não aguentarem. Preciso ver ela sorrindo pra valer de novo, necessito ver seus olhos brilhando novamente

Mas nem seus olhos eu podia ver agora, por que eu mandei ela fechar?
Eles não se abrem a minutos, seus dedos apertam minha mão com diferentes níveis de força. A única coisa que eu penso é

Ela vai ser quebrar de novo

E eu não posso deixar ela fazer isso

- Sabia que você é maravilhosa?- perguntei, seus olhos abriram em espanto

- Você deve estar com sérios problemas de visão- murmurou, nem preciso falar que foi baixo

Ela baixou a cabeça, movendo-a em negação. E eu ergui ela, com um sorriso carinhoso nos lábios

- Eu não estou brincando, eu gostaria de ter um poder que fizesse você se enxergar com os meus olhos, tenho certeza que você se apaixonaria...- ela mexeu o canto do lábio, mas não foi por muito tempo- ...assim como eu me apaixonei!

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