Capítulo 4

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Capítulo 4 – Preocupações e medos.


Harry não tinha acordado. Poppy disse a Severus que ele estava em coma curativo e que acordaria quando estivesse pronto. Então Severus não teve escolha a não ser comparecer à reunião da Ordem e alertá-los. Ele esperava que Harry tivesse a premeditação de dizer não, quando Dumbledore o convidou para entrar. Não que ele não achasse que a Ordem não era o caminho a seguir, ele apenas acreditava que o menino deveria ficar fora da guerra o máximo possível. Como diabos ele iria proteger um menino que estava participando das reuniões da ordem? Conhecendo Weasley como ele conhecia, ele ficaria com ciúme insano. O que deixaria Potter deprimido, seu quarto ano novamente. Weasley não tinha ideia de quão sortudo ele era, por ter os dois pais - pais que o amavam, e irmãos. Mesmo quase perder sua irmã não mudou o pirralho, ou quase perder seu pai. Ele era tão rancoroso e ciumento quanto eles; Severus simplesmente não conseguia entender por que Potter continuou amigo da ruiva.

Fazia uma semana desde que Harry foi resgatado da Mansão Malfoy; Severus não tinha sido chamado desde então, o que o surpreendeu. Normalmente ele era chamado com bastante frequência durante o verão; foi por isso que Severus escolheu ficar em Spinners End. Era muito mais fácil aparatar dessa maneira; ele evitou ser "punido" por chegar atrasado.

– Snape. –  murmurou Lupin enquanto olhava para trás para ver quem havia entrado na ala hospitalar.

– Lupin. – respondeu Severus com o mesmo tom de voz. – Afaste-se. –  Remus estava sentado em uma cadeira, que ficava bem em frente ao armário de cabeceira de Harry. Era onde Poppy sempre colocava as poções de que precisava e, por hábito, ele também o fazia.

Remus se levantou, a cadeira raspando no chão de concreto, dando a Severus acesso fácil.

– Bom garoto. – disse Severus sarcasticamente. Remus não se moveu da última vez, fazendo Severus levitá-lo pela sala. Claro que Remus ficou envergonhado quando percebeu que Severus só queria colocar poções na mesa.

– Cala a boca, Snape. – disse Remus. Não havia ódio por trás disso. Eles precisavam desabafar, e brigar um com o outro fazia isso. Claro, já que Sirius morreu, assim como os outros saqueadores morreram. Remus podia realmente sentir vontade de ser ele mesmo, e não falar constantemente sobre pegadinhas. Ele odiava essa parte de seus amigos; tudo o que ele queria fazer era sentar e ler livros. Ele queria amigos e os tinha conseguido, e permaneceu leal a eles mesmo na morte. Remus simplesmente não tinha mais espaço em seu coração para lutar, especialmente com alguém ao seu lado. Sem James e Sirius nublando sua visão, ele achou o sarcasmo de Snape revigorante e às vezes engraçado. Eles estavam longe de se dar bem, mas esperançosamente conseguiriam de alguma forma.

Severus olhou para a prancheta; ele acenou com a cabeça para si mesmo e em seus garranchos de aranha escreveu algo. Tirando a rolha de três frascos, Severus persuadiu o inconsciente adolescente de dezesseis anos a engoli-los. Com as poções ele estava melhorando, mas para se recuperar precisava comer. Se ele não acordasse logo, eles teriam que forçá-lo a alimentá-lo. Mesmo com magia, não havia como forçar alguém, seria o método trouxa bruto que seria necessário.

– Você sabia? – perguntou Severus, sua voz enganosamente suave. Se você conhecia Severus, como Remus conhecia, era quando Snape estava mais furioso. Ele falava alto quando estava com raiva, mas sua voz ficava mais baixa quanto mais irritado ele estava.

– Sabe o que? – perguntou Remus olhando Snape com cautela, parecendo saber que ele estava em terreno perigoso.

– O que sua suposta família fazia. – retrucou Severus, suas mãos cerradas em punhos enquanto controlava sua raiva. Desde que ele descobriu, a raiva só tinha crescido exponencialmente.

Haunted Jaded Eyes [H.P]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora