Capítulo 26

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- o que foi? Tem medo dágua?- perguntei a Thuler o vendo esfregar as mãos pelos cabelos úmidos

- você está muito engraçada pra quem acabou de perder o jantar - disse tirando a camisa molhada

Aí meu senhor quanta gostosura em um só macho

- a culpa não é minha se você não sabe tirar o peixe d'água - comentei olhando bem minha saída de praia, se eu soubesse que ia me molhar já tinha vindo sem

- foi você quem jogou o corpo pra frente - me acusou

- foi você que precisou de ajuda - joguei água em seu rosto

- e desde quando você me ajuda?- jogou água em mim

- idiota - reclamei tirando a saída e ficando apenas de biquíni, pendurei o pano próximo a camisa de Thuler na lateral da canoa

Mergulhei com a intenção de ajeitar meus cabelos e senti aquela sensação boa de estar em casa

- e então, o que vamos fazer agora que já não temos um peixe?- ele perguntou e eu não demorei para dizer o que

- tem uma peixaria aqui perto, podemos passar lá na volta e acertamos depois - falei nadando para um pouco mais distante de costas

- não se distancia não, não quero ter que salvar você de algum peixe - ele caçou

- bom, não sou eu que tenho medo de minhoca - sorri na sua direção

- não é medo, é nojo - dei risada de sua feição insatisfeito e nadei de volta com a intenção de ouvir a música que tocava

- e então, vai me dizer o porquê de carneirinho - puxei assunto o vendo nadar para perto do barco próximo a mim

- agora que eu sei que você gosta - sorriu

- eu nunca disse isso - acusei - na verdade eu não faço ideia de onde Pedro tirou essa ideia

- tem certeza mesmo carneirinho?- reprimi um sorriso e mexi com a cabeça fazendo um simples a-han

- tenho certeza - eu garanti

Eu sinceramente nunca disse que gostava desse apelido idiota

- na primeira vez como você estava me enlouquecendo, na verdade ainda faz isso, eu disse como ofensa - o encarei com atenção - por você ter os olhos esbugalhados, ser pequena e essa voz irritante

Abri os lábios algumas vezes antes de jogar água em seu rosto

- eu disse na primeira vez, calma aí - deu risada usando as mãos para tapar o rosto - depois eu percebi que um carneirinho pode sim ser fofo

- depois de dizer que tenho olhos esbugalhados, que sou nanica e que a minha voz é irritante acha que vou acreditar que isso poder ser fofo?- eu perguntei irônica

- se você se encarar no espelho vai ter certeza disso - ele disse de maneira simples virando o rosto para olhar o meu e eu senti minhas bochechas queimarem enquanto encarava minhas mãos que começavam a enrugar por conta da água gelada

- cala a boca, você tá me deixando sem graça - falei jogando uma quantia de água sobre o rosto

- você, sem graça?- sorriu - eu nunca pensei que veria você com vergonha de algo

- eu não tenho vergonha de muitas coisas, por isso gosto de ficar no comando da situação - contei - quando eu falo as coisas é mais fácil de estar preparada para ouvir

- mas eu não disse nada além da minha percepção, de extremamente irritante, você passou a ser fofa e - se impediu de completar

- e o que Matheus? - mexi um pouco os braços me aproximando e deixando nossos corpos a centímetros de distância

- eu não sei - ele disse baixo levantando minha atenção aos seus lábios

A vida é um rio
Estamos no mesmo barco
Remaremos juntos
Pra onde vai esse rio
Ainda não sabemos 
Mas, remaremos juntos

Cantava ao fundo Raffa torres quando a mão direita de Matheus desceu por meu rosto lentamente e nos encaramos com atenção

Ainda temos estrelas pra alcançar 
Sonhos pra sonhar
Flores pra regar 
Mas, precisamos fazer isso juntos
E vamos fazer isso juntos

Cantou a frase seguinte quando nossos lábios se encostaram e eu senti uma leveza sem igual tomar conta do meu corpo

Como se eu não estivesse mais ali

Toda aquela malícia e provocação que sempre fazemos questão de ressaltar em palavras desapareceu

O que tanto dizíamos deu lugar para um beijo lento e intenso aonde eu consigo sentir o meu coração bater lentamente de forma forte no peito

De todas as bocas que eu já beijei nenhuma me trouxe tanta calmaria e tanta confusão como essa, como a boca dele

Uoh ô ô ô
Não seremos os mesmos jamais 
Uoh ô ô ô
Se a gente falar menos e agir mais

A cada movimento de sua boca contra a minha, de nossas línguas explorando cada canto do lar da outra, de nossas peles se encostando sem nenhum problema com o frio da água entre elas

E quando o ar nos faltou foi estranho me afastar, como se nossos corpos não quisessem

Sorri ainda de olhos fechados e torci mentalmente para que ele não tivesse notado

- é melhor a gente ir - falei tentando evitar um clima chato ali - ainda temos que buscar um peixe

Abri os olhos e o vi me encarando com um sorriso disfarçado nos lábios

- é, vamos lá - concordou subindo primeiro sem dificuldades e em seguida me estendeu a mão me ajudando a fazer o mesmo

Desconexos - Matheus thuler (Finalizada)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora