Novas Perspectivas

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Capítulo 4

Estou parado com as mãos no bolso da calça social cinza que eu usava, olhava para fora, através  da parede feita de vidros que me dava uma visão perfeita da cidade, perdendo apenas para a visão que Sofia tinha da sala dela, no andar de cima.

Sofia, a mulher que vem me tirando do sério e não do jeito bom ou divertido, afinal, ela assumiu o cargo que era para ser meu por mérito e o ganhou apenas por ser filha do senhor White.

Ouço a porta de a minha sala abrir e me viro sem sair do lugar, vendo a cabeleira loira de Melanie entrando na minha sala, seguro a vontade de manda-la sair daqui, eu não sei o que tinha na cabeça ao me envolver com ela, menina fútil, que tem o rei na barriga, e que claro, tem tanta inveja da melhor amiga que chega a ser algo clichê.

- Oi, amor – Ela diz com a voz enjoada.

Suspiro e me mantenho parado com as mãos no bolso da calça.

- O que quer Melanie? - Pergunto após alguns segundos de silêncio.

- Ver você, afinal, faz semanas que não nos vemos você sempre foge de mim, Felippe. – Ela diz.

Suspiro longamente e vou até minha mesa, onde sento em minha cadeira e me viro para ela, e finalmente falo o que eu queria dizer a semanas atrás.

- E isso deveria ter dizer algo. – digo frio.

Primeiro veio a surpresa, depois o entendimento, a tristeza, e finalmente a reação que eu esperava dela, a raiva, que parecia deixar seus olhos azuis, injetados de vermelho.

- COMO É QUE É, FELIPPE MATARAZZO? - Ela grita, me fazendo revirar os olhos.

- Menos Melanie, sabíamos que nosso namoro era pura fachada, seu escândalo sumiu, seu pai esta feliz, e Sofia não sabe o que você que fez, agora, por favor, saia da minha sala. – Aponto para a porta de vidro que naquele momento tinha o vidro transparente.

- Você não pode fazer isso com a gente, somos o casal espelho... – Ela diz já levantando nervosa, e me olha, suplicando.

- Éramos um casal, Melanie. – Eu disse simplesmente, a corrigindo.

- Felippe você não gostou nenhum pouco de mim, durante esses dois anos? - Ela me pergunta com lágrimas nos olhos.

- Não.- Dou de ombros.

Melanie me encara e limpa uma lágrima que eu jurava ser falsa do canto dos seus olhos úmidos pela força que ela fazia em chorar, me irritava esse falso sentimento, afinal, desde começo era isso, apenas um trato de benefício mutuo, durante o tempo que fosse necessário e segundo minhas contas, não eram mais necessário, para nenhum de nós dois.

Melanie me olha uma última vez antes de pegar sua bolsa, de uma marca famosa, de cima da minha mesa, e sair da minha sala, e quando finalmente ela sai me encosto-me à cadeira e olho para o teto, soltando o ar, o sentimento de liberdade tomando conta da minha corrente sanguínea, levando a informação de que estava solteiro para meu sistema límbico que gerava a melhor emoção do meu dia, a paz.

Não demorei muito a voltar minha atenção para o trabalho, revisando alguns contratos que deveriam subir para a sala da presidência, para a assinatura ou cancelamento de algo, dependia de como era o contrato ou com quem, a verdade era que, desde que Sofia tinha assumido a empresa, as coisas vinham mudando, o uso de copos de plásticos quase zero, todos possuía uma garrafa de uso individual caracterizada e com seu nome a logo da empresa, assim como a troca de lampas acopladas a sensores de movimento, a cozinha agora era contada para não haver desperdícios e caso sobrasse era doada aos moradores de rua, funcionários com filhos até cinco anos, tinham vaga garantida na ala infantil, caso o pai ou mãe não tivessem com que deixar lentamente a face de garota mimada deixava a menina, todos falavam bem dela.

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