Capítulo três

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A mesa estava posta e Yui e Naomi comiam silenciosamente, os pensamentos da jovem de longas madeixas estavam presos no fio vermelho em seu dedo, queria descobrir se estava ficando louca ou se realmente estava vendo aquele fio, não fazia a menor ideia de qual das duas opções se encaixa melhor, já tentou pegar o fio duas vezes, mas sua mão atravessava e o pior era que conseguia sentir o fio roçando no seu dedo, qual seria o sentido?

—Está se sentindo bem? Você está bastante calada —comentou Yui deixando a tigela de arroz sobre a mesa.

—Sim, estou bem —sua atenção voltou para o fio vermelho que permanecia intocado no seu dedo mindinho. —Tia? —Chamou.

—Sim, Naomi?

—Você pode me contar a história do Akai Ito? —Perguntou surpreendendo a tia.

—Achei que você não gostasse dessas coisas —sorriu suavemente.

Naomi deu de ombros.

—Fiquei curiosa repentinamente.

Tudo bem, vou lhe contar duas histórias —começou a mais velha.

Akai Ito teve origem na China, durante o Período Hokuso. Segundo a lenda chinesa, a divindade a cargo do "fio" do destino, acredita-se ser Yuè Xià Lǎorén, muitas vezes abreviado para Yuelao, um antigo deus lunar casamenteiro. Ele é representado por um velho, conhecido como o "deus do amor e do casamento", e aparece somente sob o luar.

Dizem que vive na Lua ou no "Yue Ming", mundo obscuro, equivalente ao "Hades" da mitologia grega. Sendo este, o deus responsável por colocar o fio do destino nos humanos.

A lenda chinesa original diz que quando uma pessoa nasce os deuses amarram um fio vermelho nos tornozelos dos homens e mulheres que estão predestinados a ser a "alma gêmea" um do outro. A pessoa com quem estamos fadados a passar o resto da nossa vida, não importando a situação.

Acredita-se, que quanto mais longo for o fio, mais longe e tristes as pessoas destinadas estarão e vice-versa. De acordo com a crença, não importa quantos relacionamentos tenhamos, pois só viveremos a "experiência do verdadeiro amor" com a pessoa que estiver na outra ponta do Fio Vermelho.

A lenda, desde então se espalhou por toda a Ásia e, tendo sido incorporada ao folclore destas regiões, sofreu pequenas modificações. Aqui no Japão, onde a lenda tornou-se um mito popular, a linha que conecta as almas gêmeas passou a ser associada ao dedo mindinho. Como a versão chinesa, a história fala sobre um fio invisível que é amarrado no dedo mindinho de duas pessoas que estão destinadas a viverem juntas para sempre. É como uma ligação espiritual que representa o amor eterno. Ao se espalhar, a lenda se dividiu em diferentes versões, mas as mais conhecidas são a chinesa e a japonesa.

—Certo, você está se empolgando um pouco —comentou Naomi rindo.

Desculpe —riu— me empolgo contanto essas histórias, bem, vamos começar...

Debaixo da escura noite, iluminada apenas pela brilhante Lua Cheia, caminhava apressadamente um menino. Enquanto marchava de volta para casa, encontrou um velho sentado embaixo de uma grande árvore admirando o luzente satélite no céu.

—Boa noite rapaz! —Disse-lhe humildemente o velho que, na realidade, era o Deus Xia Lau Yue. O menino nunca antes vira o velho, por isso, continuou o seu caminho sem lhe prestar atenção.

—Sabes! —Continuou o velho. —Devias começar a preparar-te para o teu destino. Já não falta muito para te tornares um homem e, como todos os homens, precisa arranjar uma boa esposa.

O menino era ainda muito jovem e não mostrava nenhum interesse em se casar.

—Eu nunca vou me casar —disse amargamente.

Akai ItoOnde histórias criam vida. Descubra agora